Fechamento de 23/10/18

O dia começou com o encerramento do rali de dois dias dos mercados asiáticos invertendo durante a madrugada para fortes quedas. Pesou ainda a interpretação de que a economia da China está desacelerando, juntamente com a ampliação do risco geopolítico. A partir disso, tivemos mercados da Europa com perdas desde o início da manhã e futuros americanos em queda. No Brasil, começamos no mesmo tom negativo, mas, aos poucos, o quadro foi mudando, ainda sob o enfoque das eleições do final de semana. Além da pesquisa Ibope, que sairá no início da noite.

No exterior, persistem muitas dúvidas sobre as reações da Itália e União Europeia por conta do orçamento deficitário de 2019. O primeiro-ministro Conte disse não existir um plano “B” para o orçamento e que está ansioso para a reunião com a União Europeia para explicar. Na visão da União Europeia, não há alternativa que não seja pedir a revisão do orçamento. Foi dado o prazo de três semanas para tal. Segundo a própria União Europeia, os esclarecimentos não foram convincentes e o déficit pode ser excessivo diante da dívida pública. Aparentemente, estamos diante de um impasse.

Nos EUA, alguns presidentes de FEDs regionais não discursaram sobre política monetária, enquanto Bostic de Atlanta se disse confortável com altas graduais e entende haver ainda certa distância para chegar a taxa de juros neutra da economia. A inflação está girando ao redor de 2,0%, meta do FED. O secretário de Trump, Larry Kudlow, disse que o encontro do presidente americano com Xi Jinping na reunião do G-20 não terá discussão detalhada sobre a área comercial. Disse ainda que Trump quis anunciar mudanças tributárias antes das eleições de 6 de novembro.

O índice de atividade industrial de Richmond de outubro caiu para 15 pontos, de previsão de 24 pontos. Na sequência dos mercados no exterior, e faltando pouco tempo para encerramento, o petróleo WTI negociado em NY mostrava forte queda de 4,67%, com o barril cotado a US$ 66,12, no menor nível em dois meses. O euro era transacionado em leve alta para US$ 1,148 e notes americanos de dez anos com taxa de juros de 3,15%. O ouro e a prata operavam em alta na Comex e commodities agrícolas com viés de queda na Bolsa de Chicago.

No segmento local, destaque para a divulgação da prévia da inflação oficial medida pelo IPCA-15, com +0,58% em outubro e acumulando, em 2018, alta de 3,83%. Em 12 meses, a inflação está em 4,53%. Destaque de alta para combustíveis com +4,74% e diesel subindo 5,71%. Foi a maior taxa para o mês desde 2015, mas veio menor do que o previsto.

Na Bovespa, os investidores estrangeiros seguiram sacando recursos na sessão de 19 de outubro. Saíram R$ 615,0 milhões, deixando o mês de outubro negativo em R$ 1,69 bilhão e o ano com saídas líquidas de R$ 1,4 bilhão.

Nossa avaliação do mercado é que começa a existir mais fluxo de recursos para aquisições diante do otimismo de mudanças na política e isso tem feito a Bovespa assumir um comportamento distinto de outros mercados importantes da Europa e EUA. Na Europa, a Bolsa de Londres encerrou com perdas de 1,24%, Paris com -1,69% e Frankfurt com -2,17%. Madri e Milão com quedas de, respectivamente, 0,91% e 0,86%.

Na agenda de amanhã, teremos a confiança do consumidor de outubro pela FGV e fluxo cambial pelo BC. Nos EUA, as vendas de casas novas de setembro, estoque de petróleo na semana anterior, dados do Livro Bege (síntese da economia) e discursos de dirigentes do FED.

Boa noite.

Alvaro Bandeira
Sócio e Economista-Chefe modalmais