O Ibovespa futuro indica uma abertura positiva para o mercado acionário local, acompanhando seus pares internacionais. Na Europa as bolsas operavam voláteis, mas conseguiam manter o sinal ligeiramente positivo, com avanço das empresas ligadas aos setores de energia e mineração. Estes são beneficiados pelas valorizações do petróleo e cobre. Os fatores internos que podem afetar o mercado acionário estão novamente mais atrelados ao cenário político, com o Senado realizando hoje uma sessão extraordinária para discussão da PEC do teto do gasto público, além dos reflexos da renúncia do ministro da Cultura, Marcelo Calero. No campo corporativo, destaque para o anúncio de uma reestruturação do Banco do Brasil (veja mais no item Curtas Empresas). Às 9h38, o Ibovespa futuro registrava alta de 0,79%.

Perspectiva – 21 a 25 de novembro

Projetamos que a próxima semana deva ser semelhante em termos de volatilidade e desequilíbrios dos mercados de risco em todo o mundo. Porém, aos poucos, as carteiras vão se reequilibrando e, portanto, os efeitos Trump podem ser menos graves. Isso, claro, se não houver nenhuma mudança brusca de rota que obrigue novos posicionamentos de carteiras.

Provavelmente daqui até o final do mês será possível intuir como nascerá o governo de Donald Trump e quais as pessoas que comandarão as equipes. Assim, será mais fácil intuir quais políticas serão adotadas e de que forma elas serão postas em prática. Com o quadro melhor desenhado, a tendência é de acomodação dos investidores.

Contudo, alertamos que o foco não é tão somente Trump. Existem outras questões que merecem destaque como o referendo da Itália com mudanças constitucionais e permanência ou não de Matheos Renzi no cargo. Brexit e Trump, como já chegamos a falar, podem ser início de um movimento anti-establishment das populações espalhadas pelo mundo.

De qualquer forma, o quadro que se desenha é de melhora do crescimento global e isso beneficia as empresas, a produtividade e os resultados. Por aqui a situação é mais complicada dada a alavancagem das empresas, endividamento e potencial desequilíbrio no câmbio, ainda que temporário. Também temos que considerar que acabamos a safra de balanços do terceiro trimestre, o que agrega menores riscos pontuais de ajustes.

Somos de opinião que a acomodação dos mercados pode levar a nova sequência de alta para as bolsas, especialmente a Bovespa que foi muito sacrificada no passado e está bem longe das máximas históricas alcançadas. Assim, seguimos acreditando na recuperação de patamares de 64.000 e 65.000 pontos. Porém, não podemos esquecer da correlação com os mercados no exterior. Vamos precisar da ajuda externa para voltar aos patamares perdidos.

Potencial dos Índices de Ações

Foco Gráfico

O Ibovespa-futuro abriu em alta, mas precisando ultrapassar a resistência imediata de 61.500 pontos para atingir a principal, situada em 62.105 pontos (comentário feito às 09:12 h e baseado no gráfico intraday de 60’).

O dólar-futuro penetrou na base do congestionamento em forma de triângulo e se perder também o apoio representado pelo fundo imediato de R$ 3,39 poderá cair até R$ 3,363 (comentário feito às 09:12 h e baseado no gráfico intraday de 60’).

Assista ao vídeo da Análise Gráfica

Economia em Foco

Atuação dos Bancos Centrais
A eleição de Donald Trump deve alterar o olhar dos bancos centrais norte-americano e brasileiro nos seus próximos passos. Por aqui, o corte da taxa Selic deve ser mais cauteloso na reunião do Copom dos dias 29 e 30/11. Antes defendido em 0,5 ponto percentual, deve ficar mesmo em 0,25 ponto percentual, não sendo surpresa se a taxa for mantida estável nos atuais 14,0%. A cautela aqui se justifica pela depreciação cambial dos últimos dias, em muito, pelo “efeito Trump”. Para o Fed o momento é mais delicado, pois nos seus discursos de campanha Trump sinalizou que aumentaria os gastos com infraestrutura e para estimular a indústria bélica e reduziria os impostos para os ricos. Isto deve acabar deteriorando o desempenho fiscal do País, podendo vir a gerar novas pressões inflacionárias. Sinais emitidos pelos diretores regionais do Fed e pela própria presidente, Janet Yellen, indicam uma elevação da taxa Fed Fund para “muito breve”, agora em meados de dezembro, mas ainda limitada a 0,25 p.p.. A dúvida, no entanto, se volta para o ritmo de elevações da taxa no ano de 2017, talvez não mais gradualista. Dúvidas também se voltam para a permanência, ou não, de Janet Yellen na presidência do Fed. Depois da eleição de Trump muito se falou sobre a sua renúncia.

Pesquisa Focus: As projeções para o PIB de 2016 passaram de -3,37% para -3,40%. Em 2017, a expectativa do PIB caiu de 1,13% para 1,00%. Sobre os dados de inflação, as expectativas do IPCA em 2016 caíram de 6,84% para 6,80% e ficaram em 4,93% no próximo ano. A perspectiva da Taxa Selic permaneceu em 13,75% ao fim de 2016 e em 10,75% ao fim de 2017. A expectativa para a Taxa de Câmbio ao fim de 2016 avançou de R$ 3,22 para R$ 3,30 e permaneceu em R$ 3,40 em 2017. Na Focus desta semana chamou atenção a revisão da taxa de câmbio para R$ 3,30, reflexo do efeito Trump sobre os mercados.

Agenda

Corporativa

Econômica

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