O vazamento da delação premiada de um ex diretor da Odebrecht, envolvendo Michel Temer e seu núcleo de governo, dá o tom negativo sobre o Ibovespa futuro, enquanto os contratos futuros de dólar e juros são negociados em alta. A piora na cena política ofusca, pelo menos neste início de negócios, a alta do petróleo e minério de ferro no exterior, além do aço na China, algo que normalmente beneficia as empresas destes segmentos e que têm peso relevante para o Ibovespa. No exterior também há expectativa para a reunião do Fed, que terminará na quarta-feira e pode sancionar elevação nos juros norte-americanos. As bolsas europeias operam com ligeiras quedas, enquanto os futuros de Dow Jones e S&P 500 oscilam na margem. O Ibovespa futuro, às 9h41, operava com queda de 1,11%.

Perspectiva – 12 a 16 de dezembro

A semana incorpora a decisão do Fed sobre política monetária, que por todas as declarações até aqui deve redundar em elevação dos juros, algo como 0,25%. Aparentemente isso já está embutido na precificação dos ativos, mas certamente trará consequências aos mercados de risco no mundo. Vai ser difícil sopesar essa decisão (caso ocorra), com todas as incertezas que ainda cercam o próximo governo de Donald Trump.

De qualquer forma, a economia americana vem ganhando força e deve ajudar a impulsionar o resto do mundo, especialmente emergentes produtores de matérias primas e produtos intermediários. O Brasil pode se beneficiar disso e de certas restrições que podem ser interpostas à China.

Já que falamos de China, o quadro por lá parece mais benigno, com o país demonstrando pelos últimos dados de que a tese do pouso forçado está sendo abandonada e o pouso suave é que deve prevalecer. O Japão é que também está animado com o governo Trump e efeitos da flexibilização econômica. Já na Zona do Euro os efeitos da decisão do BCE de alongar a flexibilização são positivos e devem produzir alguma aceleração no crescimento econômico da região.

Por aqui é que a situação segue complicada do lado político, com início das delações premiadas da Odebrecht trazendo ruídos para a classe política e cada vez mais próxima do Planalto. Aliás, ruídos também devem ser produzidos por conta da reforma da Previdência encaminhada para a Câmara e Senado. Do lado econômico, aparentemente o quadro melhorou e o governo parece ter ampla maioria para aprovar a PEC 55 no Senado (do teto de gastos), e com isso dar sequência para novas medidas micro de estímulo ao crescimento.

Mantemos nosso viés otimista de que a Bovespa pode encerrar 2016 em patamar superior ao atual, podendo atingir a proximidade dos 64.000 /65.000 pontos. Todavia, vamos precisar de maior auxílio dos mercados no exterior e redução dos desequilíbrios do momento.

Potencial dos Índices de Ações

Foco Gráfico

O Ibovespa-futuro abriu em baixa e atingiu a projeção (Fibonacci, representadas pelas retas tracejadas) situada em 59.700 pontos, mas depois de algum congestionamento para corrigir a velocidade da queda ainda poderá estendê-la até 59.000 pontos (comentário feito às 09:12 h e baseado no gráfico intraday de 60’).

O dólar-futuro experimenta nova recuperação e se ultrapassar a resistência imediata situada em R$ 3,431 poderá atingir o topo formado em R$ 3,444 (comentário feito às 09:12 h e baseado no gráfico intraday de 30’).

Assista ao vídeo da Análise Gráfica

Economia em Foco

Brasília em chamas
Caíram como uma bomba as delações premiadas, vazadas neste final de semana por um ex-diretor da Odebrecht. O presidente Michel Temer e todo o “núcleo duro” do seu governo foram citados por terem recebido vultosos recursos da empreiteira. Para o presidente foram R$ 10 milhões, “usados em despesas de campanha”; Romero Juca, conhecido como “Resolvedor da República no Congresso”, Moreira Franco (“Angorá”), Eliseu Padilha, e muitos outros, também estão nas listas. E o pior é que ainda teremos muitas delações pela frente. Balançam as estruturas do Poder e do Congresso em Brasília. Em reação, várias reuniões de emergência aconteceram, com as articulações a toda para tentar responder a estas delações. Fala-se numa agenda positiva sendo aprovada à “toque de caixa”. No mercado, a reação deve ser a pior possível (ver “De olho no Bovespa”). Muitos já começam a achar que o presidente Temer não emplaca 2018. A pesquisa Eurasia, por exemplo, antes desta confusão, tinha probabilidade de 20%, mas agora deve ser bem mais elevada. Na agenda da semana teremos ainda a votação da “PEC do Teto” e do Orçamento, e uma reunião do Fomc, na qual o Fed deve deliberar pela elevação da taxa de juros em 0,25 ponto percentual, a 0,75%.

Pesquisa Focus. Depois do tsunami deste final de semana, as estimativas da Focus, daqui para frente, devem começar a ser ajustadas com mais freqüência. Na pesquisa do dia 9, neste ano o IPCA acabou ajustado de 6,69% para 6,52%, a taxa de câmbio passou de R$ 3,35 para R$ 3,39 e o PIB aprofundou a recessão, recuando 3,48%, contra 3,43% na semana anterior. Para o ano que vem, o IPCA passou de 4,93% para 4,90%, o câmbio foi mantido em R$ 3,45 e o PIB crescendo 0,7%, menor do que na semana anterior (0,8%). Em paralelo, a Top 5 ajustou o IPCA de 6,60% para 6,49% neste ano, já dentro do teto do sistema de metas de inflação, em 2017 reduzido de 4,76% para 4,55%, quase no centro da meta. A taxa Selic foi reduzida a 10,75% em 2017 e o câmbio, neste ano, passou de R$ 3,35 para R$ 3,40 e no ano que vem, acabou mantido em R$ 3,50. Estas delações premiadas da Odebrecht devem colocar fogo nos mercados. Estas cotações acabarão bem ajustadas.

Agenda

Corporativa

Econômica

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