Em um ano em que a circulação ficou comprometida na maior parte do tempo, as empresas com presença no comércio eletrônico não tiveram do que reclamar. Não à toa, elas registraram na bolsa de valores algumas das maiores altas do ano.

A B2W (BTOW3) encerrou 2020 com ganhos de 21%, a Via Varejo (VVAR3) subiu 45% e o Magazine Luiza (MGLU3) avançou 110%. São varejistas que ou operam integralmente na internet – caso da B2W, dona do Submarino e da Americanas.com -, ou que têm forte pilar digital, caso das outras duas.

Elas encerraram dezembro entre as 20 maiores altas do ano do Ibovespa, o índice que reúne as principais ações da B3, a bolsa de valores brasileira.

Em 2021, porém, já devem encontrar um cenário diferente. Se, em 2020, encheram de lucros as carteiras de seus investidores, neste ano podem até dar algum ganho, mas bem para trás de uma série de outras empresas e setores que ainda têm uma recuperação inteira pela frente.

“Elas já chegaram muito perto de seu preço-alvo, então o potencial de crescimento não vai mais ser igual ao de 2020”, disse o economista-chefe do banco ModalmaisAlvaro Bandeira.

Isso já começou a aparecer nos últimos meses do ano. As ações do Magazine Luiza, por exemplo, bateram os R$ 25 pela primeira vez em outubro e, desde então, vêm andando em círculos ao redor desse valor.

A Via Varejo já caiu 24% desde seu pico, em julho, e a B2W murchou 40% desde a máxima em agosto, depois de ter subido 100% do começo do ano até ali.

Por essa razão, os especialistas ainda recomendam a compra dos papéis. “Tem outros setores que devem subir mais neste ano, como o bancário e o de commodities, mas uma carteira tem que ser diversificada e vale ter uma das três com certeza”, disse Bandeira, do Modalmais.

“Há ainda um fluxo grande de dinheiro estrangeiro para entrar na bolsa e o setor [de comércio eletrônico] continua indo muito bem, com todas as restrições que ainda devem permanecer”, completou.

A recomendação de Bandeira, porém, é eleger apenas uma das três para ter na carteira – “elas andam de maneiras mais ou menos parecidas”, disse. O economista recomenda Magazine Luiza ou Via Varejo.

 

Por Juliana Elias, do CNN Brasil Business, em São Paulo | Acessar matéria completa