No começo do ano de 2021, o Banco Central deu início à primeira fase do chamado Open Banking. Essa mudança promete trazer grandes impactos em diversos setores da economia, em especial, no mercado de crédito.

O aumento da competitividade pode indicar uma tendência de redução nos valores que são cobrados dos clientes, visto que será mais fácil migrar de uma instituição financeira para outra.

Para ajudar você a compreender melhor o que é o Open Banking e de que forma ele impactará o mercado, principalmente com relação ao crédito, elaboramos este artigo. Acompanhe para ficar por dentro dessas importantes mudanças!

O que é Open Banking?

O Open Banking, também conhecido como sistema bancário aberto, é um novo modelo bancário que abre a possibilidade para que clientes dessas instituições compartilhem seus dados de maneira mais fácil e dinâmica.

Expondo as informações para fintechs e bancos autorizados pelo Banco Central, esse modelo pretende ampliar a concorrência entre essas instituições, gerando melhores opções para os clientes.

De acordo com o próprio Bacen, por meio dessa sistemática, será estimulada uma maior competição, pois as instituições participantes poderão considerar a oferta dos concorrentes, escolhendo aquela que apresente condições mais vantajosas.

Para o consumidor, além de poder contar com melhores ofertas de produtos e serviços financeiros, ele também terá como gerir suas finanças de forma mais eficiente, controlando todas as informações em um único local.

O intuito do Banco Central é, pouco a pouco, ampliar o modelo para o Open Finance: uma evolução natural do Open Banking, mas que abarca todo o setor financeiro do país, como corretoras, plataformas de investimentos etc.

Quais os possíveis impactos do Open Banking no mercado de crédito?

Como foi abordado anteriormente, existem expectativas de que o Open Banking cause boas e importantes mudanças no mercado de crédito.

Em maio deste ano, de acordo com os dados do Banco Central, o crédito fornecido ao setor não financeiro alcançou um total de R$ 12 trilhões. Esse valor representa cerca de 157% do Produto Interno Bruto (PIB).

Além disso, o Bacen também informou que, no mesmo período, o crédito fornecido para empresas e famílias, foi de cerca de 6,9 trilhões de reais, o equivalente a 87% do PIB.

Ainda nesse mesmo relatório referente a maio de 2021, nota-se que o saldo de operações de crédito do  Sistema Financeiro Nacional (SFN) alcançou mais de R$ 4 trilhões em 2020. Em um comparativo de 12 meses, isso representa um crescimento na carteira total (que engloba pessoas físicas e jurídicas) equivalente a 16,1%.

O aumento dos números no mercado de crédito, em grande parte, decorre de programas de estímulo oferecidos, principalmente, a pequenas e microempresas, em decorrência da crise gerada pela pandemia.

Apesar desse aquecimento momentâneo, ainda existem certos obstáculos ao mercado, em especial, relacionados aos juros altos cobrados dos clientes para a contratação desse tipo de serviço.

Nesse sentido, o Open Banking traz a possibilidade de mudança dessa realidade, tornando o mercado mais competitivo. A seguir, listamos algumas das mudanças previstas para o mercado de crédito com a implementação do Open Banking.

Melhoramento na análise de crédito

A partir do compartilhamento de dados bancários, mediante autorização do cliente, fintechs e demais instituições participantes, poderão ter acesso mais simplificado às informações necessárias para validar ou não determinada oferta de crédito.

Se antes diversas informações eram inacessíveis, o que dificultava a avaliação do perfil pagador do cliente, agora isso será diferente.

É importante notar que essas mudanças não atingem apenas a etapa de consulta de cadastro básico do cliente, o número de contas etc., mas todas as informações necessárias para uma avaliação de risco eficiente.

Nesse sentido, será possível analisar inúmeros dados, como as receitas e despesas do usuário, o perfil de movimentações financeiras, os possíveis investimentos, os gastos no cartão etc.

Uma vez que a instituição tem acesso ao mapeamento completo do cliente, isso contribui para que os produtos e os serviços sejam ofertados de acordo com o perfil de cada um.

Redução do spread

O spread bancário é a diferença entre o valor pago por um banco ou uma instituição financeira para determinado serviço e o valor que ele cobra do cliente pela mesma solução.

Esse é um dos grandes vilões da economia brasileira, uma vez que o spread bancário é um dos maiores do mundo no Brasil.

Com a chegada do Open Banking, a tendência é que aconteça uma redução desse valor, uma vez que o cliente poderá escolher com mais facilidade a instituição que fornece a melhor proposta.

Ainda que o impacto seja pequeno no mercado de crédito, esse é um fator que não pode deixar de ser mencionado. Com a maior disputa pelo cliente, os fornecedores de crédito terão de oferecer melhores condições.

