Após o Ibovespa fechar no maior nível em quase cinco anos na sessão anterior, o Ibovespa futuro abriu em queda nesta quinta-feira, mas às 9h42 operava próximo da estabilidade (-0,05%). O desempenho negativo das bolsas europeias e futuros norte-americanos favorece uma realização, assim como a queda do minério de ferro na China.

Por aqui os investidores avaliam a aprovação na Câmara do projeto que reabre o programa de repatriação de recursos mantidos ilegalmente no exterior, além da constante desvalorização do dólar e a queda do IBC-Br em dezembro (veja mais em Economia em Foco). O campo corporativo também chama atenção, com as divulgações dos balanços da Cetip, Banco do Brasil e Smiles.

Foco Gráfico

O Ibovespa-futuro ingressou em um congestionamento intraday entre a resistência de 69.170 pontos (se vencida indicará chance de extensão dos avanços até 69.500/69.800 pontos e o suporte de 68.655 pontos, que se for perdido mostrará possibilidade de um recuo até a antiga resistência situada em 68.280 pontos (comentário feito às 09:15 h e baseado no gráfico intraday de 30’).

O dólar-futuro fez novo fundo em R$ 3,054, mas evidenciando esgotamento (mesmo que temporário da queda) podendo reagir e testar a resistência imediata de R$ 3,076 (comentário feito às 09:10 h e baseado no gráfico intraday de 30’).

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Balanços 2016

Banco do Brasil

Fechou 2016 com lucro líquido ajustado de R$ 7,171 bilhões e queda de 38,2%. A performance foi impactada pelo avanço das despesas com provisionamentos e queda da carteira de crédito, visto que esta atingiu R$ 653,591 bilhões e recuo de 9,2%. O risco corporativo pressionou a qualidade da carteira de crédito, logo houve o avanço das despesas com provisionamentos. Especificamente no 4T16, o lucro líquido ajustado foi de R$ 1,747 bilhão, com queda de 34% ante o 4T15. O número exclui o impacto das despesas não recorrentes de R$ 1,401 bilhão com o plano de aposentadoria incentivada lançado pela instituição. O lucro contábil, que inclui itens extraordinários, foi de R$ 963 milhões no 4T16, com redução de 61,6% em relação aos 4T15.

Cetip

Fechou 2016 com lucro de R$ 572,6 milhões e crescimento de 15,1%. Em um ambiente de forte retração econômica, que impactou a Unidade de Financiamentos (registro de financiamento de veículos), a melhor performance decorreu da Unidade de Títulos e Valores Mobiliários, sobretudo no segmento de custódia, diante das operações de busca por proteções, sublinhando derivativos, hedge cambial e swap. Em números, temos que a receita bruta da Cetip atingiu R$ 1,545 bilhão em 2016, um avanço de 12,4%. A Unidade de Títulos e Valores Mobiliários contribuiu com R$ 1,122 bilhão e crescimento de 18,7%, enquanto a Unidade de Financiamentos R$ 423,5 milhões, avanço de 2,5%. Já o Ebitda continuou robusto, ao perfazer R$ 899,2 milhões e avanço de 16,6%. A dívida líquida da Cetip foi de R$ 200,6 milhões, logo a relação dívida líquida/Ebtida atingiu apenas 0,2x.

CVC

Com receita líquida consolidada de R$ 1,064 bilhão (21% acima da receita de 2015), a CVC obteve lucro atribuído aos sócios da empresa controladora em 2016 semelhante ao de 2015 (2016: R$ 178 milhões e 2015: R$ 171 milhões), resultado de despesas operacionais e financeiras em alta.

Comgas

Com receita 14% abaixo da obtida em 2015, a Comgas acumulou lucro de R$ 901 milhões em 2016, resultado direto da redução de 37% do custo do gas. A variação da receita é explicada principalmente pela queda do volume vendido de gas, em especial no segmento industrial e pela redução das tarifas de vendas de gás. Já a variação do custo do gas é explicada pela redução do custo médio unitário do gás em razão da queda do dólar na comparação entre os anos de 2015 e 2016.

Santos Brasil

Pelo segundo ano consecutivo a Santos Brasil reporta prejuízo da ordem de R$ 19 milhões. Em 2016 houve queda da receita líquida consolidada e queda da margem bruta. O prejuízo do ano foi amenizado pelo menor resultado financeiro negativo.

Smiles

Apurou lucro líquido de R$ 161,6 milhões no 4T16 (+43,9% ante 4T15), totalizando R$ 548,3 milhões em 2016 (+35,4% ante 2015). O acúmulo de milhas no 4T16 cresceu 8,6% em relação ao 4T15, impulsionado pelo crescimento no acúmulo de milhas ex-Gol de 8,7%. O resgate de milhas do programa no 4T16 foi 16,9% maior quando comparado ao 4T15, atingindo 11,7 bilhões de milhas no período, nível recorde. Resultado em linha com nossas projeções.

Economia em Foco

IBC-BR recua mais de 4% no ano

O IBC-Br, uma espécie de previa do PIB nacional, recuou 0,26% em dezembro pelo critério dessazonalizado e avançou 0,56% pelo observado, em relação ao mês anterior. Contra o mesmo mês do ano anterior a queda foi de 2,41% e 1,82%, respectivamente. Já em 2016 o recuo chegou a 4,34% no observado e 4,55% no dessazonalizado. Cabe observar que o PIB previsto para 2016 indicava uma queda entre 3,5% e 3,6%, portanto, bem abaixo do registrado por este indicador do BACEN. Neste são mensurados os três principais setores da economia, pela ótica da oferta, a indústria, a agropecuária e os serviços, incluindo aqui o comércio. Por estes segmentos, em 2016 os serviços recuaram 5,0%, mesmo crescendo 0,6% em dezembro, o varejo recuou 6,2% e 2,1%, respectivamente e a indústria 6,6%, mesmo com reação em dezembro de 2,3%. Por outro lado, o setor agropecuário manteve alguma estabilidade no ano passado, “segurando” um pouco o desempenho do PIB. Em paralelo, saiu o monitor do PIB de 2016, apurado pela FGV. mostrando retração de 3,6%, em linha com o projetado pelo mercado. Segundo a instituição pesquisadora, “a economia brasileira vive a mais grave e duradoura recessão jamais experimentada em 100 anos”.

Dólar segue derretendo

Tudo indica que o dólar deve recuar além da barreira psicológica de R$ 3,00 por estes dias. Na quarta-feira foi a R$ 3,06, em recuo de 0,9%, totalizando no ano queda maior que 6,0%. Em 2016 a perda de valor do dólar frente ao real chegou a 20%. A contribuir para este movimento, a constatação de que o governo Temer segue avançando nas reformas e no ajuste fiscal, mesmo com alguns percalços políticos no meio do caminho, e que o “risco Trump” tende a perder força, tal a reação da sociedade organizada norte-americana aos seus desmandos. No que se refere às intervenções do BACEN, estas têm sido limitadas, diante do crescente influxo de recursos externo. Para este mês sinalizou uma rolagem parcial do lote de US$ 6,9 bilhões em contratos de swap a vencerem em março. Ou seja, a renovação ficou em torno de US$ 2,7 bilhões do total. Decorrente disso, o estoque de contratos de swaps deve cair ainda mais neste mês, passando de US$ 26,5 bilhões para US$ 22,3 bilhões. Há um ano estava em torno de US$ 128 bilhões. Soma-se a isso, já é considerável o número de IPOs para este ano, assim como de captações externas de empresas nacionais. Contra fluxo, não há argumentos.

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