A semana começa em ritmo lento nos mercados acionários, com os principais índices europeus em ligeira baixa, enquanto os futuros do Dow Jones e S&P 500 tinham leve alta. Por aqui o Ibovespa futuro abriu volátil, alternando entre altas e baixas, e às 9h40 mostrava alta de 0,03%. Nesta manhã os investidores avaliam a Pesquisa Focus, que trouxe menor perspectiva de crescimento do PIB de 2017, além de aguardarem a votação na Câmara dos Deputados do projeto de lei da renegociação das dívidas dos estados e do Distrito Federal com a União. No exterior o petróleo avança, beneficiando as empresas do setor, ao passo que os preços das novas moradias na China desaceleraram e trazem certa apreensão aos investidores.

Perspectiva – 19 a 23 de dezembro

Antes de tudo é preciso que os principais mercados de risco do mundo voltem a buscar o equilíbrio ou, pelo menos, movimentação mais consistente. O fato do Fed já ter elevado juros e sinalizado altas futuras é boa indicação de que isso pode voltar a acontecer. Com juros e câmbio melhor equilibrados, as bolsas podem ter tendência mais consistente.

Por aqui também atravessamos o vencimento do índice futuro e mercado de opções logo no início da semana, e a tendência é de a Bovespa acalmar. Ocorre que o fator determinante do momento é a área política e ela junto com Lava-Jato e delações ainda prometem muito ruído. Também aí parece haver certo conluio, na medida em que teremos recesso no Legislativo e Judiciário e comemorações natalinas e do Ano Novo.

No cenário externo a situação da economia parece mais tranquila, com boas expectativas para o início do governo Trump (descontada sua língua ferina) e a força motriz americana não pode ser desprezada. Isso vai ajudar na recuperação da Zona do Euro e abrir espaço para preços melhores de commodities básicas e beneficiar emergentes exportadores, como o Brasil.

Como sempre temos dito, a China não oferece riscos maiores e os últimos indicadores mostram aceleração, depois de um período meio turvo. O Japão parece reacender com a expectativa de Trump e certa birra em relação à China. Aqui é que a situação segue complicada.

Enquanto os três poderes não chegarem a bom termo de convivência e enquanto o governo Temer não ampliar a credibilidade, não há como termos ingresso de recursos de boa origem. Só o capital especulativo é que está fazendo a diferença, mas esse é muito volátil.

Tínhamos expectativa que a Bovespa pudesse fechar o ano de 2016 com índice próximo da pontuação de 64.000/65.000 pontos. Porém, faltando poucos pregões para fechar o ano, esse objetivo fica distante (não impossível), principalmente por conta de não acreditarmos em rali. Apesar disso, ainda mantemos nossa crença em dias melhores para o mercado acionário, mesmo sabendo da situação de alto endividamento financeiro das empresas.

Potencial dos Índices de Ações

Foco Gráfico

O Ibovespa-futuro abriu em ligeira alta, mas precisando ultrapassar a barreira imediata (59.800 pontos) representada pelas Médias Móveis para tentar estender a reação até a reta de baixa (60.300 pontos) ou mesmo o topo formado em 60.460 pontos. O suporte mais próximo está representado pela antiga reta de resistência (tracejada), em 59.200 pontos e se for perdido indicará chance de nova queda até o fundo principal de 58.720 pontos. (comentário feito às 09:20 h e baseado no gráfico intraday de 60’).

O Dólar-futuro permanece em situação indefinida, já que nova manifestação altista dependerá da superação da resistência situada em R$ 3,426. Por outro lado, nenhuma sinalização baixista acontecerá até eventual perda da reta de sustentação, que neste momento passa em R$ 3,376(comentário feito às 09:20 h e baseado no gráfico intraday de 60’).

Assista ao vídeo da Análise Gráfica

Economia em Foco

Balanços e Perspectivas

Chegamos finalmente na penúltima semana de um ano que “cisma em não terminar”. E que ano! Foi realmente bem intenso. Tivemos impeachment, cassações variadas de mandatos de figuras de destaque do Congresso, prisões de ex-governadores, crise institucional, economia em profunda recessão, e no exterior, a eleição de um outsider nos EUA, Donald Trump, e a saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit). O que esperar de 2017? Difícil saber o que deve acontecer neste ano, até porque as delações (são 77 no total) ainda devem causar estragos na governabilidade do País e os caminhos da retomada ainda não foram encontrados até porque a crise política permanece. Soma-se a isso, não sabemos direito o que pretende Donald Trump, depois de empossado em 20/1/17. De antemão, estamos revendo, mais uma vez, as nossas projeções para 2017. O PIB, depois de recuar algo em torno de 3,5% a 4,0% neste ano de 2016, deve crescer um pouco em 2017 (0,6%); a inflação deve beirar o sistema de metas neste ano e no próximo, 6,6% e 4,6%, respectivamente, a taxa de juros acelerar a redução dos cortes, para fechar o ano de 2017 em 11% e a taxa de câmbio passar de R$ 3,40 a R$ 3,60 entre este ano e o próximo.

Pesquisa Focus

Na cena doméstica a deterioração das expectativas segue ocorrendo, mesmo com os avanços da “PEC do Teto” e da Previdência, agora em comissão na Câmara. As investigações da Lava-Jato são um contraponto a isto, avançando cada vez mais, acuando o Congresso e a cúpula do governo. Nos mais recentes acontecimentos, as delações premiadas já deram o seu recado, a primeira abalando as estruturas do poder e boa parte dos congressistas. Em paralelo, o mercado segue revisando suas projeções para o biênio 2016/17. Pela Focus do dia 16/12, neste ano o IPCA desacelerou ainda mais, a 6,49%, contra 6,52% na semana anterior e 6,80% há um mês. Já está, portanto, no teto do sistema de metas de inflação. A taxa de câmbio recuou um pouco, de R$ 3,39 para R$ 3,38 e o PIB se manteve estável, em recuo de 3,48%. Para o ano que vem, o IPCA se manteve em 4,9%, o câmbio passou de R$ 3,45 para R$ 3,49, o PIB desacelerou o crescimento de 0,7% para 0,58% e a taxa Selic mantida em 10,5%.

IGP-M

Variou 0,41% no segundo decêndio de dezembro, ante 0,02% em igual período de novembro, acumulando 7,04% no ano. O IPA-M variou 0,53%, ante -0,08%, motivado pela variação dos grupos Produtos Industriais (de 0,38% para 1,22%) e Matérias-Primas Brutas (de 0,80% para 1,86%). Este último foi impactado, principalmente, pelo comportamento dos itens minério de ferro (de 6,58% para 15,36%), soja em grão (de -2,25% para 0,88%) e leite in natura (de -7,33% para -6,48%). O IPC-M foi de 0,27%, ante 0,12%, com cinco das oito classes desacelerando e tendo maior impacto no índice. Dentre os grupos, destacando-se Habitação (de 0,27% para -0,57%), impactado pelo item tarifa de eletricidade residencial, cuja
taxa passou de 1,05% para -4,82%. O INCC-M teve variação de 0,32%, ante 0,13% em novembro.

FIPE

Saiu o IPC da 2ª quadrissemana deste mês, com variação de 0,35%, ante 0,18% na quadrissemana anterior. Todos os sete grupos componentes do índice apresentaram aceleração de preços, com destaque para Despesas Pessoais (de 0,90% para 1,0%), seguido por Habitação (de 0,29% para 0,48%).

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