O destaque desta manhã provavelmente você já sabe, pois está estampado em toda a imprensa: Donald Trump surpreendeu e será o 45º presidente dos EUA. Esta vitória contraria as expectativas (e a torcida) dos mercados financeiros, trazendo prejuízos nas principais bolsas do mundo. Na Europa as perdas abrandaram e estão ao redor de 2%, assim como os contratos futuros de Dow Jones e S&P 500, que chegaram a cair 5%, mas há pouco registravam quedas de aproximadamente 1,7%. Já o Ibovespa futuro operava, às 9h41, com queda de 3,98%. A eleição norte-americana domina o noticiário, deixando em segundo plano outros eventos, como as divulgações de indicadores de inflação da China, onde o CPI e o PPI avançaram mas seguiram abaixo da meta do governo. Por aqui ainda devemos destacar a divulgação do IPCA de outubro, que teve alta de 0,26%, além do novo corte de preços da gasolina e do diesel nas refinarias anunciado pela Petrobras.

Foco Gráfico

O Ibovespa-futuro abriu em forte baixa e fugindo ao padrão normal de oscilações, de modo que poderá ingressar em um congestionamento intraday para corrigir este exagero e permitir que se reduza o afastamento em relação às Médias Móveis. Desta forma, a expectativa por enquanto é de que o índice não caia abaixo do fundo formado em 62.305 pontos (comentário feito às 09:12 h e baseado no gráfico intraday de 60’).

O dólar-futuro abriu em alta, mas o exagero inicial deverá dar chance para um congestionamento que “normalize” a situação do gráfico e permita uma aproximação das Médias Móveis. Por este motivo, por enquanto não existe expectativa de que os preços conseguirão ultrapassar o topo formado em R$ 3,289 (comentário feito às 09:12 h e baseado no gráfico intraday de 60’).

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Temporada de Balanços 3T16

ANIMA
O fraco resultado do 3T16 (lucro de R$ 5,6 milhões vs R$ 30,2 milhões no 3T15) foi devido à combinação de uma performance operacional desfavorável (lucro da atividade recuou 57%) com um crescimento de 132% no resultado financeiro líquido negativo. A empresa mostrou perdas de margens operacionais, primordialmente, devido à incorporação dos números de algumas empresas que foram adquiridas e que tinham eficiência inferior ao da Anima.

BANRISUL
Fechou o 3T16 com lucro líquido de R$ 105,0 milhões, contra R$ 359,3 milhões no 3T15 (-70,8%). Já nos 9M16 o lucro foi de R$ 494,6 milhões, contra R$ 699,3 milhões nos 9M15 (-29,3%). A performance do 3T16 foi impactada pela expansão das despesas com provisões para perdas de crédito, diante do pressionamento da inadimplência, sobretudo em pessoa jurídica, bem como pelo avanço das despesas administrativas. Considere-se, ademais, que a carteira de crédito recuou 3,9% em doze meses findos em setembro de 2016, ao atingir R$ 30.147 milhões.

BTG PACTUAL
Fechou o 3T16 com lucro líquido de R$ 661 milhões e ROE anualizado de 11,2%. No período, as receitas recuaram 41% e o lucro líquido reduziu 30%, quando comparados ao 2T16. Em relação ao 3T15, as receitas caíram 40%, e o lucro líquido diminuiu 56%. Frisa-se que no 3T16 foi concluída a cisão da área de commodities, a Engelhart CTP (ECTP), bem como a venda do BSI Bank (BSI). Excluindo os impactos do BSI e da ECTP no 3T16 (riscos e resultados financeiros), o ROE anualizado seria de 20% e o lucro líquido de R$ 920,9 milhões. Nesse sentido, o lucro líquido recorrente (excluindo tais efeitos também da base de comparação), teve crescimento de 27%, contra o 2T16.

CIELO
A Cielo registrou lucro líquido de R$ 1 bilhão no 3T16, 15% maior na comparação com o 3T15. O expressivo crescimento do resultado é explicado pelo acréscimo de 5% no volume financeiro de transações e pelo aumento de 6% na receita com antecipação de recebíveis. Outro destaque foi a redução de 15% na despesa financeira líquida explicada pelo registro de ganho com hedge cambial.

