A semana deve começar positiva para a Bovespa, acompanhando os mercados internacionais. Estes são amparados pela valorização do petróleo, que opera em alta devido ao noticiário de conflito na Líbia, comprometendo suas exportações da commodity. Os investidores, no entanto, operam no aguardo da reunião do Fed, que se encerrará na quarta-feira, sendo a aposta majoritária a de que a autoridade monetária manterá os juros. Por aqui a agenda trouxe importantes indicadores econômicos, como Pesquisa Focus, IGP-M do segundo decêndio de setembro e Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br). Este último, que é considerado uma prévia do desempenho do PIB, caiu 0,09% em julho, após avanço de 0,37% em junho (dado revisado de alta de 0,23%), na série com ajuste sazonal. Os investidores se mantêm atentos ao cenário político, com foco nas negociações do Governo com os Estados, que buscam ajuda financeira e poderiam interferir nas votações das medidas de ajuste fiscal. Na Bovespa devemos destacar também o vencimento de opções sobre ações, o que pode trazer alguma volatilidade adicional aos negócios. O Ibovespa futuro operava, às 9h38, com alta de 0,85%.

Perspectiva – 19 a 23 de Setembro

Uma coisa parece certa para esta semana. Os mercados de risco em todo o mundo vão seguir voláteis aguardando a reunião do Fed e do BOJ (BC japonês), em 21/09, sobre política monetária, especialmente a abordagem sobre juros. Seguimos achando pouco provável que o Fed eleve juros nessa reunião. Os dados de conjuntura (exceto os relacionados com o mercado de trabalho) ainda não são fortes o suficiente para justificar altas.

Nesse ponto ficamos com a fala da dirigente Brainard ao dizer que é melhor prevenir risco de manter baixo os juros que elevar preventivamente. Além disso, embora o Fed diga que não, é bem arriscado elevar juros agora muito próximo de eleições para presidente, quando a disputa ficou completamente equilibrada, depois da doença de Hillary. O Fed pode sim esperar mais para aumentar juros sem grandes riscos.

Certamente os mercados vão seguir repercutindo o noticiário e os indicadores de conjuntura americanos para tentar antecipar movimentos. Achamos que a aversão ao risco da semana passada pode não se repetir, assim como a fragilidade das moedas de países emergentes.

Se abrirmos ainda mais o foco, veremos que muitos países (inclusive o BC japonês) podem seguir por algum tempo no processo de distensão monetária e com isso minorar qualquer efeito de contração de liquidez produzida pelos EUA.

Aqui podemos intuir que o quadro é certamente mais favorável, mas o governo precisa acelerar mudanças antes de conclamar investidores, que só voltarão quando a credibilidade aumentar. Para tanto não basta a verborragia e sim ações mais contundentes no rumo correto. É necessário passar do discurso para a prática, e rapidamente.

A volatilidade da semana anterior não deu para assustar muito como processo duradouro. Seguimos acreditando ser possível buscar patamares perdidos acima dos 60.000 pontos e depois abrir novos objetivos.

Potencial dos Índices de Ações

O Ibovespa futuro sinaliza uma abertura em queda, acompanhando a tendência externa, onde os investidores já começam a concentrar suas atenções nas reuniões de política monetárias do Fed e BoJ, que se realizarão nos dias 20 e 21. As especulações sobre os rumos das taxas de juros definidas pelos bancos centrais dos EUA e Japão tornam os investidores mais cautelosos, trazendo ligeiras quedas nos índices acionários europeus e futuros do Dow Jones e S&P 500. Na Europa as bolsas também sofrem com as quedas de ações do setor bancário, após notícias de que o Departamento de Justiça dos EUA propôs que o Deutsche Bank pague US$ 14 bilhões para encerrar investigações sobre irregularidades em torno da venda de títulos hipotecários. Por aqui as atenções se voltam para o ajuste fiscal e a pressão dos Estados, principalmente do Norte e Nordeste, para obterem algum alívio financeiro na negociação de suas dívidas. O Ibovespa futuro operava, às 9h35, com baixa de 0,54%.

Foco Gráfico

O Ibovespa-futuro abriu em alta, mas precisando romper a reta de baixa (58.200 pontos) para estender o repique até o topo formado em 58.685 pontos. A base do triângulo passa neste momento em 57.330 pontos e se for perdida indicará possibilidade de ingresso em nova manifestação baixista.

O dólar-futuro manteve a trajetória baixista, mas poderá atingir o objetivo situado em R$ 3,26 com níveis excessivamente deprimidos no Indicado de Força Relativa para permitir na perda deste suporte sem prévio congestionamento ou tentativa de recuperação (comentário feito às 09:08 h e baseado no gráfico intraday de 60’).

Assista ao vídeo da Análise Gráfica

Economia em Foco

Pesquisa Focus: As projeções para o PIB de 2016 passaram de -3,18% para -3,15%. Em 2017, a expectativa do PIB avançou de 1,30% para 1,36%. Sobre os dados de inflação, as expectativas do IPCA em 2016 recuaram de 7,36% para 7,34% e ficaram em 5,12% no próximo ano. A perspectiva da Taxa Selic permaneceu em 13,75% ao fim de 2016 e em 11,00% ao fim de 2017. A expectativa para a Taxa de Câmbio ao fim de 2016 avançou de R$ 3,25 para R$ 3,30 e permaneceu em R$ 3,45 em 2017. O mercado, pela Focus, continua ajustando o PIB para este ano. Agora recuando 3,15% não sendo surpresa se ir a -3% ao fim do ano e a mais de +1,3% no ano que vem. Chama atenção também a revisão do câmbio neste ano, agora a R$ 3,30. Isto se explica pela possibilidade do Fed elevar a taxa de juros ainda neste ano. Nesta semana teremos reunião do Fomc e o mercado está dividido.

IGP-M: variou 0,27% no segundo decêndio de setembro, ante 0,09% no mesmo período do mês anterior. O IPA variou 0,30%, ante -0,01% com desaceleração no índice de Bens Finais (-0,25%, ante -0,24%), destacando o grupo alimentos in natura (de 0,02% para -5,40%). Os índices de Bens Intermediários (-0,21%, ante -0,30%) e Matérias-Primas Brutas (1,51%, ante -0,01%) apresentaram aceleração. O IPC foi de 0,14%, ante 0,35%, com seis das oito classes desacelerando, destacando-se o grupo Alimentação (0,39% ante 0,11%), com o item laticínios passando de 6,20% para -0,68%. O INCC teve variação de 0,34%, ante 0,19%. Sem surpresas o IGP-M da segunda apuração. Foi a 0,27% impactado pelos itens Matérias Primas Brutas no atacado e alimentos no varejo. Neste, a carne está mais cara.

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