O Ibovespa futuro aponta uma abertura baixista na manhã desta sexta-feira, com os investidores ainda tentando analisar os impactos na política norte-americana, diante da vitória de Donald Trump. A agenda corporativa, carregada de resultados trimestrais, também está no foco dos agentes. O balanço da Petrobras é outro fator que pode pressionar o desempenho do Ibovespa no dia. Com isso, o índice futuro operava às 9h31, com queda de 2,05%. No exterior, as principais praças acionárias operam com perdas, assim como os contratos futuros de petróleo que ainda são influenciados pelas preocupações com o excesso de oferta da commodity.

Foco Gráfico

O Ibovespa-futuro manteve a trajetória baixista e poderá atingir níveis entre 60.450 e 60.050 pontos, mas possivelmente depois de algum congestionamento para corrigir o exagerado afastamento em relação às médias móveis (comentário feito às 09h12 e baseado no gráfico intraday de 60’).

O dólar-futuro trabalha com elevados níveis no Indicador de Força Relativa e isto poderá motivar nova indefinição, embora sem anular a expectativa de extensão dos avanços até a projeção situada em R$ 3,528 (comentário feito às 09h12 e baseado no gráfico intraday de 60’).

Assista ao vídeo da Análise Gráfica

Temporada de Balanços 3T16

B2W DIGITAL
No 3T16 a companhia aumentou seu prejuízo em 16,3%, para R$ 144,9 milhões (vs R$ 124,5 milhões no 3T15). A receita líquida atingiu R$ 1,866 bilhão, queda de 1,3% quando comparada ao mesmo período do ano anterior.

BRADESPAR
A reversão da equivalência patrimonial apurada na Vale, de negativa no valor de R$ 249 milhões para positiva no valor de R$ 110 milhões no terceiro trimestre deste ano, proporcionou reversão do prejuízo de R$ 280 milhões no 3T15 para lucro de R$ 60 milhões no 3T16.

CETIP
Fechou o 3T16 com lucro líquido de R$ 146,6 milhões, crescimento de 12,6% contra o 3T15. A receita líquida registrou R$ 322,7 milhões, com evolução de 10,5%. Nas duas modalidades da Cetip, a maior contribuição para o crescimento decorreu do negócio de títulos e valores mobiliários, que faturou R$ 279,3 milhões, com crescimento de 12%. Na vertente de custódia, o segmento que mais cresceu foi a de outros instrumentos de renda fixa (como cotas de fundos), com alta de 122,5%, para R$ 25,7 milhões. Já no segmento de registro, os derivativos e operações estruturadas recuaram 44,9%, para R$ 8,3 milhões, diante do ambiente menos volátil, principalmente para o câmbio, no 3T16, logo reduzindo a necessidade de proteção. Na segunda unidade, a de registro de financiamentos de veículos, o faturamento foi de R$ 105,6 milhões, com residual evolução de 2,7%. O Ebitda (ajustado) perfez R$ 230,3 milhões, com evolução de 12,8%. Esse número exclui despesas com incentivo em ações.

COPEL
Fechou o terceiro trimestre com fraco resultado: prejuízo líquido de R$ 87,1 milhões, frente a lucro de R$ 87,6 milhões no mesmo período de 2015. A nível operacional, o desempenho foi favorável, com um crescimento expressivo de 189,7% no resultado da atividade, mas a despesa financeira líquida passou de R$ 7,2 milhões no 3T15 para R$ 212,5 milhões no 3T16.

CPFL ENERGIA
Apresentou fraco resultado no 3T16, tendo o lucro líquido chegado a R$ 231,6 milhões, cerca de 13,5% inferior ao lucro de R$ 267,6 milhões obtidos no 3T15. A receita líquida caiu 4,6%, causada principalmente pela retirada de alguns encargos pertinentes à crise hídrica, e os custos caíram aproximadamente na mesma proporção, preservando as margens operacionais. O resultado financeiro líquido continuou negativo e cresceu cerca de 7,2% sobre o 3T15.

CYRELA REALTY
As vendas líquidas do trimestre ficaram estáveis em relação aos dois trimestres antecessores, merecendo destaque a venda de estoque pronto, que atingiu o maior volume do ano com R$ 176 milhões. Ainda assim, a receita líquida caiu 27,5% no 3T6 vs 3T15, alcançando apenas R$ 825 milhões, e o lucro caiu 89% para R$ 14 milhões.

