Passado o susto inicial com a eleição de Donald Trump, aliado a um discurso mais conciliador após sua vitória, as bolsas por fim reagiram também de forma inesperada, com o Dow Jones e as principais bolsas europeias fechando ontem em alta e o Ibovespa com queda menos acentuada. Nesta manhã os contratos futuros de Nova York seguem em alta, o que pode trazer a reboque o nosso mercado acionário. Assim o Ibovespa futuro operava, às 9h44, com alta de 1,28%. Por aqui ainda devemos destacar as várias divulgações de resultados do 3T16, com foco para os números já revelados do Bradesco e Banco do Brasil, enquanto a Petrobras sairão após o fechamento do mercado.

Foco Gráfico

O Ibovespa-futuro abriu em alta, mas precisando ultrapassar a resistência representada pelo topo imediato de 65.150 pontos para atingir aqueles formados em 65.615 e 66.300 pontos (comentário feito às 09:12 h e baseado no gráfico intraday de 60’).

O dólar-futuro mostra situação indefinida entre as retas de tendência. Desta forma, se ultrapassar a resistência imediata de R$ 3,246 poderá atingir a reta de baixa (R$3,259), enquanto que a eventual perda do suporte de 3,217 poderá dar chance para que seja atingida a reta de sustentação, que neste momento passa em R$ 3,187 (comentário feito às 09:12 h e baseado no gráfico intraday de 60’).

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Temporada de Balanços 3T16

BANCO DO BRASIL
Fechou o 3T16 com lucro líquido ajustado de R$ 2,337 bilhões, significando queda de 18,9%, contra o 3T15. Pesou contra o avanço do PDD em 13,9%, ao atingir R$ 6,644 bilhões. A carteira de crédito ampliada (considera avais, fianças e títulos privados) somou R$ 734,032 bilhões em setembro de 2016, com queda de 2,3% em relação a junho e 6,9% em doze meses. A carteira de pessoa física atingiu R$ 185,731 bilhões, com alta de 3,8% em 12 meses e queda de 0,9% no trimestre. Nesse portfólio, com exceção do financiamento imobiliário e do cheque especial, todas as modalidades recuaram em relação a junho. O pior desempenho foi das operações de financiamento a veículos, cuja carteira teve queda de 12,1% no trimestre e de 18,3% em 12 meses. A carteira de pessoa jurídica atingiu R$ 263,539 bilhões, com queda de queda de 4,1%, contra junho e de 9,4% em doze meses. As operações de micro, pequenas e médias empresas ficaram em R$ 74,909 bilhões, com queda de 7,7% e 18,3%. A carteira de médias e grandes empresas totalizou R$ 150,642 bilhões, com retração de 3,7% e de 6% em 12 meses. A inadimplência com atraso superior a 90 dias atingiu 3,51% em setembro, ante 3,27% em junho e 2,06% em setembro de 2015. Este indicador teria ficado em 3,07% se excluídos os efeitos das operações em atraso de um cliente específico, cogitando-se ser a Sete Brasil.

BRADESCO
Fechou o 3T16 com lucro líquido ajustado de R$ 4,462 bilhões no 3T16, o primeiro em que consolidou as operações do HSBC em seu balanço. Isto representa queda de 1,6% em relação ao 3T15. Se excluído da conta o efeito do HSBC, o recuo foi de 4,8%. A despesa com PDD atingiu R$ 5,742 bilhões, com avanço de 49,1% em relação ao 3T15 e de 14,3% na comparação com o 2T16. No entanto, houve o impacto significativo da consolidação do HSBC, que adicionou R$ 1,189 bilhão aos gastos do Bradesco com PDD. Sem isso, o aumento teria sido de 18,2%, na comparação com o 3T15. A carteira de crédito expandida perfez R$ 521,8 bilhões, incluindo os ativos vindos do HSBC Brasil. Desconsiderados os efeitos da consolidação do banco adquirido, o portfólio teria ficado em R$ 442 bilhões, com redução de 1,2% em relação a junho e de 6,8% ante setembro do ano passado. Sem considerar o HSBC, a carteira de pessoa jurídica teve retração em doze meses findos em setembro de 2016 de 10,8%, refletindo, principalmente, a queda no segmento de micro, pequenas e médias empresas (17,1%). O índice de inadimplência, considerando atraso acima de 90 dias foi de 5,35%, ante 4,64% em junho e 3,8% em setembro de 2015. O indicador teria ficado em 5,22% se não houvesse a consolidação do HSBC. Nas grandes empresas, o índice subiu para 2,03% em setembro, ante 0,79% em junho e 0,8% em setembro de 2015. Nesse caso, pesou o reconhecimento dos atrasos de um cliente específico, cogitando-se ser a Sete Brasil.

