Após o Ibovespa cair mais de 1% no dia da consumação do impeachment de Dilma Rousseff, a sinalização dos contratos futuros de Ibovespa é de recuperação nesta quinta-feira. As maiores motivações para este movimento vêm do exterior, com os PMIs industriais do Reino Unido e China, que passaram a registrar expansão da atividade em agosto. Por aqui a maior novidade foi o comunicado do Copom, que optou pela cautela e manteve os juros nos atuais 14,25% a.a., mas alguns agentes do mercado entenderam que foi deixado em aberto a possibilidade de corte nas próximas reuniões. Isto faz com que os juros futuros operem em queda nesta manhã. Na Europa as bolsas operam com sinal positivo, mesma trajetória dos futuros do Dow Jones e S&P 500. Por aqui o Ibovespa futuro registrava, às 9h40, alta de 0,72%.

Foco Gráfico

O Ibovespa-futuro abriu em alta, mas terá que ultrapassar a resistência imediata de 58.950 pontos para tentar atingir a reta de baixa que neste momento passa em 59.600 pontos.

O dólar-futuro testou o suporte imediato de R$ 3,243, mas somente sua perda indicará possibilidade de extensão da queda até a reta de sustentação (R$ 3,231). Para anular a condição baixista e permitir a expectativa de uma recuperação, será necessário o rompimento da reta de baixa em R$ 3,263 (comentário feito às 09:12 h e baseado no gráfico intraday de 60’).

Assista ao vídeo da Análise Gráfica

Economia em Foco

Copom ainda cauteloso
Na reunião do Copom desta quarta-feira optou-se, em decisão unânime, pela manutenção da taxa de juros em 14,25%, sem viés. Foi uma decisão cautelosa, ainda mais com a inflação de alimentos, ainda resistente, e o ritmo de ajuste fiscal e reformas. Para 2017, as expectativas de inflação até recuaram desde a última reunião, mas ainda está acima de 4,5%. A partir de 2018, o Bacen já enxerga a inflação dentro do centro da meta. Para 2016, no entanto, as projeções indicam IPCA acima de 7,3% e para 2017 em torno de 5,1%.

Como riscos para a trajetória da inflação foram citados: (1) as pressões dos alimentos, ainda persistentes; (2) as incertezas sobre o ritmo de ajustes e (3) a possibilidade de um período prolongado de inflação elevada, o que pode estimular a inércia.

Contrabalançado os riscos, no atacado já se nota o arrefecimento dos alimentos, a possibilidade dos ajustes serem mais céleres, o que tende a reverter as expectativas de inflação atual e o nível de ociosidade, podendo produzir desinflação. Dito isso tudo, o Bacen concluiu que a flexibilização monetária estará dependente de: (1) os choques dos alimentos sejam limitados; (2) a desinflação se dê em velocidade adequada; e (3) as incertezas sobre as medidas de ajuste e reformas se reduzam.

Concluindo, foi um comunicado claro e transparente, como vem sendo a conduta do Bacen atual, mostrando que a inflação ainda preocupa, ainda mais pelo lado dos alimentos, assim como o ritmo de ajuste das contas públicas e a aprovação das reformas. Diante disso, muito provavelmente, a taxa de juros Selic deve se manter em 14,25% pelo menos até outubro. Aguardemos os próximos passos do novo governo e o comportamento da inflação.

IPC-S desacelera a 0,32% ao final de agosto
O IPC-S registrou na 4ª quadrissemana de agosto alta de 0,32%, abaixo da quadrissemana anterior (0,39%), com desaceleração em sete dos oito grupos pesquisados. O destaque ficou para o grupo Educação, Leitura e Recreação (de 1,11% para 0,50%), seguido por Saúde e Cuidados Pessoais (de 0,67% para 0,50%). Apenas registrou aceleração o grupo Habitação (de 0,0% para 0,10%). A maior dispersão entre os grupos serve de indicativo de novas desacelerações a frente.

Índice de Preços ao Produtor (IPP): variou -0,56% em julho, ante 0,50% em junho e 0,72% em jul/2015. No acumulado do ano, o índice recuou 0,67% e avançou 4,30% em 12 meses. Das 24 atividades, 16 apresentaram variações negativas. As maiores variações ocorreram em indústrias extrativas (-11,94%), outros equipamentos de transporte (-3,20%) e fumo (-3,20%). Entre as Grandes Categorias Econômicas: Bens de Capital (-1,48%), Bens Intermediários (-1,00%) e Bens de consumo (0,46%). Esta deflação do IPP se explica pela valorização cambial, barateando os insumos importados e a economia em recessão, sem demanda, inibindo possíveis repasses de custos. No curto prazo, isto deve se refletir em preços ao varejo mais baixos. Por outro lado, com o câmbio se depreciando, diante da possibilidade da elevação de juro nos EUA, este movimento de baixa tende a se alterar.

EUA: O índice de demissões corporativas de junho recuou 21,8%, após recuo de 57,1% registrado no mês imediatamente anterior. Nos pedidos de seguro-desemprego, foram 263 mil na semana encerrada em 27 de agosto, ante 261 mil na semana anterior e expectativa de 265 mil. O total de pessoas atendidas pelo auxílio foi de 2,159 milhões na semana encerrada em 20 de agosto, ante 2,145 milhões na semana anterior. O nível de produtividade no 2T16 recuou 0,6%, contra recuo de 0,5% reportado no relatório preliminar do 2T16. O resultado veio em linha com a expectativa. O custo unitário do trabalho do 2T16 avançou 4,3%, depois de registrar avanço de 2,0% no relatório preliminar. Resultado veio acima da expectativa de mercado, que apontava alta 2,1%.

Agenda

Corporativa

Econômica