Efeito Bolsonaro

A melhora dos mercados no segmento interno deve ser totalmente atribuída ao efeito Bolsonaro nas votações em primeiro turno. A presença do candidato nas urnas foi maior do que davam as pesquisas, inclusive de boca de urna. Além disso, Bolsonaro conseguiu elevar o partido nanico (Partido Social Liberal) para a segunda maior bancada de deputados (ainda perde para o PT). Fez ainda quatro senadores, quando não tinha nenhum. Temos que considerar que mudou a forma de pensar de muitos eleitores e acendeu o espírito antipetista.

Com as mudanças no Congresso Nacional e a não reeleição de cabeças coroadas como o próprio presidente do Senado, ficará mais fácil aprovar medidas de ajuste da economia e na política. Vamos ver qual será o comportamento de Bolsonaro e Haddad nesses dias que antecedem as eleições em segundo turno, mas é certo que Haddad perdeu palanques importantes como o de Minas Gerais, sem Pimentel e Dilma.

Os mercados poderiam ter reagidos até de forma mais forte na sessão de hoje, não fossem os problemas no exterior determinando mercados em queda. Destacamos três preocupações principais: 1) na China, o governo decidiu reduzir pela quarta vez no ano o compulsório bancário em 1,0%, permitindo a leitura de que a economia ainda segue desacelerando, ao mesmo tempo em que acusa os problemas com o comércio com os EUA 2) a Itália e seu déficit do orçamento de 2019 em 2,4% do PIB tem trazido problemas com relação as regras da União Europeia e causados transtornos internos e na região 3) a taxa de juros dos BTPs passou de 3,60%, novo recorde. Por fim, hoje foi dia de meio feriado no mercado americano e a liquidez observou forte contração.

Nos mercados, o petróleo WTI negociado em NY mostrava queda de 0,28%, com o barril cotado a US$ 74,13. O euro era transacionado em queda para US$ 1,149 e os notes americanos de dez anos com taxa de juros 3,233. O ouro e prata em larga queda na Comex e commodities agrícolas com viés positivo em Chicago.

No Brasil, era de se esperar um bom rali de alta que surgiu logo na abertura com o índice atingindo 87.333 pontos (+6,0%), mas depois perdeu força por conta de Vale em queda e realizações de lucros recentes. Mesmo comportamento para o dólar que abriu perto da mínima, e depois veio recuperando ao longo do dia. Mas para o final da tarde, novo processo de aceleração e volume transacionado muito forte, mesmo considerando o meio feriado americano.

Tivemos a divulgação do IGP-DI de setembro com alta de 1,79% (anterior em 0,68% e acumulando alta em 2018 de 8,54%). Em 12 meses, o IGP-DI mostra elevação de 10,33%. O IPC-S da primeira quadrissemana de outubro mostrou aceleração para 0,53%, vindo de 0,45%. A pesquisa Focus semanal do Bacen capturou essa alta da inflação e projeta o IPCA em 2018 de 4,40%(de anterior em 4,30%).

Os DIs encerraram o dia em queda de juros e o dólar fechou em queda de 2,40% e cotado a R$ 3,76. Na Bovespa, na sessão de 04 de outubro, os investidores estrangeiros sacaram R$ 27,1 milhões, mas o mês de outubro está positivo em R$ 739,8 milhões e o ano com ingressos líquidos de R$ 1,03 bilhão.

No mercado acionário, dia de queda da bolsa de Londres de 1,16%, Paris com -1,10% e Frankfurt com -1,36%. Madri e Milão com quedas de respectivamente 0,55% e 2,43%. No mercado Americano, o Dow Jones com +0,15% e Nasdaq com -0,67%. Na Bovespa, dia de alta de 4,57% e índice em 86.083 pontos. Destaque para as elétricas Eletrobrás e Cemig com chances de serem privatizadas num governo Bolsonaro. Petrobras também destaque com +11,02%.

Boa noite.

Alvaro Bandeira
Sócio e Economista-Chefe modalmais