BRASKEM
A Braskem assinalou os primeiros sinais de retomada do mercado brasileiro, informando demanda pelas resinas PE, PP e PVC no 3T16 de 1,3 milhão de toneladas, representando expansão de 8% em relação ao volume demandado no 2T16 e de 6% em relação ao 3T15. Ainda assim, a receita líquida e o lucro líquido atribuído ao sócios da empresa controladora, comparados com o 3T15, recuaram 8% e 43%. O lucro do trimestre atingiu R$ 889 milhões.

CPFL RENOVÁVEIS
A empresa obteve um lucro líquido de R$ 47,8 milhões, contra R$ 25,9 milhões no 3T15. A receita líquida cresceu 25,9%, tendo em vista o start-up de alguns projetos de expansão, a margem Ebit subiu cerca de 1,2 p.p.. O resultado financeiro líquido negativo subiu 13,5%, tendo em vista a elevação do endividamento, necessária para fazer face aos investimentos em andamento.

ECORODOVIAS
Crescimento da receita líquida consolidada, do lucro bruto, do lucro da atividade e avanço das margens proporcionaram aumento do lucro líquido consolidado para R$ 70,4 milhões no 3T16 contra R$ 17,9 milhões no 3T16. Em nove meses, entretanto, a Ecorodovias acumula prejuízo de R$ 1,041 bilhão, função de impairment no valor de R$ 300 milhões, despesa financeira líquida de R$ 437 milhões e imposto de renda corrente e diferido de R$ 418 milhões.

ELETROBRAS
Obteve um lucro líquido de R$ 862,7 milhões, contra prejuízo de R$ 4.011,8 milhões no 3T15. A receita líquida cresceu 8,9% e observou-se redução em vários itens de despesa (energia comprada para revenda, por exemplo, de 13,6%), o que permitiu recuperação do resultado da atividade (positivo em R$ 863 milhões, contra negativo em R$ 3.722 milhões no 3T15). Por outro lado, o resultado financeiro líquido negativo subiu fortemente (+334,4%), corroendo parcialmente a melhoria operacional.

EZTEC
Foi mais um trimestre de baixo lucro, desta vez de R$ 48,8 milhões, queda de 53% frente o lucro de R$ 104,7 milhões no terceiro trimestre de 2015. A grave crise econômica brasileira impôs nova queda da receita líquida consolidada, que caiu 37,5% comparada a o 3T15.

MRV
Embora a receita líquida, de R$ 1,095 bilhão, tenha recuado 9,1% frente o 3T15, este foi o melhor trimestre de vendas líquidas do ano, tendo a margem bruta subido de 31% no 3T15 para 32,2,% no 3T16. O lucro do trimestre foi de R$ 149,8 milhões vs R$ 142,2 milhões no 3T15.

KROTON
Os resultados contábeis do 3T16 consolidam a adquirida Uniasselvi, que deu uma contribuição negativa ao trimestre. Por outro lado, houve atraso na abertura do sistema SisFIES para efetivação das rematrículas dos alunos FIES verificado durante o processo do 2S16. Por tais razões a demonstração dos resultados do 3T16 e do 3T15 podem ser definidos como incomparáveis. O balanço disponibilizado à CVM e Bovespa apresentou um prejuízo líquido de R$ 124,9 milhões, vs lucro de R$ 312,8 milhões no 3T15. A nota enviada pela empresa menciona lucro líquido ajustado de R$ R$ 452,7 milhões no 3T16, um crescimento de 11,1% em relação ao 3T15.

OI
A empresa fechou o 3T16 com prejuízo de R$ 1,051 bilhão, versus prejuízo de R$ 981 milhões no 3T15, tendo em vista a queda de 6,3% na receita líquida e acréscimo de 2,2% nas despesas operacionais. O resultado financeiro líquido negativo caiu 13,8%, compensando parcialmente o fraco resultado operacional. A situação operacional e financeira da empresa permanece crítica, com alta alavancagem financeira e contínua perda de margens.