GAFISA
Foi mais um trimestre pautado pelo ambiente recessivo do Brasil impactando duramente o mercado imobiliário. Novamente, os segmentos Gafisa e Tenda passaram por realidades diferentes ao longo do trimestre. O segmento Tenda permaneceu ancorado na resiliência do mercado de baixa renda enquanto o segmento Gafisa foi o mais afetado. No 3T16 foi apurado prejuízo de R$ 73 milhões, revertendo o lucro de R$ 13 milhões contabilizado no 3T15.

GERDAU S.A. e GERDAU MET
A Gerdau S.A. reportou lucro atribuído aos acionistas controladores de R$ 91,854 milhões no 3T16, um avanço de 26% sobre o lucro do 2T16. No mesmo período do ano anterior o resultado havia sido um prejuízo de R$ 1,942 bilhão, devido à contabilização de R$ 1,8 bilhão em perdas pela não recuperabilidade de ativos. No entanto, a companhia seguiu sofrendo impacto de um cenário econômico desfavorável e contou com queda na produção de aço (-7,3%), queda nas vendas (-21,4%) e queda na receita líquida (-27,1%). As duas Operações de Negócios, que juntas somam 68,5% de participação na receita líquida, tiveram fraco desempenho. A Operação Brasil apresentou queda de 17,7% nas vendas internas e queda de 31,7% nas exportações. Já na América do Norte, a redução nas vendas de aço foi de 17,5%. A Metalúrgica Gerdau contabilizou o terceiro prejuízo do ano, desta vez de R$ 34,893 milhões.

IGUATEMI
O Iguatemi reportou no 3T16 retração de 31% no lucro líquido que atingiu R$ 40 milhões ante R$ 58 milhões no 3T15. Incremento das despesas com condomínio e pior resultado financeiro explicam a queda do lucro.

JSL
Apresentou prejuízo de R$ 27,1 milhões no 3T16, revertendo o lucro de R$ 8,2 milhões no 3T15, devido a migração de contratos na logística, gerando gastos adicionais, e o desenvolvimento da rede de lojas da Movida. A receita líquida foi de R$ 1,7 bilhão no 3T16, avançando 12,8% sobre o 3T15, puxada pela alta de 7,0% da receita líquida de serviços. O Ebitda totalizou R$ 285,1 milhões, com margem de 20,6%, composto por R$ 207,6 milhões da JSL Logística (-8,2%), devido à migração de operações para modelo com maior utilização de terceiros e agregados e; por R$ 70,1 milhões da Movida (+5,7%), devido ao foco na gestão de preços, crescimento do número de frota e maior capilaridade das lojas RAC e Seminovos.

MINERVA
Registrou lucro de R$ 46 milhões revertendo o prejuízo líquido de R$ 447 milhões no 3T15. A reversão pode ser explicada pelo aumento da demanda dos países da América do Sul e pelo aumento dos preços médios dos produtos comercializados. Também contribuiu a relevante queda da despesa financeira líquida que no 3T16 se situou em R$ 198 milhões ante despesa financeira líquida de R$ 826 milhões no 3T15.

PROFARMA
Registrou prejuízo de R$ 9,5 milhões no 3T16, alta de 49% em relação ao prejuízo do 3T15. Segundo a companhia, o trimestre contou com efeitos de eventos não recorrentes como os Jogos Olímpicos e a greve dos bancários, que contribuíram para um arrefecimento do consumo, em especial, no Rio de Janeiro. Eventos de ordem operacional, como a mudança da sede corporativa, também impactaram o Atacado, o Varejo, Especialidades e a última etapa do processo de integração dos sistemas de varejo. A receita líquida atingiu R$ 1,013 bilhão, ante R$ 934,7 milhões no mesmo período de 2015.

SAO CARLOS
Destaque para o lucro líquido do 3T16, de R$ R$ 71,4 milhões, alavancado pela venda do Edifício Top Center e para a atividade de locação no trimestre que gerou redução da vacância física para 10,7% vs 15,1% no 3T15. A venda do Top Center foi concretizada por R$ 152,6 milhões, com taxa interna de retorno real de 59% a.a.

SENIOR SOL
A companhia registrou lucro líquido de R$ 2,611 milhões no 3T16, crescimento de 15,7% em relação ao mesmo período do ano passado. A última linha do balanço foi impactada positivamente pela alta de 20,2% no resultado financeiro, que atingiu R$ 1,251 milhão. O resultado operacional, medido pelo Ebitda, contou com queda de 15,7%. A receita líquida consolidada foi de R$ 19,9 milhões, alta de 7% na mesma base de comparação, impulsionada pelas três unidades de negócio: Projetos (+26,5%), Outsourcing (+5,4%) e Software (+4,9%).

