Em uma semana de agenda cheia, tanto aqui como no exterior, o Ibovespa futuro inicia os negócios com ligeira queda, em menor intensidade do que as desvalorizações das bolsas europeias. A cautela prevalece principalmente pela agenda da semana, que trará muitos temas importantes: por aqui as votações da PEC do Teto no Senado e do pacote anticorrupção na Câmara, o PIB do 3T16 e a reunião do Copom; no exterior teremos a segunda leitura do PIB do 3T16 e o payroll nos EUA, além da reunião da Opep. Aliás, a indefinição sobre a decisão do cartel do petróleo sobre o corte na produção traz perdas para a commodity nesta manhã. Internamente há também as repercussões sobre a crise política que ameaça se instalar no governo de Michel Temer, que ontem tentou amenizar a situação em entrevista coletiva. Às 9h37, os contratos futuros de Ibovespa com vencimento em dezembro operavam com queda de 0,25%.

Perspectiva – 28 de novembro a 02 de dezembro

Segue sendo difícil estimar o comportamento dos mercados também na entrante semana. No âmbito externo teremos a reunião da OPEP em Viena e começa a se aproximar a reunião de dezembro do Fed (14/12) sobre política monetária, com boas possibilidades de elevação dos juros em 0,25%. Em nossa opinião somente se algo mais grave acontecer, a decisão será novamente adiada. Ainda assim, pouca diferença faz: se não for nessa reunião será na primeira de 2017.

O bom é que há indicações que o BCE prolongará mais o programa de flexibilização e isso em parte irá compensar a decisão do Fed. No meio do caminho haverá o referendo na Itália com reformas constitucionais e caso o “sim” seja derrotado deve significar a saída de Matheos Renzi da chefia do governo. Nesse ponto convém lembrar o acontecido recentemente na Espanha, onde Rajoy passou bom tempo sem conseguir formar governo.

Aqui a população começa a manifestar impaciência com o governo de Michel Temer e a morosidade de tramitação pelo Congresso das medidas. Além disso, cabe citar a sexta queda de ministro em seis meses de governo Temer e o enorme número de ruídos que estão sendo produzidos. PEC da reforma política, projeto anticorrupção (esse com grande poder de mobilizar a população) tentando ser derrubado na marra, ajuste fiscal que não anda. Estados quebrados com desassistência à população e reforma da Previdência, que também promete mais ruído ainda.

No meio do caminho empresas endividadas e sofrendo impacto do dólar mais caro. Empresários pedindo reforma trabalhista e governo tergiversando, projeções de 2017 desandando (até na visão do governo otimista de Temer e Meirelles).

Enquanto isso, o mercado americano bate recorde de pontos em todos os índices e aqui ainda estamos cerca de 17% abaixo da máxima alcançada (73.920 pontos em 29/05/2008). É claro que existem chances de evolução, mas o quadro parece perto de desandar. Mesmo assim, ainda trabalhamos com hipótese de alta dos mercados até o final do ano, mantendo nossa projeção de alcançar algo entre 63.500/65.000 pontos. Contudo, vamos precisar de cenário mais amigável no segmento interno e ajuda dos mercados no exterior.

Potencial dos Índices de Ações

Foco Gráfico

O Ibovespa-futuro abriu em ligeira queda, mas sem sinalizar uma precipitação mais importante enquanto se sustentar acima da base (60.850 pontos) do grande triângulo. Por outro lado, não indicará possibilidade de ingressar em nova manifestação altista enquanto permanecer sob a reta de resistência de baixa, que neste momento passa em 62.050 pontos (comentário feito às 09:12 h e baseado no gráfico intraday de 60’).

O dólar-futuro mostra mais fraco desempenho, mas sem indicar possibilidade de nova queda na direção do fundo formado em R$ 3,338 enquanto permanecer acima do suporte imediato de R$ 3,39 (comentário feito às 09:10 h e baseado no gráfico intraday de 60’).

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Economia em Foco

Confiança de Serviços: recuou 1,4 ponto em novembro, para 77,5 pontos, após sete altas consecutivas. O índice recuou em 8 das 13 atividades pesquisadas. O IE recuou 2,2 pontos, para 84,5 pontos, com destaque para a queda de 3,9 pontos no indicador demanda prevista. O ISA recuou 0,6 ponto, para 70,9 pontos, com a queda de 1,8 ponto do indicador de Situação Atual dos Negócios (71,0 pontos). O Nível de Utilização da Capacidade Instalada subiu 0,1 p.p. em novembro, para 82,6%.

Pesquisa Focus: As projeções para o PIB de 2016 passaram de -3,40% para -3,49%. Em 2017, a expectativa do PIB recuou de 1,00% para 0,98%. Sobre os dados de inflação, as expectativas do IPCA em 2016 caíram de 6,80% para 6,72% e ficaram em 4,93% no próximo ano. A perspectiva da Taxa Selic permaneceu em 13,75% ao fim de 2016 e em 10,75% ao fim de 2017. A expectativa para a Taxa de Câmbio ao fim de 2016 avançou de R$ 3,30 para R$ 3,35 e permaneceu em R$ 3,40 em 2017. Chama atenção a piora de expectativas do PIB e câmbio nesta apuração, reflexo do fator Trump e da piora do ambiente político doméstico.

Agenda

Corporativa

Econômica

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