Em uma semana “encurtada” por feriados nos EUA (hoje, pelo Dia do Trabalho) e no Brasil (quarta-feira, pelo Dia da Independência), os mercados acionários operam com menor volume, mas com predominância do sinal positivo. Na Europa as bolsas sobem impulsionadas pela valorização do petróleo e pelas vendas no varejo na zona do euro, que subiram 1,1% em julho, o nível mais alto desde agosto de 2014. Já por aqui o Ibovespa futuro acompanha seus pares internacionais e subia 0,36%, às 9h32. Hoje entra em vigor a nova composição da carteira teórica do Ibovespa, que conta com a saída das ações da Cesp, sem a inclusão de novos papéis.

Perspectiva – 5 a 9 de Setembro

Realmente viramos a página do processo político, mas isso não nos faz instantaneamente melhores e nem o País será inundado de recursos externos e com investidores locais querendo aportar novos recursos. Todos vão aguardar os primeiros passos do agora efetivo governo de Temer para avaliar suas disposições. A partir de agora caberá analisar a profundidade das medidas adotadas e sua velocidade de aprovação e implantação. Isso é que irá dar a credibilidade necessária para movimentação dos investidores.

Sem dúvida Temer terá encontros importantes na reunião do G-20 e o noticiário sobre intenção de investimento pode ser positivo. Mas o que vai mover será mesmo a avaliação do governo e cumprimento de metas. Como já estamos nos encaminhando para o final de 2016 o foco passa a ser o ano de 2017 e as expectativas de como ficarão os indicadores macro. Como ficará o teto de gastos e meta de déficit? Como se comportará a inflação e câmbio, daí derivando os juros básicos? Qual será a retomada efetiva da economia e quanto crescerá o PIB (dele deriva a preocupação com o déficit)? A meta de crescimento de 1,6% é atingível?

Se tudo for olhado pelo ângulo positivo, os mercados terão boa chance de evoluir mais. Afinal, a liquidez internacional continua elevada, mesmo considerando que até o final do ano os EUA devem fazer pelo menos mais uma elevação gradual de juros. É claro que vamos ter que contar com performance positiva das principais economias e mercados por lá na mesma direção.

Depois disso, os investidores de mais longo curso irão avaliar o processo sucessório para as eleições majoritárias de 2018. Se Michel Temer for bem-sucedido nesses dois anos e quatro meses de mandato, não haveria condição de guinada ao populismo exacerbado. Caso isso não aconteça, muito provavelmente surgiria algum “salvador da pátria”, com muito apelo político.

Por ora vamos olhar um pouco mais cedo. É certo que houve ganhos com o processo de impeachment e isso vai se transformar em algum capital político para reformas e mudanças. Pensando assim, a economia também reagirá positivamente, até pelo estado crítico em que estava. Neste caso, os mercados de risco devem capturar isso.

Nessa vertente, parece lícito supor que o Ibovespa tem condição de passar consistentemente o patamar de 59.300 pontos e abrir objetivo seguinte em 62.000/63.000 pontos. O câmbio pode buscar em momentos cotação ao redor de R$ 3,00, mas a zona de equilíbrio parece estar ao redor de R$ 3,20. Já os juros podem encolher na reunião de outubro e na reunião seguinte. Aguardemos.

Potencial dos Índices de Ações

Foco Gráfico

O Ibovespa-futuro atingiu o objetivo situado em 60.610 pontos, mas é possível que não ultrapasse esta marca sem prévio congestionamento para reduzir o Indicador de Força Relativa. Por outro lado, se esta projeção for superada, a tendência poderá se estender até 60.900/61.200 pontos.

O dólar-futuro permanece em situação indefinida e oscilando no interior do congestionamento lateral. Isto significa que o rompimento da resistência imediata de R$ 3,296 poderá dar chance para um avanço até o topo formado em R$ 3,316, enquanto que a perda do suporte de R$ 3,243 poderá motivar uma queda até o fundo de R$ 3,216 (comentário feito às 09:15 h e baseado no gráfico intraday de 60’).

Assista ao vídeo da Análise Gráfica

Economia em Foco

Pesquisa Focus: As projeções para o PIB de 2016 passaram de -3,16% para -3,20%. Em 2017, a expectativa do PIB passou de 1,23% para 1,30%. Sobre os dados de inflação, as expectativas do IPCA em 2016 se mantiveram em 7,34% e recuaram de 5,14% para 5,12% no próximo ano. A perspectiva da Taxa Selic permaneceu em 13,75% ao fim de 2016 e recuou de 11,25% para 11,00% ao fim de 2017. A expectativa para a Taxa de Câmbio ao fim de 2016 recuou de R$ 3,29 para R$ 3,26 e permaneceu em R$ 3,45 em 2017. Após algumas semanas com a expectativa para o PIB 2016 apresentando redução da queda, a divulgação do PIB do 2T16 freou este movimento. No entanto, 2017 continua elevando o crescimento. Cabe agora ao governo Temer fazer seus devidos ajustes fiscais no intuito de recuperar a atividade.

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