A semana deve começar com maior cautela nos mercados acionários, tanto por aqui quanto no exterior. Por lá os investidores observam as medidas anunciadas por Donald Trump contra imigrantes de alguns países muçulmanos e refugiados. Por aqui, com a proximidade do final de janeiro, os investidores começam a se preparar para as batalhas que vêm pela frente, com o fim do recesso do Judiciário e Legislativo, que retornam aos trabalhos na quarta-feira. Assim, com alta acumulada de quase 10% em janeiro, o Ibovespa pode acompanhar o cenário externo mais adverso e sofrer com alguma realização de lucros nesta segunda-feira.

As bolsas europeias operam em baixa de quase 1%, enquanto os futuros do Dow Jones e S&P 500 caem em menor intensidade. Já o Ibovespa futuro, às 9h42, registrava queda de 0,86%.

Perspectiva – 30 de janeiro a 03 de fevereiro

A semana ultrapassada incorporou novos recordes ao mercado americano, com o Dow Jones superando a marca histórica de 20.000 pontos. Outros mercados também estão em níveis elevados e a Bovespa ainda transita cerca de 11% abaixo do maior patamar histórico, próximo de 74.000 pontos.

Nesse momento, investidores, dirigentes de países e parlamentares ainda lidam com aquela trégua de 100 dias ofertada aos governantes em início de mandato. Trump desfruta disso e seu discurso para a área econômica soa como música para diferentes segmentos, exceto aqueles ligados à preservação ambiental. Trump autorizou a construção de oleodutos que tinha sido suspensa por Obama, por exemplo.

Crescimento acelerado, abertura de grande número de postos de trabalho, ampliação da produtividade, investimentos internos e redução de impostos para empresas e classe média indicam que o Fed terá muito trabalho no futuro imediato. Isso nos leva a lembrar que teremos muita volatilidade, não só proveniente das falas algo desconexas de Trump, mas também por atuação eventualmente mais agressiva do Fed.

Porém, somos forçados a concordar que nesse momento o fluxo para os mercados acionários tem crescido, o que respalda a elevação de preços. Por aqui não é diferente. Existindo fluxo para absorver realizações de lucros recentes, os mercados seguirão subindo, muito embora exista a possibilidade de momentos de oferta de títulos não tão bem absorvida.

Já tínhamos diagnosticado que passado o patamar em 65.400 pontos, o mercado local abriria objetivo para buscar o patamar de 68.000 pontos. Mantemos essa posição e acreditamos ser possível atingir em um período curto de tempo, não sem maiores realizações. Também vamos precisar que os mercados no exterior indiquem direção semelhante e que não haja muito curto-circuito decorrente da Lava-Jato e outras operações ligadas à corrupção. Bons negócios!

Potencial dos Índices de Ações

Foco Gráfico

O Ibovespa-futuro abriu em queda e testou o suporte imediato de 66.035 pontos e se perdê-lo aumentará as chances de extensão da queda até a reta de sustentação, em mais ou menos 65.350 pontos. Caso consiga se sustentar acima deste apoio, terá que ultrapassar a resistência situada em 66.630 pontos para indicar chance de reversão da trajetória baixista (comentário feito às 09:10 h e baseado no gráfico intraday de 60’).

O dólar-futuro experimenta alguma recuperação, mas sem confirmar um repique mais forte enquanto não ultrapassar a resistência imediata de R$ 3,16/3,165 (comentário feito às 09:10 h e baseado no gráfico intraday de 60’).

Assista ao vídeo da Análise Gráfica

Gestão nas Cias Abertas

JBS

Revelou hoje os nomes dos indicados a membros independentes do Conselho de Administração da sua subsidiária JBS Foods International. São eles: John Boehner, Greg Heckman, Charles Macaluso, Steven Mills, Dimitri Panayotopoulos, todos com vasta experiência na agroindústria e no setor de consumo. Os indicados deverão iniciar suas atividades na JBS International após a listagem da companhia na Bolsa de Valores de Nova Iorque.

Economia em Foco

Semana intensa

Iniciamos esta semana mobilizados pelo retorno dos trabalhos no Congresso e as expectativas em saber como deve ser o trâmite das delações premiadas da Odebrecht. Nos Estados Unidos, Donald Trump segue gerando polêmicas, com decisões totalmente absurdas pela importância do país no cenário global. Na semana passada, dentre as principais, anunciou a saída dos EUA de dois dos acordos de comércio, Transpacífico e Nafta; confirmou a construção de um muro no México e congelou por três meses a concessão de vistos para sete países, segundo ele, ligados ao terrorismo (Líbia, Irã, Iraque, Síria, Somália, Iêmen e Sudão). Depois voltou atrás, aceitando a entrada nos EUA de cidadãos com Green Card, mas aí a confusão já estava armada. Na agenda da semana, atenção nos EUA para a reunião do Fomc na quarta-feira, quando saberemos como deve ser a estratégia do Fed daqui para frente e os dados de mercado de trabalho, ADP (empregos do setor privado) na quarta-feira e payroll e taxa de desemprego na sexta. Por aqui, atenção para os dados fiscais, as sondagens da indústria e dos serviços da FGV, ambas de janeiro, e a PNAD Contínua de dezembro na terça-feira. A produção industrial de dezembro é destaque na quarta.

Pesquisa Focus

Continuamos monitorando as projeções de mercado, recolhidas pela Focus. Na pesquisa do dia 27/1 não tivemos mudanças relevantes. Apenas o IPCA passou de 4,71% para 4,70% neste ano, mantido em 4,5% em 2018. Ainda neste ano a taxa Selic foi mantida em 9,5%, o câmbio em R$ 3,40 e o PIB crescendo 0,5%. Para o ano que vem a Selic passou de 9,38% para 9,00%, a taxa de câmbio mantida em R$ 3,50 e o PIB crescendo 2,2%.

IGP-M de janeiro

O IGP-M de janeiro registrou variação de 0,64%, contra 0,54% em dezembro. Em 12 meses registrou 6,65%. Os três componentes do índice apresentaram as seguintes trajetórias: IPA, de 0,69% para 0,70%, IPC, de 0,20% para 0,64%, e INCC, de 0,36% para 0,29%. No atacado, os maiores focos de pressão vieram de alimentos processados, reajustes de combustíveis e lubrificantes e commodities minerais, ainda elevadas. No varejo, maior impacto ocorreu no grupo Habitação, depois do reajuste das tarifas de energia elétrica. Tivemos também altas nos grupos Alimentação, Educação e Transportes. Para fevereiro, tendência é do índice da FGV em torno de 0,4% a 0,5%.

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