LIGHT
O prejuízo apresentado no 3T16 (-R$ 62 milhões vs +R$ 37,6 milhões no 3T15) se deveu ao fraco resultado operacional obtido (queda de 31,5% no resultado da atividade), parcialmente compensado pela redução de 17,8% no resultado financeiro líquido negativo. A melhoria financeira, a despeito do fraco resultado operacional, se deveu ao comportamento mais favorável do câmbio no período.

LOJAS AMERICANAS
A companhia registrou prejuízo de R$ 70,6 milhões no 3T16, revertendo o lucro de R$ 6,5 milhões obtido no 3T15. O resultado foi impactado pela piora do resultado financeiro, com aumento de 28,5% na despesa financeira em relação ao 3T15, atingindo R$ 310,4 milhões, e pela fraca performance da subsidiária B2W, o que explica a contabilização de resultado de equivalência patrimonial negativo em R$ 105,2 milhões apurado no 3T16 (vs -58,7 milhões no 3T15). No 3T16, a receita líquida da controladora foi de R$ 2,3 bilhões, crescimento de 4,1% em relação ao 3T15.

MARFRIG
Considerando só as operações continuadas e excluindo o efeito da venda da subsidiária Moy Park à JBS no 3T15, a Marfrig registrou prejuízo de R$ 170 milhões no 3T16, ante prejuízo de R$ 743 milhões no 3T15 . A receita líquida consolidada foi de R$ 4,5 bilhões, queda de 13% na mesma base de comparação, em função do efeito da apreciação de 8,5% do Real frente ao dólar sobre as receitas das operações internacionais e das exportações brasileiras, além do menor volume de vendas da operação brasileira e do reduzido patamar de preço das commodities. O resultado financeiro líquido foi reduzido significativamente, passando de uma despesa de R$ 1,251 bilhão no 3T15 para uma despesa de R$ 476 milhões no 3T16.

PETROBRAS
O que muitos esperavam que fosse ocorrer no 2T16 foi revelado no 3T16: novo impairment de ativos e de investimentos em coligadas, agora no montante de R$ 15,7 bilhões. A motivação, segundo a Petrobras, foi a apreciação do Real, o aumento da taxa de desconto, a revisão das premissas, tais como preço do Brent e câmbio de longo prazo, usados nos modelos de avaliação dos ativos verificados, e a carteira de investimentos contemplados no Plano de Negócios e Gestão 2017-2021. Pouco mais de 80% da perda do valor recuperável dos ativos teve origem em diversos campos de produção de óleo e gás no Brasil (36%), equipamentos vinculados à atividade de produção de óleo e gás e perfuração de poços (17%), 2º trem da Refinaria Abreu e Lima (16%) e Complexo Petroquímico de Suape (13%). A receita líquida consolidada do trimestre somou R$ 70 bilhões, recuo de 14,3% ante os R$ 82 bilhões do 3T15. O resultado líquido atribuído aos sócios da controladora no 3T16 foi um prejuízo de R$ 16,5 bilhões vs prejuízo de R$ 3,8 bilhões do 3T15 apurado sob o mesmo critério.

RANDON
A receita líquida consolidada atingiu R$ 570,2 milhões no 3T16, com retração de 33,1% ante o 3T15 (R$ 853,0 milhões). O Ebitda registrou queda de 53,1%, atingindo R$ 19,9 milhões, contra R$ 42,5 milhões. As vendas para o mercado externo perfizeram US$ 37,8 milhões, com redução de 13,7%. O prejuízo líquido da companhia foi de R$ 16,0 milhões, contra prejuízo líquido de R$ 4,5 milhões, no 3T15.

SABESP
A empresa fechou o trimestre com lucro líquido de R$ 573,9 milhões, contra prejuízo de R$ 580,1 milhões no 3T15. Este bom resultado se deveu à combinação de forte resultado operacional (+54,6% no resultado da atividade) e diminuição de 88,5% no resultado financeiro líquido negativo. A Sabesp foi favorecida pelo arrefecimento da crise hídrica, que possibilitou crescimento nos volumes de água e esgoto, permitiu o fim dos incentivos à redução de consumo (descontos nas tarifas) e, no aspecto financeiro, pela valorização do Real sobre o dólar no trimestre, uma vez que a empresa é endividada em dólar.

