O Ibovespa futuro indica ligeira tendência positiva para a abertura dos negócios na bolsa local, seguindo o desempenho dos seus pares dos EUA, onde os contratos futuros do Dow Jones e S&P 500 avançam na margem. A vitória de Hillary Clinton, de acordo com pesquisas divulgadas, no primeiro debate com Donald Trump traz algum alívio, mas preocupações com o Deutsche Bank e o petróleo ainda pesam sobre a disposição dos investidores para a compra de ativos de risco. Por aqui os investidores avaliam o Relatório Trimestral de Inflação (RTI), a desaceleração do IPC-Fipe e os avanços dos índices de confiança do consumidor e da construção (veja mais sobre estes indicadores na sessão Economia em Foco). O Ibovespa futuro, às 9h40, subia 0,32%.

Foco Gráfico

O Ibovespa-futuro experimenta alguma recuperação, mas terá que ultrapassar a resistência imediata de 59.085 pontos para permitir a expectativa de que poderá testar o lado superior (59.500 pontos) do grande triângulo. A base da figura neste momento passa em 58.200 pontos e se for perdida indicará possibilidade de uma queda de maior intensidade (comentário feito às 09:08 h e baseado no gráfico intraday de 60’).

O dólar-futuro penetrou no suporte imediato de R$ 3,228 e se perdê-lo aumentará as chances de extensão da queda até os objetivos representados pelos fundos formados em R$ 3,208 e R$ 3,189 (comentário feito às 09:08 h e baseado no gráfico intraday de 60’).

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Economia em Foco

Relatório Trimestral de Inflação (RTI)

O BACEN segue divulgando os seus relatórios para os mercados, de forma clara e bem transparente. No Relatório Trimestral de Inflação, isto ficou bem claro. Não dá para ficar na dúvida. O cenário básico segue observando “a estabilização da atividade no curto prazo e possível retomada nos próximos trimestres, com grande ociosidade”. Sobre a inflação, observa-se a perspectiva de um processo de desaceleração, mas em velocidade ainda incerta. Sendo assim, é possível uma postura mais cautelosa, mais hawkish, não sendo garantido o corte da taxa de juros ainda neste ano.

No cenário externo, tem-se “um interregno benigno para os emergentes, mas ainda incertezas sobre o crescimento global, em especial, na normalização da política monetária do Fed”. Nas projeções, tanto o cenário de referência, como o de mercado projetam 7,3% para o IPCA neste ano, mesma projeção desta Consultoria. Para 2017 e 2018, referência projetando 4,4% e 3,8% e mercado 4,9% e 4,6%.

Por fim, na última reunião do Copom manteve-se o posicionamento de que “uma flexibilização das condições monetárias dependerá de fatores que permitam que o Comitê tenha maior confiança no alcance das metas para a inflação”. Dentre os elementos que podem permitir maior confiança no alcance das metas: (i) persistência limitada dos efeitos do choque de alimentos na inflação; (ii) componentes do IPCA mais sensíveis à política monetária e à atividade econômica indicando desinflação em velocidade adequada; e (iii) redução da incerteza sobre a aprovação e a implementação dos ajustes necessários na economia, incluindo a composição das medidas de ajuste fiscal e seus respectivos impactos sobre a inflação. Nestes fatores, há avanços nos dois primeiros, mas ainda muita incerteza no terceiro, sobre a evolução do ajuste fiscal.

Concluindo, acreditamos na possibilidade de redução da taxa Selic a 13,75% ao fim deste ano.

IPC-Fipe

Registrou queda de 0,03% na 3ª quadrissemana de setembro, contra +0,01% na última divulgação. Dos sete grupos pesquisados, apenas um assinalou variação negativa: Alimentação (0,06% para -0,52%). O grupo Educação manteve a queda de 0,02%. As variações positivas ocorreram nos grupos Transportes (0,15% para 0,23%), Saúde (0,52% para 0,65%), Vestuário (0,76% para 1,12%), Habitação (-0,13% para 0,03%) e Despesas Pessoais (-0,47% para 0,39%).

Sondagem do Consumidor

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), segundo a FGV, avançou 1,3 ponto (ou 1,6%) em setembro, atingindo 80,6 pontos, quinta alta consecutiva. Ambos os indicadores de percepção, do presente e das estimativas nos próximos meses, cresceram. O Índice da Situação atual (ISA-CC) caiu 1,3 ponto, de 69,5 para 68,2 pontos, mas o Índice de Expectativas (IE-CC) subiu 3,2 pontos, atingindo 90,1 pontos em setembro, o maior desde outubro de 2014 (94,6 pontos). Permaneceu o descolamento entre satisfação com o presente e as expectativas com o futuro em setembro, o que vem ocorrendo nos últimos cinco meses.

Sondagem da Construção

O Índice de Confiança da Construção (ICST) subiu 2,1 pontos (ou 2,9%) em setembro, alcançando 74,6 pontos, sendo a terceira alta consecutiva e o maior nível desde junho/2015, segundo a FGV. O Índice da Situação Atual (ISA-CST) subiu 0,6 ponto em setembro, alcançando 64,8 pontos. A principal contribuição veio do indicador que capta a percepção da empresa em relação à situação atual dos negócios, que registrou subida de 0,9 ponto em relação ao mês anterior, atingindo 66,1 pontos. O Índice de Expectativas (IE-CST) alcançou 84,8 pontos, ficando 3,4 pontos acima de agosto.

Índice de Preços ao Produtor (IPP)

Variou -0,26% em agosto, ante -0,57% em julho. No acumulado do ano, o índice recuou 0,93% e avançou 3,03% em doze meses. Das 24 atividades pesquisadas, 13 apresentaram variação negativa. As maiores variações ocorreram em Indústrias extrativas (4,15%), outros produtos químicos (-2,54%), vestuário e acessórios (-2,10%) e fumo (-1,60%). Entre as grandes categorias econômicas, o comportamento foram os seguintes: Bens de Capital (-0,16%), Bens Intermediários (-0,44%) e Bens de Consumo (0,02%). Esta deflação do IPP se explica pela valorização cambial, barateando os insumos importados e a economia em recessão, sem demanda, inibindo possíveis repasses de custos.

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