Oportunidade para novos entrantes

Outro impacto previsto com as mudanças é o fato de que facilitam a participação de novos distribuidores de ofertas de produtos e serviços de finanças.

Produtos como fornecimento de crédito e demais soluções, que antes eram monopolizados por grandes bancos, poderão, pouco a pouco, ser ofertados por empresas dos mais diversos segmentos.

Dessa forma, o Open Banking facilita o conhecimento do perfil dos consumidores, fazendo com que diversas soluções surjam. Assim, o cliente final terá condições de escolher aquela que mais se adequa a ele, sem precisar ser refém de instituições tradicionais.

Oportunidades para o varejo

O Open Banking abre diversas possibilidades para o setor de varejo. É possível citar, por exemplo, o fornecimento de operações de crédito que sejam mais eficientes. Por exemplo, gerando opções de parcelamentos e financiamentos mais condizentes com o perfil de cada cliente.

Ao ter acesso de maneira mais fácil às informações bancárias e ao comportamento dos consumidores, os varejistas podem adequar seus produtos para cada pessoa, personalizando as soluções.

Diminuição na inadimplência

Um ponto central dessa mudança, que favorecerá grande parte dos brasileiros, será a diminuição na inadimplência. Uma vez que as ofertas do mercado de crédito tendem a ser mais adequadas ao orçamento e às necessidades de cada cliente, o risco do não pagamento será menor.

Maior adesão à oferta de serviços financeiros

Outro ponto que tem tudo para ser impulsionado com a abertura dos dados, é a oferta de serviços financeiros adicionais.

Essa atividade pode gerar bons frutos, principalmente, no setor varejista. Isso ocorre quando a empresa passa a ofertar serviços que vão além de seu modelo tradicional de atuação.

Alguns exemplos são contas digitais da própria marca, cartões de crédito e débito e demais soluções voltadas ao crédito. Com uma análise apurada dos dados dos consumidores, essas ofertas serão mais certeiras e eficientes.

Quais são os desafios que existem com a chegada do Open Banking?

Ainda que, de maneira geral, o Open Banking apresente uma série de vantagens para as negociações de crédito, existem alguns desafios que precisarão ser enfrentados.

Segurança

Se, por um lado, a abertura de dados bancários possibilita uma melhor competição e oferta de melhores serviços aos consumidores, por outro, o compartilhamento dessas informações pode trazer certa desconfiança de alguns consumidores.

A fácil visualização de todo o histórico bancário, movimentações, valores investidos, números de conta e documentos, podem gerar certa insegurança em algumas pessoas. Dessa forma, será necessário um sistema de credibilidade que impeça ataque aos dados.

Regulação

Outro fator que merece atenção com relação aos desafios diz respeito à regulação do sistema. É necessário definir exatamente quais serão os dados disponibilizados e as regras necessárias para que isso aconteça de forma ética e com a ciência dos clientes.

Isso será fundamental tanto no cadastro daqueles que aderirem ao sistema, como no processo de transação e movimentação de contas e saldos dentro dessa nova realidade.

Como será o processo de implementação?

A implementação do Open Banking, embora seja importante e represente grandes impactos na realidade financeira brasileira, exige cuidado e atenção. Nesse sentido, a transição para esse sistema não é algo simples.

Por conta disso, o Banco Central formulou diretrizes para que todo esse processo ocorra em etapas, de forma a garantir a proteção de dados dos consumidores, prevista na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Dessa forma, quando o cliente autorizar a inclusão no novo sistema, o modelo adotado deve compartilhar:

  • dados de produtos e serviços oferecidos pelas instituições que participam do novo modelo, tais como localização de pontos de atendimento, características dos serviços e produtos ofertados, termos e condições de contrato, custos, entre outros;
  • informações cadastrais de cada cliente, contendo nome, filiação, endereço e demais dados necessários para identificação;
  • dados transacionais, como contas de depósito, operação de crédito e outros serviços contratados.

É importante que todo o processo ocorra de maneira transparente e que seja de fácil manuseio para o cliente, sem abrir mão da segurança.

Uma vez concluída essa primeira fase, outras três devem ter sequência para que a implementação do sistema possa ocorrer completamente.

Como é possível perceber, por meio do Open Banking, haverá uma grande revolução no setor financeiro do país, atingindo, dentre outros aspectos, o mercado de crédito.

As instituições tradicionais terão de procurar maneiras de se reinventar, buscando soluções inovadoras, muitas vezes, presentes em empresas mais jovens, como startups.

Essa mudança desestabiliza os monopólios do setor financeiro, fazendo com que não exista mais dependência dos clientes com os grandes e tradicionais bancos. No final das contas, quem sai ganhando com essa mudança é o consumidor.

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