A semana decisiva do processo de impeachment de Dilma Rousseff se inicia com o Ibovespa futuro refletindo a cautela dos investidores. Após abrir em queda, os contratos futuros passaram a subir ligeiramente e, às 9h37, tinham alta de 0,14%. Na Europa as bolsas operam em baixa, ainda sentindo os discursos do vice e da presidente do Fed, na sexta-feira, quando deram indícios de que novas altas dos juros nos EUA estariam próximas. Os futuros de Dow Jones e S&P 500 também inverteram o sinal e passaram a subir na margem após as divulgações de indicadores econômicos.

Perspectiva – 29 de Agosto a 2 de Setembro

Esta semana promete grandes emoções para os participantes do mercado local. Depois de nove meses vamos ter finalmente o desfecho do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff. Por tudo que está acontecendo uma reviravolta é improvável e Dilma deve mesmo ser impedida.

Com isso, a situação tende a mudar, mas ainda vamos guardar expectativas sobre o day after e comando de Michel Temer. Na semana passada registramos alguns curtos-circuitos na base de apoio de Temer, o que pode comprometer o desempenho, já que serão necessárias medidas duras e urgentes para realizar o ajuste fiscal, ainda que de mais longo prazo. O presidente Temer e sua equipe econômica têm obrigação de se manter coesa e conseguir essa coesão também para a base de apoio, já que muitas decisões terão que passar pelo Congresso em véspera de eleições, uma época ingrata.

No mercado diríamos que boa parte da expectativa sobre o impeachment já está expressa na recuperação dos preços dos ativos. Porém, na nossa visão, ainda haveria espaço para novas recuperações a partir do elenco de medidas adotadas irem na direção correta. Portanto, mais que mudanças no curto prazo, estimamos maior coerência de médio e longo prazo, considerando que lentamente ingressaremos no ciclo virtuoso de recuperação.

Lembramos que enquanto a Bovespa ainda está cerca de 20% abaixo de seu ponto máximo, o mercado americano opera próximo deste patamar. Assim, seguimos indicando que o Ibovespa pode retomar ao patamar de 59.300 e abrir objetivos na casa de 62.000 / 63.000 pontos.

Para que isso ocorra será preciso contar com o “auxílio luxuoso” do exterior, resolvendo e aclarando o comportamento da política econômica americana, principalmente no que tange aos juros. Na Europa quais serão as medidas adotadas para a Zona do Euro em termos de distensão monetária e, finalmente, como o Japão lidará com estímulos e valorização do iene e China e seguir crescendo dentro da meta e mais organizada.

O momento de virada parece ter chegado, mas precisa ser corretamente avaliado em todas as suas nuances.

Potencial dos Índices de Ações

Foco Gráfico

O Ibovespa-futuro abriu em ligeira queda e se não ultrapassar a resistência de 58.760 pontos aumentará as chances de manutenção deste desempenho negativo, até a projeção representada pelo fundo formado em 58.090 pontos (comentário feito às 09:10 h e baseado no gráfico intraday de 30’).

O dólar-futuro tenta manter a condição altista e teoricamente poderá atingir as projeções situadas em R$ 3,30 e R$ 3,304. Somente a eventual perda do suporte de R$ 3,265 anulará tal expectativa e indicará possibilidade de ingresso em nova manifestação baixista (comentário feito às 09:10 h e baseado no gráfico intraday de 60’).

Assista ao vídeo da Análise Gráfica

Economia em Foco

Semana decisiva
Será uma semana decisiva para a história recente do País. Dilma Roussef vai a plenário discursar em sua defesa e responderá a questionamentos de vários senadores. Nos dois próximos dias os senadores votarão pelo impeachment ou não. Estimativas preliminares indicam algo em torno de 61 votos a favor do impedimento e 20 votos contra. Se a estimativa for confirmada, será o fim dos 13 anos do lulo-petismo no poder. Confirmado como presidente tampão até 2018, Michel Temer viajará ao exterior, se mostrando e dizendo o que pretende. A partir de agora, Temer terá que ser mais incisivo e duro nas medidas de ajuste fiscal. A reforma da previdência parece algo inadiável, assim como a aprovação da PEC das despesas. O aumento de impostos não deve ser descartado.

Pesquisa Focus
As expectativas do mercado continuam relativamente progredindo. No entanto, depois de algumas semanas estacionada, a previsão de inflação, medida pelo IPCA, subiu para 7,34% em 2016 e para 5,14% para 2017. A queda do PIB neste ano diminuiu de 3,20% para 3,16%, por conta da melhora da confiança dos agentes, e a expectativa de crescimento para 2017 avançou para 1,23%. O câmbio diminuiu para R$ 3,29 ao final deste ano e no próximo ano se manteve em R$ 3,45. A nossa previsão do IPCA para 2016 ainda é de 7,2%, com PIB de -3,3% e o câmbio, por enquanto, em R$ 3,30, pois estamos numa semana crítica de definição do processo de impeachment no Senado.

Confiança da Indústria: o ICI recuou 1,0 ponto em agosto, para 86,1 pontos, após cinco altas consecutivas. O índice recuou em 9 dos 19 segmentos pesquisados. O IE recuou 1,7 ponto. Para 87,3 pontos, com destaque para a queda de 2,5 pontos no indicador de expectativas com a produção nos três meses seguintes. O ISA ficou estável em 85,2 pontos. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada recuou 0,5 p.p., para 73,8%. Ao contrário do que aconteceu com os demais setores acompanhados pela FGV, a Indústria segue com previsão de queda em torno de 6% para este ano.

Confiança de Serviços: o ICS subiu 2,8 pontos em agosto, sexta alta consecutiva, chegando a 78,8 pontos. O índice teve alta em 9 das 13 atividades pesquisadas. O ISA caiu 0,2 ponto, para 70,9 pontos, influenciado pela queda de 1,8 ponto do indicador de satisfação com a situação atual dos negócios, enquanto o IE avançou 5,7 pontos, para 87,1 pontos, com destaque para a alta de 7,2 pontos do indicador de tendência dos negócios nos seis meses seguintes. O NUCI recuou 0,3 p.p., ficando em 82,6%. O setor de Serviços, que é relevante para a economia, segue na avaliação positiva dos agentes para este ano, colabora a melhora da atividade.

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