Enquanto a maioria das bolsas europeias opera no campo positivo e os futuros do Dow Jones e S&P 500 registram ligeiras quedas, o Ibovespa recuava 0,59%, às 9h44, uma oscilação mais intensa do que vem ocorrendo nas últimas sessões. No exterior o Banco do Japão (BoJ) foi menos incisivo do que se esperava no anúncio de medidas de estímulo monetário, mas isto não influencia muito nos negócios. Por aqui os resultados de grandes empresas devem ter repercussão, assim como uma série de indicadores econômicos divulgados nesta manhã. A agenda norte-americana também está repleta de indicadores, com destaque para o PIB do 2T16, divulgado há pouco, que mostrou alta de 1,2%, contra expectativa de 2,6%, além de revisar para baixo o PIB do 1T16 (de +1,1% para 0,8%).

Foco Gráfico

O Ibovespa-futuro abriu em queda, mas enquanto não perder o suporte imediato de 56.325 pontos não confirmará a extensão desta manifestação baixista até o fundo formado em 55.720 pontos. Para indicar possibilidade de nova arrancada até o topo de 57.795 pontos, será necessário o rompimento da resistência de 57.180 pontos.

O dólar-futuro voltou a cair depois de testar a resistência situada em R$ 3,30/3,304, mas não indicará possibilidade de uma queda de maior intensidade enquanto permanecer acima do suporte representado pelo fundo imediato de R$ 3,263 (comentário feito às 09:09 h e baseado no gráfico intraday de 60’).

Temporada de Balanços 2T16

AMBEV
A receita líquida expandiu 3,2% no trimestre, com crescimento em todas as operações (Brasil +1,7%, CAC +19,9%, LAS +2,6% e Canadá +1,6%). O volume, por outro lado, caiu 6,7%, principalmente devido às quedas no Brasil e na Argentina, em função do impacto da instabilidade política e econômica no consumo nestes países. Esta queda foi compensada pelo crescimento da receita líquida por hectolitro, de 10,6%, devido às iniciativas de gestão da receita e ao mix de premium na maioria dos países em que opera. Mas o lucro atribuído aos controladores da AmBev caiu 18% no 2T16, para R$ 2,046 bilhões (2T16: R$ 2,509 bilhões.

BRF
No 2T16 a BRF registrou resultado bastante fraco: lucro líquido de apenas R$ 30 milhões, muito aquém do lucro de R$ 524 milhões no 2T15. Este resultado é explicado pela retração de 9,4 p.p. na margem bruta que foi afetada negativamente pelo aumento do preço do milho e pelo pior mix de produtos comercializados. O resultado também foi afetado pelo aumento das despesas operacionais, explicado pelos seguintes fatores: gastos com integração de empresas recém adquiridas e aumento das despesas com a folha de pagamento. O EBIT teve forte recuo de 50% no 2T16 ante o 2T15.

CIA HERING
No 2T16 a Cia Hering registrou lucro de R$ 62 milhões, 5% maior na comparação com o 2T15. Se por um lado a empresa registrou retração de 9% na geração de caixa expressa pelo Ebitda, por outro lado a receita financeira líquida aumentou 43%. Outro fator que explica o aumento do lucro foi o registro de IR diferido no montante de R$ 6 milhões.

EMBRAER
A carteira de pedidos firmes manteve-se em US$ 21,9 bilhões no saldo de junho.16. No 2T16 foram entregues 26 aeronaves comerciais e igual número de executivas, o que explica o aumento de 2%, em relação ao 2T15, da receita líquida que atingiu R$ 4.771,6 milhões no 2T16 e o avanço da margem bruta consolidada para 20,8%, acima dos 19,0% registrados no 2T15. Foi provisionado R$ 684,9 milhões de despesas relacionados à investigação sobre alegação de não conformidade com o U.S. Foreign Corrupt Practices Act americano. Por esta razão, a Embraer apurou prejuízo de R$ 337,3 milhões no 2T16. O lucro, ajustado ao IR e CSLL diferidos relacionados ao impacto da variação cambial sobre os ativos não monetários e também à provisão mencionada, foi de R$ 155,6 milhões no 2T16 (R$ 399,6 milhões no 2T15).

