O Ibovespa futuro segue o desempenho positivo das bolsas europeias e futuros do Dow Jones e S&P 500, favorecendo para uma abertura em alta do mercado à vista da Bovespa. Este movimento no exterior ignora a derrota do referendo na Itália para a reforma constitucional, com a renúncia do primeiro-ministro Matteo Renzi. Por aqui seguem as preocupações com a cena política, com as movimentações após os protestos do final de semana, além do aguardo do envio da proposta de reforma da Previdência e um pacote de medidas microeconômicas. O Ibovespa futuro operava, às 9h38, com alta de 0,58%.

Perspectiva – 05 a 09 de dezembro

A semana passada fechou bastante desequilibrada, tanto no ambiente local quanto no externo. Aliás, já vínhamos alertando para o fato de que a volatilidade continuaria nos mercados, mas não chegávamos a projetar tanto.

No segmento local os desequilíbrios maiores ficam por conta da deterioração no ambiente político e esse encilhando e retardando medidas do Executivo, já mais fragilizado, e com certa impaciência da Sociedade. Vamos precisar medir o clamor das ruas durante o final de semana e o que predominará como questionamento. Certamente as manifestações vão dar carona para o “fora Temer”, muito embora esse não seja o foco principal. Porém, crescem as reclamações sobre a baixa velocidade imprimida pelo governo.

No ambiente externo se avizinha a próxima reunião do FOMC do Fed em 14/12, onde a taxa de juros básica deve ser elevada. Aparentemente isso já está meio incorporado no preço dos ativos. O que ainda não estava e ajustou um pouco foi o governo Trump e o novo secretário do Tesouro, cujo efeito de suas declarações está expresso na grande arrancada dos juros. Os notes de 10 anos já atingiram 2,50%, saindo da casa de 2,30%.

Com mercados desequilibrados, os CDS (credit default swap) de cinco anos do Brasil atingiram o maior patamar pós-Trump em 312. Destaque também para a abertura de taxa nos DIs indicando os desequilíbrios. Falamos em desequilíbrio, mas o mais certo é a volta da aversão ao risco. Vai ser preciso avaliar os desdobramentos da crise política e como Temer que passou a ser (junto com Padilha) o articulador irá se posicionar.

Não temos expectativas com boa margem de segurança para o próximo período, principalmente após a Bovespa voltar a perder a faixa de 60.000 pontos. Os mercados vão precisar achar novo ponto de equilíbrio.

Potencial dos Índices de Ações

Foco Gráfico

O Ibovespa-futuro abriu em alta, mas precisando ultrapassar a resistência teórica representada pelo objetivo (Fibonacci) situada em 61.100 pontos para tentar atingir a reta de baixa que passa agora em 62.000 pontos (comentário feito às 09:12 h e baseado no gráfico intraday de 60’).

O dólar-futuro está caindo no interior de um congestionamento em forma de diamante e poderá intensificar a queda em caso de rompimento da base (R$ 3,488) da figura (comentário feito às 09:12 h e baseado no gráfico intraday de 30’).

Assista ao vídeo da Análise Gráfica

Economia em Foco

Eco das ruas. Foram arrebatadoras as manifestações por este Brasil a fora. Manifestações estas que foram sendo mobilizadas pelo “boca a boca”, pela rede social, sem aparato partidário. É a sociedade se mobilizando e colocando o povo nas ruas. De novo, a pauta foi a corrupção, a mobilização contra os movimentos ardilosos de grande parte do Congresso, visando esvaziar as investigações da Lava-Jato e as delações da Odebrecht. Agora é observar como a classe política irá se posicionar, depois do vendaval cívico deste domingo. Muitos acham que as pautas do projeto de combate à corrupção e da lei contra abuso de autoridade, devem ser adiadas para o ano que vem. Teme-se, no entanto, depois de tudo que aconteceu por estes dias, que o governo Temer acabe abalado, correndo o risco de nem terminar seu mandato em 2018.

Pesquisa Focus. Se deterioraram ainda mais as expectativas dos agentes econômicos em função do acirramento do impasse político em curso. Isso se refletiu um pouco nas apurações da Focus. Na pesquisa do dia 2/12, o PIB até melhorou um pouco neste ano, passando de -3,49% para -3,43%, mas no ano que vem, recuou o crescimento de 0,98% para 0,80%. Isto demonstra que o governo Temer não está conseguindo entregar a promessa de retomada mais rápida da economia. A inflação também recuou um pouco neste ano, dada a demanda em baixa, com o IPCA passando de 6,72% para 6,69% e no ano que vem, foi mantida em 4,93%; a taxa de câmbio veio mantida em R$ 3,35 para este ano, mas elevada a R$ 3,45 em 2017; e a taxa Selic do ano que vem passou de 10,75% para 10,50%, mesmo na contramão de algumas casas que vislumbram um 2017 mais complicado. Pelo Top 5, casas que mais acertam nas suas projeções, neste ano o IPCA recuou de 6,68% para 6,60% e a taxa de câmbio, de R$ 3,30 para R$ 3,35. Para o ano que vem, respectivamente, passaram de 4,80% para 4,76% e de R$ 3,45 para R$ 3,50.

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