O Senado aprovou por 59 votos a favor e 21 contra, na madrugada desta quarta-feira, o relatório da Comissão Especial do Impeachment, levando a presidente afastada Dilma Rousseff a julgamento. Por outro lado, houve mais uma retirada de contrapartida dos estados no texto do projeto de lei sobre a renegociação das suas dívidas. Agora foi retirada a exigência de que os estados não poderiam conceder reajustes salariais aos seus servidores por dois anos. Assim, contrabalançando estes dois fatos da cena política, o Ibovespa futuro opera com ligeira alta nesta manhã (+0,17%, às 9h32), em sentido contrário ao apresentado nas bolsas estrangeiras. Na Europa os índices acionários operam ligeiramente negativos, pressionados pela avaliação de dificuldades do Banco da Inglaterra (BoE) em conseguir implementar seu programa de recompra de títulos de dívidas.

Foco Gráfico

O Ibovespa-futuro mostra pequena recuperação no interior do processo de congestionamento em forma de triângulo, mas somente a superação da resistência de 58.200 pontos permitirá a expectativa de um avanço consistente. A base da figura passa neste momento em 57.700 pontos e se for perdida indicará possibilidade de uma queda até 56.600 pontos.

O dólar-futuro abriu em queda, mas o afastamento dos preços em relação às médias móveis poderá impedir a progressão da queda até R$ 3,12/R$ 3,10 sem prévio congestionamento para corrigir o exagero baixista.

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Temporada de Balanços 2T16

BANRISUL
Fechou o 2T16 com lucro de R$ 201,5 milhões, 7,2% acima do obtido no 2T15. O desempenho foi favorecido pela reprecificação dos empréstimos, com impactos favoráveis na margem financeira, afora a melhor performance das receitas de serviços e tarifas bancárias, em que pese o enfraquecimento da atividade econômica. A carteira de crédito no conceito ampliado (considera coobrigação e riscos em garantias prestadas) registrou redução de 4,3% em doze meses findos em junho de 2016, ao atingir R$ 29,8 bilhões, sobretudo em função da carteira comercial (pessoa física e jurídica, desconsiderando Governo e recursos direcionados), que recuou 4,9%.

BR INSURANCE
Fechou o 2T16 com prejuízo de R$ 4,6 milhões contra R$ 1,1 milhão no 2T15. A receita líquida foi de R$ 36,9 milhões contra R$ 49,8 milhões (-26%), respectivamente, impactada pela saída das corretoras TGL, ISM, Ben’s, Fidelle, APR e Retrato, que juntas representaram receita líquida de R$ 3,7 milhões na base comparativa (2T15). Frisa-se que a retração econômica e um pior desempenho nos segmentos de auto, frotas e transportes, que representa 11,5% da receita líquida, também contribuíram para a queda observada. De outro modo, houve recuperação na participação dos segmentos de saúde e odontológico.

BTG PACTUAL
Fechou o 2T16 com lucro líquido de R$ 1,003 bilhão contra R$ 1,294 bilhão no 2T15, queda de 22,5%, diante da redução de seus ativos, já que o Banco continua com o processo de reestruturação e desalavancagem das operações, o que também pressionou as despesas operacionais. O saldo dos ativos totais do Banco diminuiu 12,1%, passando dos R$ 163,9 bilhões em dezembro de 2015 para R$ 144,1 bilhões em junho de 2016, considerando-se, também, o efeito da variação cambial de posições em moeda estrangeira, devido a apreciação do Real no período.

COMGAS
A receita com a venda de gás caiu 7,4% no primeiro semestre de 2016, para R$ 2,774 bilhões (R$ 2,996 bilhões), explicada pela queda do volume vendido para o segmento industrial e pela forte redução do consumo de termogeração, além da redução das tarifas de venda aprovadas pela ARSESP. O custo com gás, incluindo transporte e outros, caiu para 50,6% da respectiva receita (68,5% no 1S15), já que o preço do petróleo, atrelado aos contratos de fornecimento de gás, caiu significativamente na comparação entre os períodos. Esta queda foi transferida para o lucro que dobrou relativamente ao obtido no 1S15, atingindo R$ 551 milhões.

CYRELA REALTY
O cenário operacional impactou diretamente a receita e pressionou o lucro líquido e o retorno sobre o patrimônio da Cyrela. O número de lançamentos, até junho deste ano, foi 50% inferior à quantidade lançada nos seis primeiros meses de 2015 e o preço médio acompanhou a quantidade lançada com queda de 44,7%. As vendas contratadas caíram 28,3% no semestre e a receita líquida atingiu R$ 1,452 bilhão (1S16: R$ 2,173 bilhões), queda de 33,2%, acompanhada por um recuou de 34,7% da receita líquida a apropriar no semestre. No 2T16, o lucro foi de R$ 45 milhões (R$ 61 milhões no 1T16 e R$ 118 milhões no 2T15). Por outro lado, a gestão conservadora e a solidez financeira garantem a liquidez da Cyrela.