ENGIE BRASIL
A Engie Brasil, nova denominação da Tractebel, publicou seu balanço do 2T16 com lucro de R$ 328,8 milhões, uma expansão de 57,1% diante do lucro de R$ 119,5 milhões do 2T15. A receita líquida, de R$ 1,57 bilhão, do segundo trimestre, teve alta de 1,7% na comparação anual. Redução do déficit de geração hidrelétrica, queda no preço do PLD, aumento da quantidade de energia vendida e tarifa mais adequada são destaques do período. No trimestre, a companhia investiu R$ 226,5 milhões, com foco na revitalização e modernização de suas usinas e na construção da termelétrica UTE Pampa Sul e do complexo eólico Santa Mônica. Diante do bom resultado do semestre, foi aprovada distribuição de R$ 645,2 milhões em dividendos intercalares.

FLEURY
O Grupo Fleury observou demanda consistente por seus serviços no segundo trimestre de 2016, traduzida na obtenção de recordes históricos nas linhas de receitas bruta e líquida, Ebitda e fluxo de caixa operacional. Na última linha do balanço não foi diferente: lucro no 1S16 de R$ 46,1 milhões (R$ 90,8 milhões no 1S15).

GRENDENE
No 2T16 a Grendene registrou bom resultado reportando lucro líquido de R$ 92 milhões, 10% maior na comparação com o 2T15. Destacaram-se o aumento de 7% no faturamento motivado pelo crescimento do volume exportado, pelo aumento do preço médio dos produtos comercializados e pelo maior número de lançamentos. O bom desempenho comercial aliado com a adequada gestão das despesas foi determinante para que a Grendene encerrasse o 2T16 com geração de caixa expressa pelo Ebitda 40% superior.

MULTIPLAN
A Multiplan registrou no 2T16 faturamento 5% maior, motivado pelo crescimento de 22% na receita com serviços, incremento de 6% na receita com estacionamento e acréscimo de 4% na receita com locação. As despesas operacionais apresentaram recuo de 1,2 p.p. explicado pela maior diluição e pela redução das despesas com novos projetos. O aumento no faturamento e a redução das despesas amenizaram a queda de 2 p.p. da margem bruta e o aumento de 9% na despesa financeira líquida, tendo sido determinantes para que a Multiplan registrasse no 2T16 lucro líquido de R$ 99 milhões, apenas 3,% maior ante o 2T15 e dentro de nossas estimativas.

RAIADROGASIL
Encerrou o 2T16 com receita bruta de R$ 2,9 bilhões, um aumento de 26,1% em relação ao 2T15, com a Raia Drogasil crescendo 24,5%, e a adquirida 4Bio avançando 113,4% no período. O Ebitda atingiu R$ 304,8 milhões no 2T16, um incremento de 39,2% sobre o 2T15, e o lucro líquido cresceu 44,6%, totalizando R$ 157,1 milhões no 2T16. O forte desempenho é decorrente, sobretudo, da estratégia de expansão acelerada, com abertura de 58 novas lojas no 2T16 e 97 ao longo do ano, com fechamento de apenas 2 unidades. Com isso, encerrou o 2T16 com 1.330 lojas, e a administração decidiu aumentar o guidance de abertura de 165 lojas para 200 ainda em 2016 e de 195 para 200 novas lojas em 2017.

SUL AMÉRICA
No 2T16, sua receita operacional de seguros atingiu R$ 4,124 bilhões, com evolução de 7,6% contra o 2T15. O ramo de seguro saúde e odontológico, que representa 73% da pauta da receita da empresa, evoluiu 15,2%, enquanto o ramo de automóveis (20% da pauta da receita) decresceu 7,6%, visto que este sente mais os efeitos da aguda crise econômica. O índice de sinistralidade total, por sua vez, foi de 82,1%, com avanço de 0,4 p.p., quando se compara o 2T16 com o 2T15. Ainda houve o efeito da elevação da carga tributária, já que a alíquota da CSLL passou de 15% para 20%. Mas o fato é que o resultado financeiro continuou fazendo a diferença, ao atingir R$ 232,3 milhões no 2T16 e avanço de 19,7% contra o 2T15. Dessa forma, o lucro líquido foi de R$ 126,4 milhões, com crescimento de 0,4%, respectivamente.

