Iniciamos agosto e as expectativas se elevam, pois este é o mês em que devem se definir os processos de impeachment de Dilma Rousseff e cassação de Eduardo Cunha. A volta dos trabalhos no Congresso também será pautada pela necessidade de aprovações de importantes pautas para o Governo, a começar pela LDO do próximo ano. O Ibovespa já acumula, em 2016, valorização de 32,2% e muito disto se deve às expectativas de confirmação da mudança de governo, assim como das aprovações das reformas desejadas pela equipe de Michel Temer. No exterior os investidores avaliam os PMIs divulgados nesta manhã, que no geral mostraram arrefecimento na atividade industrial no Reino Unido e zona do Euro, enquanto na China houve divergência entre os dados oficiais (que caiu de 50 para 49,9 em julho, entrando em área de contração) e o medido pela Caixin Media (elevação de 48,6 para 50,6). Assim as bolsas europeias operavam em baixa nesta manhã, com exceção para a Alemanha, que operava em ligeira alta, mesmo sentido dos futuros do Dow Jones e S&P 500. Por aqui o Ibovespa futuro recuava 0,03%, às 9h36. Destaque também para a divulgação da primeira prévia da carteira teórica do Ibovespa, que será válida de setembro a dezembro, que indica a saída das ações PNB da Cesp, sem qualquer inclusão.

Perspectiva – 01 a 04 de Agosto

Partindo do pressuposto de que em nossa avaliação o mercado tenha encontrado um ponto de sustentação ao redor do nível atual e considerando ainda que a tendência do mundo é mais para positivo e de equacionamento dos problemas mais graves nas economias, mantemos nossa opinião que os mercados reagirão positivamente.

Nossos clientes devem lembrar que falamos sempre em mercados ainda voláteis, mas trilhando linha de tendência de alta de mais longo prazo. É claro que o fato da Bovespa já ter evoluído em 2016 mais de 30% pode assustar muitos. Mais ainda quando sabemos que Petrobras mostra valorização de 75% ou Vale de 44%. Isso choca quando sabemos que os resultados dessas e tantas outras empresas negociadas demorarão a aparecer.

Apesar disso, notem que estamos falando de passado e abstraindo o tanto que o mercado e essas ações perderam ao longo dos últimos anos. Não podemos esquecer que o Ibovespa está na casa de 57.000 pontos e já esteve em 73.000. Assim, em nossa opinião haveria espaço para a Bovespa buscar patamar maior que 60.000 pontos, desde que não haja nenhuma mudança brusca na economia global e que internamente a situação siga evoluindo de forma positiva no governo de Michel Temer.

O próprio Fed nessa semana se posicionou mais otimista com a economia americana e enxerga menos riscos para a economia global. Outros países importantes como Japão e Reino Unido devem se posicionar por maiores distensões e estímulos para suas economias. Isso, inevitavelmente, implica em nova precificação dos ativos. Já nos EUA que estariam na ponta inversa, aparentemente aumentos dos juros vão demorar e podem até não ocorrer nesse ano.

Já por aqui, temos que contar com desinflação mais forte provavelmente a partir de outubro, com reutilização da capacidade ociosa e com o governo adotando as medidas corretas de mudança de rumo. Além disso, precisa ampliar a credibilidade e atrair capitais para investimentos, notadamente em infraestrutura, para preparar o futuro.

Isso posto, parece lícito supor que o mercado de capitais pode mostrar sinais mais claros de melhora, retroalimentando novos investimentos e capitalizações. É como dizia Napoleão Bonaparte: “A história não fala dos covardes”. Portanto, nos parece que é hora de arriscar um pouco mais.

Potencial dos Índices de Ações

Foco Gráfico

O Ibovespa-futuro precisará ultrapassar a resistência imediata de 57.850 pontos, para sinalizar a possibilidade de nova arrancada até 58.400 pontos. O suporte mais provável para uma realização está representado pelas Médias Móveis, na faixa de 57.390/57.310 pontos.

O dólar- futuro (setembro) mostra a possibilidade de um congestionamento, depois de atingir as proximidades do suporte representado pelo fundo formado em R$ 3,25, mas em caso de uma tentativa de recuperação para corrigir o exagero baixista poderá repicar até R$ 3,29/3,303 (comentários feitos às 09:10 h e baseados nos gráficos intraday de 60’).

Economia em Foco

Pesquisa Focus
As expectativas do mercado continuam, relativamente, progredindo, sendo mantida a previsão de inflação (IPCA) em 7,21% neste ano, mas diminuindo para 5,20% em 2017. A queda do PIB neste ano recuou para 3,24%, por conta da melhora da confiança dos agentes, e mantido o crescimento de 1,10% no próximo ano. O câmbio recuou para R$ 3,30 ao final deste ano e no próximo ano ficou em R$ 3,50. Neste ano, a nossa previsão para o IPCA está em 7,0%, com PIB de -3,4% e o câmbio, por enquanto, em R$ 3,40.

IPC-S: registrou alta de 0,37% na apuração da 4ª quadrissemana de julho, 0,01 p.p. acima da anterior. O indicador acumula alta de 4,89% no ano e 8,37% em 12 meses. Quatro das oito classes apresentaram variação positiva, com destaque para Transportes (-0,07% para 0,25%), com a gasolina passando de -0,88% para 0,22%. Outros acréscimos: Saúde e Cuidados Pessoais (0,68% para 0,85%), Vestuário (-0,15% para 0,18%) e Comunicação (0,15% para 0,17%). As desacelerações ocorreram em: Alimentação (0,71% para 0,39%), Educação, Leitura e Recreação (0,72% para 0,71%) e Despesas Diversas (0,64% para 0,49%). O grupo Habitação ficou estável.

EUA – PIB: crescimento à taxa anualizada de 1,2% na primeira estimativa do 2T16. A expectativa apontava para crescimento de 2,6%.

EUA- Custo da mão-de-obra: avançou 0,6% no 2T16, seguindo a expectativa do mercado e o aferido no 1T16.

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