No início da semana pré-carnavalesca, o feriado pelo Dia do Presidente nos EUA deve tirar liquidez dos mercados. Entretanto, o bom humor nas sessões asiáticas e europeias pode colaborar para uma abertura altista na Bovespa, onde os investidores avaliam alguns balanços de 2016, dentre eles o da própria bolsa. O noticiário corporativo também traz o novo acordo de acionistas da Vale (veja mais no item Cias Abertas em Foco). A agenda interna tem como destaque a Pesquisa Focus, que trouxe mais uma queda na expectativa para o IPCA deste ano, enquanto os agentes já aguardam pela reunião do Copom, com início amanhã e término na quarta-feira. Às 9h44 o Ibovespa futuro operava em alta de 1,03%.

Vale lembrar que, com o fim do horário de verão, o encerramento dos negócios no mercado à vista da Bovespa volta a ocorrer às 17h.

Perspectiva – 20 a 24 de fevereiro

Faz tempo que temos anunciado nosso otimismo com o desenvolvimento do mercado secundário de ações, não só por aqui mas também no resto do mundo, como resultado da extrema liquidez e menor aversão ao risco. Por aqui principalmente, já que sofremos três anos seguidos e muitas empresas perderam na precificação de seus ativos.

Também não custa lembrar que faz tempo já traçávamos o objetivo de 68.000 pontos para o Ibovespa, principalmente quando passou a sinalizar que iria superar a faixa de 65.400 pontos. Pois bem, na semana que passou conseguimos em diversos momentos superar a barreira dos 68.000 pontos, quase se fixando acima desse patamar.

O lado político prossegue muito grave, mas no que tange à economia o governo tem conseguido mudar o discurso. Durante a semana tivemos discussões positivas sobre reformas. O modelo de concessão está sendo flexibilizado para atrair investidores e as reformas parecem encaminhar para lado bom.

Com isso, o fluxo de recursos para o País está sendo ampliado, o que é facilmente demonstrado pelo comportamento do câmbio em queda e ingresso de recursos na Bovespa. Ora, sem lançamento de ações (tivemos mais um no período – Hermes Pardini), o ajuste se dá obrigatoriamente no nível geral de preços.

No âmbito externo também existem boas expectativas, com o governo de Donald Trump fazendo boa largada (apesar de contramarchas) e a economia americana começa a responder de forma mais firme, comprovando o bom momento. Isso explica o dólar mais fraco e os índices americanos em constantes recordes. Resta a Europa algo conflitada em seu processo político, mas também demonstrando que a economia da região está em recuperação.

Claro que ainda vamos ter muita volatilidade nos próximos períodos, mas reafirmamos nossa crença que os mercado vão manter tendência primária de alta. Nesse contexto, vamos ter algumas paradas para respirar, mas o objetivo é o recorde histórico pouco abaixo dos 74.000 pontos.

Potencial dos Índices de Ações

Foco Gráfico

O Ibovespa-futuro abriu em alta e se ultrapassar a resistência representada pelo topo formado em 69.510 pontos poderá estender os avanços até 70.000/70.500 pontos (comentário feito às 09:15 h e baseado no gráfico intraday de 30’).

O dólar-futuro tem o suporte imediato em R$ 3,095, que se for perdido indicara possibilidade de nova queda até pelo menos R$ 3,085 (comentário feito às 09:15 h e baseado no gráfico intraday de 30’).

Assista ao vídeo da Análise Gráfica

Balanços 2016

BM&FBovespa

A empresa fechou o 4T16 com lucro líquido de R$ 928,5 milhões, contra prejuízo de R$ 406,9 milhões no 4T15. Ambos os trimestres estão afetados por resultados não recorrentes (negativos e positivos), decorrentes de vários fatores, quais sejam: venda da participação minoritária no CME Group, despesas relacionadas ao processo de fusão com a Cetip e impairment sobre o valor do ágio realizado no 4T15. A Receita Líquida cresceu 14,8%, em virtude principalmente da melhoria dos volumes financeiros negociados na Bolsa. No aspecto das despesas, nem as operacionais nem as financeiras são comparáveis, tendo em vista os aspectos mencionados, os quais distorcem a a comparação.

Hypermarcas

O lucro de 2016, de R$ 1,175 bilhão, foi o dobro do apurado em 2015. Enquanto a receita líquida cresceu 11,2%, o resultado financeiro manteve-se negativo mas caiu 62,8%% em relação ao de 2015. Chama atenção que 42,6% do lucro do ano passado foi formado pelas atividades descontinuadas, Foram elas: cosméticos, preservativos e produtos descartáveis. Mas o Ebitda das operações continuadas aumentou 19,2% em relação a 2015, para R$ 1,2 bilhão, com margem de 34,5% e a Hypermarcas divulgou previsão de Ebitda para estas operações em 2017 no mesmo valor da obtida em 2016.

Magazine Luiza

Apresentou lucro líquido de R$ 86,6 milhões em 2016, revertendo o prejuízo de R$ 65,6 milhões em 2015. O crescimento das vendas totais, o aumento da margem bruta, a diluição das despesas operacionais e a contribuição positiva do e-commerce contribuíram para a evolução no lucro. No último trimestre, o lucro foi de R$ 46,1 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 52,4 milhões no 4T15. A receita líquida foi de R$ 9,5 bilhões em 2016, superando o ano anterior em 4,9%. No 4T16, a receita foi de R$ 2,8 bilhões, 11,2% superior ao 4T15.

Economia em Foco

Economia e Mercado

Numa semana de feriado nos EUA (President Day), reduzindo a liquidez do mercado doméstico nesta segunda-feira, estejamos atentos na quarta-feira à reunião do Copom, por enquanto, “balizando” um corte da taxa de juros em 0,75 p.p., não sendo surpresa se chegar a 1p.p.. Atualmente, a taxa está em 13,0%. A inflação, em forte desaceleração, e a atividade econômica, muito fragilizada, corroboram para esta postura mais agressiva do BACEN. Vejamos as projeções da pesquisa Focus a seguir.

Pesquisa Focus

Pela pesquisa coletada na semana passada (17/2), neste ano o IPCA continuou reduzido, de 4,47% para 4,43%, sendo novidade também a taxa de câmbio, agora a R$ 3,30, contra R$ 3,36 na semana anterior. Para 2018, respectivamente, tivemos 4,5% e redução de R$ 3,49 para R$ 3,40. Neste ano o crescimento do PIB acabou mantido em 0,48% e a taxa Selic em 9,5%, mantidos também, respectivamente, para 2018 em 2,3% e 9,0%. Pelo Top 5 também tivemos ajustes. No médio prazo, pela mediana, neste ano o IPCA recuou de 4,15% para 4,10%, a taxa de câmbio, de R$ 3,40 para R$ 3,30 e a taxa Selic mantida em 9,5%. No ano que vem, o IPCA passou de 4,21% para 4,30%, a taxa de câmbio, R$ 3,49 para R$ 3,45, e a taxa Selic mantida em 9,38%. Estas revisões para menos da inflação, do câmbio e da Selic reforçam a acertada estratégia da equipe econômica na condução da política monetária, sempre em sintonia com o avanço do ajuste fiscal.

Agenda

Corporativa

Econômica

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