Economia em Foco

Confiança da Indústria: subiu 3,7 pontos em julho, para 87,1 pontos. O índice teve elevação em 18 dos 19 principais segmentos da pesquisa. O ISA teve elevação de 4,0 pontos (85,2 pontos), com a satisfação com a atual situação dos negócios subindo 8,0 pontos (83,1 pontos). O IE cresceu 3,3 pontos (89,0 pontos) com as expectativas com o total de pessoal ocupado nos 3 meses seguintes subindo 6,2 pontos (90,8 pontos). O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) subiu 0,4 p.p. em julho (74,3%). Continuam em fraca recuperação as sondagens de confiança da FGV. Esta da indústria vem apontando recuperação mais forte. Para os próximos meses deve continuar neste ritmo.

Confiança de Serviços: avançou 3,6 pontos em julho, para 76,0 pontos. A média móvel trimestral subiu 2,7 pontos. O índice teve elevação em 11 das 13 atividades pesquisadas. O ISA subiu 3,6 pontos (71,1 pontos) com a Situação Atual dos Negócios avançando 5,9 pontos. O IE teve elevação de 3,4 pontos (81,4 pontos), com a Demanda prevista para os próximos 3 meses avançando 6,1 pontos. O NUCI subiu 0,2 p.p. em julho (82,9%). Refletindo as boas perspectivas da economia, com ganho de renda e retorno do emprego, a sondagem de serviços reforçou ainda mais sua recuperação em julho. Deve manter este ritmo nos próximos meses.

Índice de Preços ao Produtor (IPP): variou 0,52% em junho, ante 0,90% em maio e 0,47% em jun/2015. No acumulado do ano, o índice recuou 0,08% e avançou 5,67% em 12 meses. Das 24 atividades, 11 apresentaram variações positivas. As maiores variações ocorreram em alimentos (2,71%), fumo (-2,35%) e outros equipamentos de transporte (-2,29%). Entre as Grandes Categorias Econômicas: Bens de Capital (-0,70%), Bens Intermediários (0,74%) e Bens de consumo (0,49%).

PNAD Contínua: taxa de desocupação é estimada em 11,3% no trimestre encerrado em junho, ante 10,9% entre jan-mar/2016 e 8,3% no mesmo período do ano anterior. A população desocupada (11,6 milhões) cresceu 4,5% sobre o trimestre anterior e 38,7% sobre o ano anterior. A população ocupada (90,8 milhões) e o número de empregados com carteira assinada (34,4 milhões) ficaram estáveis sobre jan-mar/2016 e caíram 1,5% e 4,1%, respectivamente, sobre abr-jun/2015. O rendimento médio real (R$ 1,97 mil) caiu 1,5% sobre o trimestre anterior e 4,2% sobre o mesmo período do ano anterior. A PNAD Contínua se deteriorou ainda mais no terceiro trimestre, terminado em junho, com perda de empregos espalhada por todos os setores da economia. Chama atenção o crescimento da população desocupada contra o mesmo trimestre do ano passado (38,7%), indicando que este mês talvez tenha sido o “mais agudo da crise atual”. Acreditamos que alguma recuperação deve acontecer nos próximos meses, dado o segundo semestre ser melhor do que o primeiro, com a proximidade do Natal. Tal melhoria deve acontecer mais pelo lado dos serviços e do comércio varejista, neste caso, na sua maioria, com geração de empregos temporários.

EUA – PIB: crescimento à taxa anualizada de 1,2% na primeira estimativa do 2T16. A expectativa apontava para crescimento de 2,6%.

EUA- Custo da mão-de-obra: avançou 0,6% no 2T16, seguindo a expectativa do mercado e o aferido no 1T16.

Agenda

Corporativa

Econômica