Sem as referências das principais bolsas internacionais, fechadas ainda devido ao feriado de Natal, a Bovespa deve apresentar liquidez reduzida e oscilações limitadas. As bolsas nos EUA e Europa estão fechadas, sendo que a de Londres também não operará na terça-feira. Os investidores então avaliam a Pesquisa Focus, na qual se reduziu mais a projeção para a inflação neste ano, e a Sondagem da Indústria, que mostrou recuo no índice de confiança do setor em dezembro. Às 9h38 os contratos de Ibovespa futuro mostravam alta de 0,21%.

Perspectiva – 26 a 30 de dezembro

Esta semana vai custar para terminar. Espremida entre o Natal e o Ano Novo o interesse dos investidores cai muito e o volume transacionado encolhe ainda mais. Nessa época ninguém quer correr risco desnecessário e sim fechar seus resultados o mais rápido possível. Não parece mas o ano calendário acaba sendo importante.

Por aqui vamos trabalhar com o recesso do Judiciário e Legislativo, mas com a “espada de Dâmocles” sobre nossas cabeças. Há a possibilidade de vazamento de delações da Odebrecht e aí ainda temos que incluir o que foi apurado nos EUA e Suíça envolvendo centenas de políticos, o núcleo do presidente Temer e os ex-presidentes Lula e Dilma. Os mercados vão trabalhar já diante da perspectiva de fevereiro com a volta do recesso e muitos ruídos.

No que tange à economia global o quadro parece mais ameno, com a posse de Trump chegando e boas expectativas. Como temos dito, não podemos desprezar a força motriz da economia americana para alavancar economias da Europa e emergentes, além da do Japão. Isso deve influir nos preços das commodities e o Brasil pode se beneficiar.

Vamos continuar especulando se o Copom vai acelerar ou não a queda da Selic para 0,75% na reunião do início de janeiro. O governo tem pressionado nessa direção e desinflação e indicadores cada vez mais sinalizam ser possível acelerar. Afinal vamos fechar 2016 perto do teto da meta e a projeção para 2017 é o centro da meta. Igualmente, o governo começa a atropelar no sentido de acelerar mudanças que dependam dele, diante do sentimento que precisa mostrar algum resultado para a economia, motivar empresários e investidores estrangeiros, antes que a sociedade se posicione definitivamente contra o governo Temer.

Dependendo do noticiário pode até acontecer alguma recuperação na Bovespa esta semana, mas sem grande consistência. De nossa parte renovamos a crença de que a largada do próximo ano será estressante, mas com boas possibilidades de desenvolvimento positivo.

Potencial dos Índices de Ações

Foco Gráfico

O Ibovespa-futuro ultrapassou a resistência imediata de 59.120 pontos na abertura altista, indicando possibilidade de extensão dos avanços até as projeções situadas em 59.660 e 60.440 pontos (comentário feito às 09:10 h e baseado no gráfico intraday de 30’).

O dólar-futuro voltou a cair na direção do suporte representado pelo fundo formado em R$ 3,264, que se for perdido aumentará as chances de extensão da queda até as projeções situadas em R$ 3,23 e R$ 3,218 (comentário feito às 09:10 h e baseado no gráfico intraday de 30’).

Assista ao vídeo da Análise Gráfica

Economia em Foco

Última semana do ano. Ufa! Já vai tarde…
Estamos na última semana de 2016, cansados com a sucessão de acontecimentos negativos e uma recessão econômica que teima em se manter. Como enxergar o ano que se inicia? Difícil ser otimista neste momento. Com certeza, ingressaremos em 2017 arrastando uma crise política que deve gerar novos desdobramentos neste início de ano, ainda mais com as delações premiadas da Odebrecht. Preocupação também é saber como deve se manter (ou não) a governabilidade do presidente Michel Temer. Soma-se a isso, ainda temos o TSE se rondando a cassação da chapa Dilma-Temer. O presidente, no entanto, já deixou claro (se isso acontecer) que pretende resistir, com variados “subterfúgios jurídicos”. Nesta última semana do ano estejamos atentos aos dados fiscais, por parte do Tesouro nesta segunda-feira (governo central) e pelo BACEN, no Consolidado na terça-feira. Aguardemos também uma série de Sondagens de Confiança da FGV, como a da Indústria nesta segunda-feira.

Pesquisa Focus. Depois do IPCA-15 abaixo do esperado em dezembro (0,19%), uma correção na pesquisa Focus acabou ocorrendo para este ano. Nesta, o índice cheio do IBGE acabou revisado de 6,49% para 6,40%, com o índice de dezembro reduzido de 0,49% para 0,40%. Deve ser até menor. As projeções desta Consultoria foram ajustadas para algo entre 0,25% e 0,30%. A economia paralisada, com a demanda retraída, contribuíram para este recuo, devendo se propagar nos outros índices por estes dias. Nas outras projeções da pesquisa do BACEN, a retração do PIB neste ano passou de -3,48% para -3,49%, no ano que vem desacelerando no crescimento, de 0,58% para 0,50%; a taxa de câmbio foi revisada neste ano de R$ 3,38 para R$ 3,37, em 2017 passando de R$ 3,49 para R$ 3,50 e a taxa Selic foi mantida em 10,50% em 2017. Isto vai de encontro ao discurso do BACEN e no último Relatório Trimestral de Inflação, deixando claro haver espaço para uma aceleração no ciclo de cortes da taxa Selic. Entre o Top 5, a projeção da taxa Selic passou a 10% pela mediana e 10,25% pela média. Para o IPCA desacelerou neste ano de 6,46% para 6,39%, no ano que vem, de 4,69% para 4,66%.

ICI recuou 2,2 pontos em dezembro
Segunda a FGV, o Índice de Confiança da Indústria (ICI) caiu 2,2 pontos (ou 1%) em dezembro, indo para 84,8 pontos, menor patamar desde junho (83,4 pontos). Isto se refletiu na queda de 12 dentre os 19 segmentos pesquisados. O Índice da Situação Atual (ISA) caiu 2,2 pontos, para 82,9 pontos, devido à piora na percepção sobre o nível de demanda, caindo 3,5 pontos, para 81,8 pontos. O Índice de Expectativas (IE) recuou 1,8 ponto, para 87,1 pontos, com destaque para a queda de 3,8 pontos no indicador que mede a expectativa do pessoal ocupado nos três meses seguintes. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada, por sua vez, atingiu 72,5% em dezembro, novo patamar mínimo histórico para a série iniciada em 2001. Diferente do que aconteceu no mês anterior, com alta de 0,4 ponto, a Confiança da Indústria segue intercalando mensalmente desde julho altas e quedas, sendo esperada esse recuo de dezembro pelo mercado. No entanto, a recuperação do setor seguirá lenta e gradual, podendo ter crescimento em 2017.

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