O Ibovespa futuro, às 9h38, operava em queda de 0,92%, contrariando os desempenhos dos índices acionários europeus e futuros de Dow Jones e S&P 500, que têm altas ao redor de 0,4%. Os investidores absorvem uma entrevista exclusiva de Donald Trump, na qual se mostrou mais parcimonioso. Ainda no cenário externo, a produção industrial e as vendas no varejo na China cresceram menos que o esperado em outubro, enquanto no Japão o PIB teve expansão anualizada de 2,2% no trimestre até setembro, ante previsão +0,9%. Por aqui ainda devemos destacar a reta final das divulgações de balanços do 3T16, enquanto a agenda de indicadores é fraca, restrita à Pesquisa Focus e balança comercial.

Perspectiva – 14 a 18 de novembro

É mais ou menos aquela frase do filósofo Sócrates. “Só sei que nada sei”

Em que pese os efeitos de curtíssimo prazo da eleição de Trump ainda estarem presentes, não podemos desprezar os de mais longa duração. Ainda será preciso analisar as sinalizações emitidas por Trump e sua equipe, bem como a montagem de seu secretariado que deve estar definida em parte até o final do mês.

Também não sabemos dimensionar qual será o efeito de o Partido Republicano ter maioria nas duas casas (Câmara e Senado). Achamos que isso pode ser positivo para domar a fala (até aqui) incontrolável do presidente eleito. Nesse particular, seu vice Pence pode exercer papel preponderante na interlocução com o Congresso.

De qualquer forma, Trump parece ser expansionista do lado fiscal e quer dobrar o crescimento do país. Isso permite releitura que o Fed terá que agir com ainda maior diligência na política monetária e controle da inflação. Redunda daí possível alta mais rápida dos juros no futuro para debelar as pressões inflacionárias.

Isso posto, também é possível afirmar que teremos desequilíbrios nos juros mais longos e também no câmbio. Aliás, já vimos isso no correr do final da semana passada. Se tudo isso parece verdade, também é redundante dizer que haverá desequilíbrio no fluxo internacional de recursos. Com isso os emergentes podem sentir mais e a aversão ao risco deve crescer, principalmente sobre países desajustados em suas políticas econômicas.

Somos de opinião que o momento é mais para observação e análise dos fatos, do que para tomar decisões precipitadas ou emocionais. Porém, é certo que a volatilidade irá permanecer elevada e mudanças de sinais nos mercados de risco ocorrerão com frequência.

Mesmo considerando tudo isso, ainda mantemos nossa crença de que a Bovespa tem condições de ir recuperando perdas recentes e galgar novos patamares. Inicialmente recuperando 64.000 e 65.000 pontos.

Potencial dos Índices de Ações

Foco Gráfico

O Ibovespa-futuro penetrou no suporte representado pelo fundo formado em 50.410 pontos e isto aumentou as chances de extensão da atual trajetória baixista na direção dos objetivos situados em 59.000 e 58.600 pontos. Sua resistência mais próxima está situada em 60.645 pontos e terá que ser ultrapassada para permitir a expectativa de ingresso em um repique altista (comentário feito às 09:12 h e baseado no gráfico intraday de 60’).

O dólar-futuro experimenta alguma recuperação depois da rápida correção, mas terá que ultrapassar o topo formado em R$ 3,527 para permitir a extensão dos avanços até R$ 3,55. O suporte mais próximo está situado em R$ 3,39 e somente sua perda indicará possibilidade de ingresso em um processo corretivo (comentário feito às 09:12 h e baseado no gráfico intraday de 60’).

Assista ao vídeo da Análise Gráfica

Temporada de Balanços 3T16

BM&FBOVESPA
Apresentou lucro líquido de R$ 293 milhões no 3T16 vs lucro líquido de R$ 2.013 milhões no 3T15. Este último foi afetado por receitas extraordinárias de valor elevado, devido ao lucro pela venda de participação no CME Group. O resultado financeiro líquido positivo cresceu 157,5% tendo em vista o nível maior de capitalização da companhia. O lucro da atividade teve decréscimo de 70,3%, devido à apropriação de despesas extraordinárias, referentes à provisões para contingências.

CEMIG
A Cemig teve um bom resultado no trimestre (lucro líquido de R$ 433,4 milhões, contra R$ 166,9 milhões no 3T15, um crescimento de 159,7%). As receitas cresceram 2,3%, mas houve substancial redução de despesas operacionais, o que possibilitou expansão de 238,1% no resultado da atividade, com ganho de margem de 13,6 p.p.. O resultado financeiro líquido negativo cresceu 50,2%, compensando parte dos ganhos operacionais.