Economia em Foco

VITÓRIA DE DONALD TRUMP? E AGORA?
Muitos devem amanhecer assustados nesta manhã de quarta-feira. E agora? O que deve acontecer depois da vitória de Donald Trump? Não sabemos. Com certeza, amanheceremos com a maior potência do mundo mais preconceituosa, mais fechada, tanto comercialmente como no fluxo de pessoas, e mais belicosa. E este temor não é porque ele é Republicano. Poderia ter sido um candidato conservador respeitável, mas acabou sendo um personagem, que se comporta de forma errática, histriônica e irresponsável, num discurso fácil que mais agrada à classe média baixa norte-americana, aos brancos, protestantes, das áreas rurais, sulistas e cheios de preconceito. E as chamadas minorias? Contra esses, Trump promete fechar as fronteiras. E promete também taxar mais os importados e ingressar numa “guerra comercial” com a China. Deve fortalecer o Pentágono e reduzir os impostos para os ricos, visando atrair investimentos. Isso, aliás, faz parte do receituário republicano. Mas lembrem-se. Clinton terminou seu mandato nos anos 90 com popularidade em alta e a economia crescendo. Acabou, no entanto, não conseguindo eleger o seu sucessor. Al Gore, também numa eleição apertada e contestada, perdeu para George Bush. Em seguida, tivemos o trágico atentando às torres gêmeas e uma sucessão de conflitos bélicos. Foi uma época também em que o Fed deu crédito excessivo aos americanos e resultou na crise de 2008, a pior desde 1929. Esperamos todos que esta sequência de fatos não se repita agora, mas muitos já começam a sentir saudade do “velho cowboy do Texas”. Obama termina seu mandato com popularidade em alta e a economia nos eixos. Ou seja, o mesmo quadro e a história se repete como farsa. Tampem os narizes.

IPCA: Em outubro, o índice que veio dentro das expectativas, registrou alta de 0,26%, ante 0,08% no mês anterior. O acumulado no ano está em 5,78%, mas em doze meses desacelerou de 8,48% até setembro para 7,87% até outubro. Dos nove grupos pesquisados sete apresentaram aceleração, destaque para o grupo Transportes (de -0,10% para 0,75%), motivado pelo aumento de 6,09% no preço do litro do etanol e 1,22% no preço da gasolina, seguido pela alta de 10,06% nas passagens aéreas. Cabe salientar o comportamento dos Serviços (de 0,33% para 0,47%) e dos Monitorados (de 0,37% para 0,54%), que tiveram impacto significativo no índice. Apesar da pressão dos combustíveis no IPCA de outubro, vindo dentro das expectativas, acreditamos que o índice feche o ano pouco abaixo dos 7%. A Petrobras anunciou que irá reduzir o preço dos combustíveis nas refinarias, devendo mitigar a pressão no índice nesse último bimestre.

Agenda

Corporativa

Econômica

Disclaimer:
Este Relatório de Análise foi preparado pela Lopes Filho & Associados, Consultores de Investimentos Ltda. para uso exclusivo do destinatário, não podendo ser reproduzido ou distribuído por este para qualquer pessoa sem expressa autorização da Lopes Filho. Este Relatório de Análise é distribuído somente com o objetivo de prover informações e não representa, em nenhuma hipótese, uma oferta de compra e venda ou solicitação de compra e venda de qualquer valor mobiliário ou instrumento financeiro. As informações contidas neste Relatório de Análise são consideradas confiáveis na data de sua publicação. Entretanto, a Lopes Filho não pode garantir a exatidão e a qualidade das mesmas. As opiniões contidas neste Relatório de Análise são baseadas em julgamentos e estimativas, estando, portanto, sujeitas a mudanças.

Sem prejuízo do disposto acima e em conformidade com as disposições da Instrução CVM nº 483/10, o(s) analista(s) de valores mobiliários responsável(eis) pela elaboração deste Relatório de Análise declara(m) que:

(I) é (são) certificado(s) e credenciado(s) pela APIMEC.
(II) as análises e recomendações refletem única e exclusivamente suas opiniões pessoais, às quais foram realizadas de forma independente e autônoma, inclusive em relação à Lopes Filho.
(III) sua(s) remuneração(ões) é (são) fixa(s).

Informações adicionais sobre quaisquer emissores objeto dos Relatórios de Análise podem ser obtidas diretamente, por telefone, com o(s) analista(s) responsável(eis). Os Relatórios de Análise podem ser consultados no website http://www.lopesfilho.com.br, cujo acesso é restrito aos assinantes e usuários do serviço de Assessoria em Mercado de Capitais da Lopes Filho. Informações sobre emissores que não são objeto dos Relatórios de Análise podem ser obtidas através de solicitação ao Departamento Comercial.

As informações, opiniões, estimativas e projeções contidas neste documento referem-se à data presente e estão sujeitas à mudanças, não implicando necessariamente na obrigação de qualquer comunicação no sentido de atualização ou revisão com respeito a tal mudança.