DAYCOVAL
Fechou o 2T16 com lucro de R$ 69,2 milhões contra R$ 83,2 milhões no 2T15 (-16,9%), pressionado por maiores despesas com provisionamento para crédito, bem como a menor dinâmica de evolução desta carteira. Nesse sentido, o saldo da carteira de crédito ampliada encerrou o 2T16 com R$ 13,4 bilhões, crescimento de 2% em relação ao 1T16 e estável em relação aos últimos 12 meses. O índice de inadimplência acima de 90 dias (NPL) mostrou trajetória ascendente, ao sair de 0,8% no 2T15 para 1,3% no 1T16 e 1,8% no 2T16. Dessa forma houve reforço de provisionamento, observado pelo indicador PDD/carteira de crédito, que evoluiu de 4,6%, 6,3% e 6,5%, respectivamente. Dado o processo de desalavancagem, o índice de Basileia posiciona-se confortável, em 17,7%, logo com larga folga para suportar crescimento futuro do crédito, como se espera para 2017. No dia 11/08/2016, será realizado o leilão de recompra das ações preferenciais do Banco, referente à OPA anunciada em junho de 2015.

GERDAU S.A.
No 2T16 a Gerdau apurou lucro de R$ 73 milhões, 71,4% abaixo do lucro obtido no 2T15, em função do menor resultado operacional apresentado. A receita líquida teve redução de 4,7% em relação ao 2T15, principalmente, pelos menores volumes vendidos no mercado interno da ON Brasil e da ON Aços Especiais. O resultado financeiro foi negativo em R$ 23 milhões, reduzindo em 88,9% o prejuízo financeiro de R$ 207 milhões do 2T15. A variação do resultado financeiro ocorreu, basicamente, em função da variação cambial líquida positiva em R$ 433 milhões. Já a Metalúrgica Gerdau apresentou prejuízo líquido de R$ 35,5 milhões no 2T16, revertendo o lucro de R$ 31,4 milhões do 2T15.

GUARARAPES
Apresentou no 2T16 resultado bastante fraco, registrando lucro líquido de R$ 36 milhões, 51% menor comparativamente com o 2T15. Os fatores que explicam este relevante recuo são: o aumento da perda com provisão para devedores duvidosos, a redução da margem bruta nas operações de varejo devido o pior mix de produtos comercializados, o maior número de promoções e descontos e o aumento das despesas.

IGUATEMI
Apresentou no 2T16 lucro líquido de R$ 35 milhões, 26,7% menor do que no 2T15. Esta relevante queda no resultado é explicada pelo aumento dos custos, motivado pelo incremento nos custos com aluguéis e serviços devido o aumento de ABL (expansões do Iguatemi Campinas, Iguatemi São Paulo e Iguatemi Porto Alegre e adição de área no shopping Pátio Higienópolis ao portfólio). Outro fator que impactou de forma negativa o resultado foi o relevante acréscimo de 40% na despesa financeira líquida, explicado pelo impacto negativo do aumento do CDI sobre o endividamento.

OUROFINO
No 2T16, a Ourofino até conseguiu reverter o prejuízo de R$ 3,340 milhões do 1T16 para lucro de R$ 4,454 milhões, mas no semestre enquanto a receita líquida avançou 5,9%, para R$ 232,6 milhões, o lucro líquido recuou 95,8%, para R$ 1,114 milhão, função de maiores despesas operacionais e, principalmente, financeiras. Apenas a despesa financeira chegou a 14% da receita líquida do semestre.

POSITIVO
A receita líquida consolidada do 2T16 atingiu R$ 564,5 milhões (+25%), com o avanço de preços médios em todas as categorias de produtos. O acréscimo da receita em conjunto com economia de custos e despesas proporcionou lucro antes do resultado financeiro de R$ 41 milhões (prejuízo de R$ 5,905 milhões no 2T15) e lucro líquido de R$ 12,638 milhões no 2T16 (prejuízo de R$ 39,606 milhões no 2T15).