CESP
O bom resultado apresentado se deve, primordialmente, à reversão do resultado financeiro (receita financeira líquida de R$ 900 mil no 3T16 vs despesa financeira líquida de R$ 204 milhões no 3T15). Esta reversão, por sua vez, teve como causas menor efeito cambial sobre a dívida em dólar da companhia e a melhoria de seu nível de capitalização. No plano operacional houve queda substancial das receitas (-47,6%), devido à perda de capacidade de geração, porém compensada por uma redução correspondente das despesas. O lucro da atividade cresceu 3,8%.

EQUATORIAL
O bom resultado apresentado no trimestre (lucro líquido de R$ 188,7 milhões vs R$ 80,4 milhões no 3T15) se deveu à combinação de crescimento de 29,5% no resultado da atividade e queda de 47,8% no resultado financeiro líquido negativo. A receita líquida cresceu 8,6% e houve ganho de 2,5 p.p. na margem da atividade.

KEPLER WEBER
A companhia reportou lucro líquido de R$ 2,326 milhões no 3T16, queda de 65,5% em relação ao 3T15. A receita líquida consolidada foi de R$ 120,9 milhões, 40,4% abaixo do mesmo período do ano passado. No entanto, segundo a companhia, o terceiro trimestre foi marcado por sinais de retomada da economia e, com isso, o nível de entrada de pedidos foi quase 50% acima do patamar observado na primeira metade do ano.

SID NACIONAL
O prejuízo da CSN, atribuído aos sócios da controladora, de R$ 137 milhões, no 3T16 encolheu 74% relativamente aos R$ 532 milhões apurados no 3T15. Desconsiderando a parcela da Metalic, cujo acordo de venda foi efetivado no próprio terceiro trimestre, o prejuizo da CSN cai para R$ 106 milhões. Diante do mesmo período de 2015, a receita líquida consolidada teve alta de 13,6% no trimestre findo em setembro deste ano, impulsionada pelo acréscimo de 10% do volume vendido. A dívida bruta da Siderúrgica Nacional fechou setembro em R$ 31,504 bilhões, com queda de 12% frente a setembro.15, mas a dívida líquida manteve-se no mesmo nível da reportada em junho.16, de R$ 25,842 bilhões.

Economia em Foco

Semana mais curta, mas não menos intensa
Iniciamos esta semana, mais curta pelo feriado do dia 15 (Proclamação da República), mas não menos intensa, dadas as incertezas geradas pela eleição de Donald Trump. Em entrevista exclusiva, pautada por um tom mais ameno, o presidente eleito esclareceu sobre muitos pontos defendidos na campanha eleitoral. Disse que iria preservar partes do Obamacare, desregulamentar as instituições financeiras para que elas voltem a emprestar, melhorar o controle das fronteiras contra imigrantes ilegais e o tráfico de droga (o tal muro, na fronteira com o México, ficou meio em segundo plano), criar incentivos para as empresas não montarem plantas em países onde o custo de mão de obra é mais baixo, visando preservar os empregos nos EUA, e na política externa se mostrou mais disposto a endurecer com o ISIS, desde que com apoio dos governos da Síria e da Rússia. Em suma, foi uma entrevista mais equilibrada, em que reafirmou parte do que pregou na campanha, mas em um tom mais ameno, mais conciliador, defendendo, por fim, a “união do país”.

Pesquisa Focus
Diante de um ambiente ainda cercado de incertezas, depois da eleição de Trump nos EUA e uma crise política que segue rondando o governo Temer, a pesquisa Focus segue revendo suas principais projeções para este ano e o próximo. Pelo lado do IPCA, para este ano, foi revisto de 6,88% para 6,84%, ainda refletindo uma demanda mais fraca, no ano que vem revisado de 4,94% para 4,93%; no PIB, a retração deste ano passou de -3,31% para -3,37%, no ano que vem de 1,20% para 1,13%; a taxa de câmbio deu uma ajustada, dado o ambiente de incertezas no Brasil e no exterior, passando de R$ 3,20 para R$ 3,22 neste ano e R$ 3,39 para R$ 3,40 no ano que vem. Já a taxa Selic foi revisada de 13,50% para 13,75% neste ano, mantida em 10,75% em 2017. No Top 5, instituições que mais acertam as projeções, o IPCA recuou, de 6,97% para 6,83% neste ano, também no ano que vem, de 5,03% para 4,81%; o câmbio passou de R$ 3,20 para R$ 3,25 neste ano e R$ 3,50 para R$ 3,40 no ano que vem e a taxa Selic foi mantida em 13,75% neste ano e ajustada de 11,25% para 11,50% no ano que vem. As projeções desta Consultoria, para este ano e o próximo, são as seguintes: pelo IPCA, 6,8% e 5,0%, taxa Selic, 13,75% e 11,25%, PIB recuando 3,3% e crescendo 0,8% e câmbio, R$ 3,20 e R$ 3,40, respectivamente.

Agenda

Corporativa

Econômica

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