RUMO
Apurou receita líquida de R$ 1.437,8milhões no 3T16, 5,9% superior ao 3T15. Nos 9M16, a receita foi de R$ 4 bilhões, alta de 12,7% ante 9M15. O EBITDA atingiu R$ 643 milhões no 3T16, 17% superior ao 3T15. No acumulado do ano o EBITDA foi de R$ 1,7 bilhão, crescimento de 16% em relação mesmo período do ano anterior. O prejuízo líquido subiu 34,6% ante o 3T15, atingindo R$ 58,8 milhões, enquanto no acumulado do ano o prejuízo chegou a R$ 276,6 milhões, ante R$ 237,5 milhões de perdas no 9M15.

ULTRAPAR
Resiliente ao ambiente macroeconômico brasileirio, a Ultrpar reportou receita líquida de R$ 19 bilhões no 3T16, 1% acima do 3T15. O Ebitda foi de R$ 1 bilhão, 9% maior que o 3T15. O lucro líquido consolidado atingiu R$ 380 milhões no 3T16, crescimento de 27% em relação ao 3T15, e acumulou R$ 1,135 bilhão até setembro.

VALID
A receita líquida foi de R$ 425,9 milhões no 3T16, 5,6% inferior ao 3T15. O EBITDA foi de R$ 75,3 milhões, 8,4% inferior ao apresentado no 3T15. O lucro líquido subiu 14,9% ante o 3T15, atingindo R$ 50 milhões.

Economia em Foco

O dia seguinte
As expectativas eram de que, confirmada a vitória de Trump nas eleições norte-americanas, haveria um movimento de sell-off forte nos mercados globais. Isto até chegou a acontecer, em parte, no Japão na madrugada da quarta-feira (bolsa caiui mais de 5%), mas, depois do discurso conciliador do presidente eleito, pregando a união da América, alguma cautela se fez presente. Agora, as expectativas são outras. Se voltam mais para saber qual será sua agenda, de fato, a raivosa das eleições, mandando deportar imigrantes e abrir uma guerra comercial com o mundo ou uma mais conciliadora e antenada com a realidade? Claro que medidas protecionistas devem ser anunciadas no futuro, até porque grande parte do seu eleitorado partiu das zonas afetadas pela globalização. Mas muito se comenta que mesmo obtendo maioria nas duas casas do Congresso norte-americano, Trump terá que negociar, e muito, com os próprios republicanos.

IPC-Fipe: registrou alta de 0,33% na 1ª quadrissemana de novembro, contra 0,27% na última divulgação. Dos sete grupos pesquisados, seis assinalaram aceleração: Habitação (0,20% para 0,35%), Transportes (0,71% para 0,72%), Despesas Pessoais (0,86% para 1,05%), Saúde (0,56% para 0,61%), Vestuário (0,32% para 0,49%) e Educação (0,06% para 0,11%). A desaceleração ocorreu no grupo Alimentação (-0,27% para -0,41%).

Estimativa da Safra 2015/2016: a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas totalizou 183,8 milhões de toneladas na décima estimativa, 12,3% abaixo da Safra 2014/2015 (209,7 milhões/ton). A estimativa da área a ser colhida recuou 0,7% sobre 2014/2015. Arroz, milho e soja, responsáveis por 92,5% da estimativa da produção, responderam a 87,8% da área a ser colhida. Houve acréscimo de 2,8% na área da soja e reduções de 1,3% e decréscimos de 1,3% e 10,2% nas áreas do milho e do arroz, respectivamente. Entre as Grandes Regiões, a produção recuou 2,1% no Sudeste (totalizando 19,7 milhões de toneladas), 14,7% no Norte (6,6 milhões de toneladas) e 40,1% na região Nordeste (9,8 milhões de toneladas).

PMC: Em setembro, pelo IBGE, as vendas no varejo recuaram 1% na comparação com o mês anterior pelo conceito restrito. Contra setembro/2015, a queda foi de 5,9%, acumulando em 2016 uma retração de 6,5% e -6,6% em doze meses. Das oito atividades pesquisadas, seis apresentaram variação negativa de agosto para setembro, com destaque para hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-1,4%) e móveis e eletrodomésticos (-2,1%). As vendas no conceito ampliado registraram queda de apenas 0,1% em setembro, motivadas pela retração na atividade material de construção (-3,1%), mesmo com alta de 2,9% na atividade de veículos e motos, partes e peças. As fracas vendas no comércio varejista continuam sendo impactadas pela diminuição do crédito/financiamento, dada a limitada capacidade de endividamento das famílias, pela queda da renda e elevado desemprego. As expectativas mais favoráveis seguem sendo postergadas para o próximo ano.

Agenda

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Econômica

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