SÃO CARLOS
Registrou prejuízo de R$ 805 mil no 2T16, revertendo o lucro de R$ 83 milhões do 2T15, que havia sido impactado pelo ganho de capital de R$ 80 milhões referente à venda do CD Barueri. As despesas de depreciação, área vaga e financeiras relacionadas aos últimos empreendimentos entregues impactaram o resultado da São Carlos. Adicionalmente, os imóveis vendidos e em retrofit não geraram receita de locação no 2T16, levando a uma queda de 1% da receita líquida e no Ebtida recorrente. O resultado financeiro foi negativo em R$ 41,7 milhões, ou 7,7% maior do que o do 2T15. Houve aumento de 4,4% das despesas financeiras e queda de 8,7% das receitas financeiras, explicada pelo menor saldo de caixa médio entre os períodos, apesar da elevação do CDI.

SENIOR SOL
Obteve receita líquida recorde de R$ 20,531 milhões (+7,7% vs. 2T15), com destaque para o recorde da unidade de Software (+11,3% vs. 2T15). O lucro bruto foi de R$ 7,620 milhões (+12,9% vs. 2T15), com margem de 37,1% (+1,7 p.p. vs. 2T15). O Ebitda atingiu R$ 2,684 milhões (+27,3% vs. 2T15), com margem de 13,1% (+2,0 p.p. vs. 2T15). O lucro do 2T16, entretanto, caiu 14,5%, para R$ 2,13 milhões, com margem líquida de 11,8% (-3,0 p.p. vs. 2T15). A queda do resultado final é explicada pela ausência pontual de benefícios fiscais da Lei do Bem, já que em decorrência do cronograma de aprovação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, a linha IR/CSSL representou um débito de R$ 868 mil (vs. crédito de R$ 423 mil no 2T15).

TEGMA
A líder do segmento de logística de veículos zero-quilômetro no Brasil sentiu o arrefecimento da economia nacional e transportou 169 mil veículos no 2T16, 10% a menos que no 2T15. A receita líquida foi de R$ 229 milhões, 17% inferior a do 2T15 e prejuízo apurado foi de R$ 668 mil vs lucro de R$ 1.183 mil no 2T15.

V-AGRO
Apurou prejuízo de R$ 41,5 milhões no 2T16, revertendo o lucro de R$ 26 milhões do 2T15. A safra 2015/16 foi marcada pela presença do fenômeno climático El Niño que trouxe um forte déficit hídrico para a região do Mapitoba, bem como excesso de chuvas no Centro-Oeste na época da colheita. A ocorrência desse fenômeno prejudicou as produtividades da safra brasileira de grãos. A receita líquida totalizou R$ 213,9 milhões, valor 17,7% inferior ao 2T15, em decorrência, principalmente, da redução da receita de venda de produtos agrícolas em R$ 40,6 milhões.

Economia em Foco

IPCA sobe 0,52% em julho
Registrou variação de 0,52% em julho, acima do registrado em junho (0,35%). Com isto, no ano acumulou 4,96%, menos do que no mesmo período do ano passado (6,83%) e em 12 meses 8,74%, um pouco abaixo do registrado até junho (8,84%). O maior fator de pressão veio de Alimentação e Bebidas, com variação de 1,32% e participação de 65% sobre o índice mensal. No ano, este item acumulou 8,79%. Analisando as contribuições individuais, leite ajudou em 0,19 ponto percentual, aumentando 17,58%, seguido por feijão carioca, com alta de 32,42% e participação de 0,13 p.p.. Na direção contrária tivemos o recuo da cebola (-28,37%) e da batata-inglesa (-20,0%). Outras variações em destaque vieram de Despesas Pessoais, de 0,35% para 0,70%, Artigos de Residência, de 0,26% para 0,53%%, e Transportes, de -0,53% para 0,40%. O índice do IBGE, que acabou um pouco acima das projeções, não deve sofrer tantos impactos nos próximos meses, se mantendo no patamar médio mensal entre 0,5% e 0,6% até o final do ano. Estamos projetando entre 7% e 7,2% neste ano, recuando a 5,4% no ano que vem.

IGP-M fica estável na primeira estimativa de agosto
A FGV divulgou a primeira prévia de agosto, o IGP-M registrou variação nula (0,0%) contra 0,55% no mesmo período de julho. No ano, o IGP-M assinala alta de 6,10% e 11,33% em doze meses. No atacado, o índice passou de 0,47% para -0,13%, com Bens Finais e Intermediários passando de 2,27% para 0,30% e de 0,68% para -0,30%, respectivamente. No varejo passou de 0,28% para 0,33%, com aceleração em três dos oito grupos pesquisados. O INCC-M assinalou 0,10% em agosto, contra 1,69% em julho. A primeira prévia do IGP-M em agosto mantém expectativa de desaceleração do índice geral, motivado pelo preço do atacado, podendo ter reflexos, em breve, nos preços do varejo.

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