Perspectiva – 18 a 22 de julho

A semana começa com o vencimento de opções para o prazo julho e será importante ver o nível de rolagem de posições. Descasado do vencimento de índice não deve provocar grande volatilidade nas principais ações, mas sempre há ampliação dos movimentos.

Seguimos afirmando que o quadro será ainda de volatilidade, mas com tendência de mais longo prazo de alta. Nesse aspecto nos baseamos na análise gráfica, para indicar que se for ultrapassado com força o patamar ao redor de 55.500 pontos, teríamos situação bem mais positiva, já que estaríamos nos aproximando do rompimento da linha de tendência de baixa (57.800 pontos) que vem desde o ano de 2008.

Do ponto de vista fundamentalista, a situação externa parece mais tranquila, com os agentes já assimilando os efeitos do Brexit e acreditando que alguns países, como Japão e Reino Unido, irão adotar posturas de maior distensão monetária, para que o ritmo de recuperação não seja desacelerado ainda mais. O mesmo ocorre com os EUA, onde parece ficar cada vez mais distante o dia em que aumentarão os juros, apesar de ser possível uma elevação ainda em 2016. Vão esperar até o último instante para decidir, depois de larga avaliação dos efeitos do Brexit.

Por aqui, o quadro parece ainda mais complexo, mas a situação pode melhorar mais. Não estamos falando de dados de conjuntura que ainda seguirão sofríveis, mas tão somente de ambiente político mais amistoso e encaminhando o processo de impeachment da presidente afastada. O Congresso Nacional depois do recesso deve ter extensa pauta para votação e as chances de aprovação de medidas do governo Temer voltam a crescer. Medidas mais duras só mesmo depois do impeachment e de preferência sem aumento da carga tributária. O risco maior fica por conta da Lava Jato e seus ruídos, que podem atingir membros do novo governo, mas o foco parece mais voltado para o governo anterior e pessoas ligadas ao Lula.

É nossa percepção que os recursos não estão saindo da Bovespa, mas podemos ter trocas de opções realizando lucros, por outras que evoluíram pouco. Ao contrário, nossa expectativa é de maior fluxo de recursos decorrente da enorme liquidez internacional e que a melhora da credibilidade acabará por carrear para o Brasil, em processos de fusões e aquisições, aproveitando repatriamento ou ainda com operações estruturadas em bolsa.

Enquanto no exterior as bolsas mostram desempenhos divergentes, o Ibovespa futuro indica a possibilidade de continuidade do movimento altista na Bovespa, mesmo após oito pregões positivos em sequência. As bolsas europeias operam sem sinal comum, enquanto os futuros do Dow Jones e S&P 500 sobem na margem. O Ibovespa futuro, às 9h37, tinha alta de 0,57%. A agenda interna não traz novidades, principalmente no campo político, devido ao recesso parlamentar.

Potencial dos Índices de Ações

Foco Gráfico

O Ibovespa-futuro abriu em alta e avançando no interior do congestionamento lateral, mas uma efetiva sinalização de ingresso em mais importante manifestação positiva dependerá do rompimento da resistência (56.270 pontos) representada pelo lado superior da figura.

O dólar-futuro voltou a cair depois do repique altista, mas somente intensificará este processo corretivo em caso de perda do suporte imediato de R$ 3,266 (comentários feitos às 09:12 h e baseados nos gráfico intraday de 60’).

Economia em Foco

Pesquisa Focus
As projeções para o PIB de 2016 passaram de -3,30% para -3,25%. Em 2017, a expectativa do PIB passou de 1,00% para 1,10%. Sobre os dados de inflação, as expectativas do IPCA em 2016 se mantiveram em 7,26% e recuaram de 5,40% para 5,30% no próximo ano. A perspectiva da Taxa Selic permaneceu em 13,25% ao fim de 2016 e em 11,00% ao fim de 2017. A expectativa para a Taxa de Câmbio ao fim de 2016 recuou de R$ 3,40 para R$ 3,39 e de R$ 3,55 para R$ 3,50 em 2017. Dos quatro principais indicadores em projeção da Focus houve alteração apenas no PIB, recuando menos neste ano (-3,25%) e na taxa de câmbio (R$3,39). A taxa Selic foi mantida estável (13,25%), embora sejam crescentes os que acreditam numa taxa mais elevada ou mesmo estável neste ano (14,25%). Já o IPCA foi mantido em 7,26%, mesmo com a desaceleração em junho (0,35%).

IPC-S desacelera na segunda semana de julho
O IPC-S de 15 de julho, pela FGV, variou 0,41%, ante 0,44% na última divulgação. Quatro dos oito grupos componentes do índice apresentaram desaceleração, com destaque para Habitação (0,44% para 0,26%), com destaque para o item tarifa de eletricidade residencial (0,07% para -0,62%). Outras desacelerações ocorreram nos grupos Transportes (-0,13% para -0,16%), Vestuário (0,10% para -0,07%) e Comunicação (0,10% para 0,09%). As principais altas ocorreram nos grupos Alimentação (0,82% para 0,89%), Despesas Diversas (0,50% para 0,59%), Educação, Leitura e Recreação (0,72% para 0,76%) e Saúde e Cuidados Pessoais (0,51% para 0,54%). Acompanhando o IPCA, o IPC-S desacelerou na última apuração em decorrência da retração da demanda doméstica. Registrou 0,41%, depois de 0,44% na semana anterior.

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