O conturbado cenário político interno traz cada vez mais cautela aos investidores. A iminência da delação da Odebrecht, os debates entre Legislativo e Judiciário e a possibilidade das manifestações populares voltarem às ruas trazem um forte componente de incerteza sobre a capacidade de o Governo aprovar todas as reformas prometidas. Tudo isto combinado com um sentimento de maior aversão a riscos no exterior, com alta das taxas dos títulos do Tesouro dos EUA, ajudou para a forte queda de ontem do Ibovespa (-3,88%), aliada a um grande volume financeiro (R$ 9,9 bilhões). O sentimento de incerteza ainda permanece nesta manhã, com o Ibovespa futuro operando, às 9h41, com queda de 1,07%. O exterior ainda impõe cautela pelo aguardo do relatório oficial de empregos dos EUA, o payroll, que será divulgado às 11h30, além do referendo constitucional que será realizado na Itália no final de semana. As bolsas europeias operam com quedas próximas a 1%, enquanto os contratos futuros do Dow Jones e S&P 500 tinham ligeiras quedas ao redor de 0,2%.

Foco Gráfico

O Ibovespa-futuro abriu em baixa e tem 58.850 pontos de objetivo imediato, mas é possível que não perca este suporte sem prévio congestionamento para reduzir seu afastamento em relação às Médias Móveis. (comentário feito às 09:08 h e baseado no gráfico intraday de 60’).

O dólar-futuro penetrou na resistência representada pelo topo formado em R$ 3,509 e se conseguir vencê-la poderá estender os avanços até R$ 3,52/3,535 (comentário feito às 09:08 h e baseado no gráfico intraday de 30’).

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Economia em Foco

Semana pesada na política. Foi mais uma semana pesada para os mercados. Num movimento desesperado, diante da proximidade da delação premiada da Odebrecht, alguns congressistas trataram de colocar a Lava Jato sob pressão. Dois eventos foram marcantes: (1) a descaracterização total do projeto das “Dez Medidas contra a Corrupção”; e (2) a discussão da lei de abuso de autoridade, colocada em pauta do Senado num momento totalmente inapropriado. E Sergio Moro denunciou isso. Para ele, foi objetivo do presidente do Senado, Renan Calheiros, “criminalizar as investigações sobre o maior caso de corrupção da história”. Este mesmo Calheiros que acabou colocado como réu pelo STF. Assim sendo, como pensar em retomada da economia? O PIB veio mais fraco no terceiro trimestre, sendo maiores os tombos no consumo e nos investimentos, itens que cresceram no trimestre anterior. Neste ano, na análise do PIB, deveremos despencar mais de 3,5% e em 2017 é possível um crescimento menor, não devendo passar de 0,6% a 0,8%. Em suma, a recessão continua a desnortear o País e o clima político açodado, em muito, contribui para isso.

PIM-PF: a produção industrial brasileira registrou queda de 1,1% em outubro frente a setembro, quando havia assinalado alta de 0,5%, na série livre de influências sazonais. Também seguiu em queda de 7,3% contra o mesmo mês do ano passado, sendo a trigésima segunda taxa negativa consecutiva nesse tipo de comparação. No ano, a queda foi de 7,7% e em doze meses de 8,12%, mas reduzindo o ritmo de queda frente ao registrado em junho (-9,7%), julho (-9,5%), agosto (-9,3%) e setembro (-8,8%). De setembro para outubro, 20 dos 24 ramos industriais recuaram. Segundo o IBGE, os destaques vieram de produtos alimentícios (-3,1%) e veículos automotores, reboques e carrocerias (-4,5%), com o primeiro eliminando parte do avanço de 6,3% verificado em setembro e o segundo voltando a recuar após crescer 4,7% no mês anterior, quando interrompeu dois meses consecutivos de queda na produção, que acumularam perda de 11,8%. Entre as grandes categorias econômicas, na comparação de setembro para outubro, bens de capital (-2,2%) e bens intermediários (-1,9%) mostraram as reduções mais acentuada, seguido pelos segmentos de bens de consumo duráveis (-1,2%) e de bens de consumo semi e não-duráveis (-0,8%). O setor ainda não se recuperou plenamente dos reveses que a economia vem sofrendo, refletindo uma demanda mais retraída pelo alto endividamento, investimentos em queda e exportações ainda fracas;

IPC-Fipe: variou 0,15% em novembro, ante 0,27% em outubro. Dos sete grupos pesquisados, quatro apresentaram desaceleração de preços, com destaque para Alimentação (de -0,27% para -0,92%) e Transportes (de 0,71% para 0,42%). A inflação no varejo em São Paulo vem se mantendo em patamar baixo, motivada, principalmente, pela sucessiva deflação dos itens alimentícios desde o final de setembro, além da diminuição no preço dos combustíveis.

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