SLC AGRICOLA
O resultado da SLC Agrícola no 3T16 foi bastante ruim: prejuízo líquido de R$ 21 milhões ante lucro líquido de R$ 10 milhões no 3T15. Houve queda do preço da soja e do milho, valorização do Real frente o dólar sobre a rentablidade das exportações, aumento do custo por hectare, queda da produtividade das lavouras e crescimento da despesa com frete.

TAESA
Esta empresa fechou o trimestre com lucro líquido de R$ 217,6 milhões, um crescimento de 36,8% sobre os R$ 159 milhões de lucro apurado no 3T15. Esta boa performance foi resultado de vários fatores conjugados: bom desempenho operacional, forte crescimento do resultado das coligadas (refletidos via equivalência patrimonial) e pequena queda (-3,9%) no resultado financeiro líquido negativo.

UNICASA
A companhia apurou prejuízo de R$ 4,3 milhões no 3T16, revertendo o lucro líquido de R$ 2,9 milhões do 3T15. Contribuiu para o fraco resultado o desempenho operacional, com Ebitda negativo em R$ 3,2 milhões e margem negativa de 3,9%. A receita líquida também apresentou queda, de 16,1%, limitando-se a R$ 46,8 milhões no trimestre.

Economia em Foco

VITÓRIA DE DONALD TRUMP? E AGORA?
Muitos devem amanhecer assustados nesta manhã de quarta-feira. E agora? O que deve acontecer depois da vitória de Donald Trump? Não sabemos. Com certeza, amanheceremos com a maior potência do mundo mais preconceituosa, mais fechada, tanto comercialmente como no fluxo de pessoas, e mais belicosa. E este temor não é porque ele é Republicano. Poderia ter sido um candidato conservador respeitável, mas acabou sendo um personagem, que se comporta de forma errática, histriônica e irresponsável, num discurso fácil que mais agrada à classe média baixa norte-americana, aos brancos, protestantes, das áreas rurais, sulistas e cheios de preconceito. E as chamadas minorias? Contra esses, Trump promete fechar as fronteiras. E promete também taxar mais os importados e ingressar numa “guerra comercial” com a China. Deve fortalecer o Pentágono e reduzir os impostos para os ricos, visando atrair investimentos. Isso, aliás, faz parte do receituário republicano. Mas lembrem-se. Clinton terminou seu mandato nos anos 90 com popularidade em alta e a economia crescendo. Acabou, no entanto, não conseguindo eleger o seu sucessor. Al Gore, também numa eleição apertada e contestada, perdeu para George Bush. Em seguida, tivemos o trágico atentando às torres gêmeas e uma sucessão de conflitos bélicos. Foi uma época também em que o Fed deu crédito excessivo aos americanos e resultou na crise de 2008, a pior desde 1929. Esperamos todos que esta sequência de fatos não se repita agora, mas muitos já começam a sentir saudade do “velho cowboy do Texas”. Obama termina seu mandato com popularidade em alta e a economia nos eixos. Ou seja, o mesmo quadro e a história se repete como farsa. Tampem os narizes.

IPCA: Em outubro, o índice que veio dentro das expectativas, registrou alta de 0,26%, ante 0,08% no mês anterior. O acumulado no ano está em 5,78%, mas em doze meses desacelerou de 8,48% até setembro para 7,87% até outubro. Dos nove grupos pesquisados sete apresentaram aceleração, destaque para o grupo Transportes (de -0,10% para 0,75%), motivado pelo aumento de 6,09% no preço do litro do etanol e 1,22% no preço da gasolina, seguido pela alta de 10,06% nas passagens aéreas. Cabe salientar o comportamento dos Serviços (de 0,33% para 0,47%) e dos Monitorados (de 0,37% para 0,54%), que tiveram impacto significativo no índice. Apesar da pressão dos combustíveis no IPCA de outubro, vindo dentro das expectativas, acreditamos que o índice feche o ano pouco abaixo dos 7%. A Petrobras anunciou que irá reduzir o preço dos combustíveis nas refinarias, devendo mitigar a pressão no índice nesse último bimestre.

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