A aplicação financeira mais conhecida e utilizada pelos brasileiros completa hoje, dia 12 de janeiro, 160 anos.

Isso significa que deixar o dinheiro parado na poupança é fazer a mesma coisa que os avós, bisavós e tataravós faziam.
Poderia ser uma excelente ideia, se não existissem outras (e melhores) opções.

De qualquer forma, não são muitas as pessoas que conhecem a história e importância da caderneta de poupança no Brasil. Foi essa aplicação, criada a mais de um século e meio, que permitiu que muitas pessoas alcançassem liberdades que vão muito além da financeira.

Ao aceitar depósitos feitos por escravos, a poupança representou, no passado, uma importante ferramenta para que, ao guardar suas economias, parte da população escravizada conseguisse comprar, literalmente, a sua liberdade.

 

Quando a poupança foi criada?

A caderneta de poupança foi criada quando Dom Pedro II assinou o decreto nº 2.723, no Rio de Janeiro, 12 de janeiro de 1861. O texto, que autoriza a criação da Caixa Econômica cita, no capítulo I que uma das funções da Caixa seria “receber a juro de 6%, as pequenas economias das classes menos abastadas, e de assegurar, sob garantia do Governo Imperial, a fiel restituição do que pertencer a cada contribuinte”. Estava criada, assim, a caderneta de poupança.

E ela leva esse nome porque as aplicações eram anotadas, à mão, em um caderno: a caderneta de poupança.

Caderneta de Poupança de Joaquim da Costa / Caixa Econômica Federal. – Arquivo/Caixa Econômica Federal
Onze anos depois da sua criação, com a publicação do Decreto nº 5.153, de 13 de novembro de 1872, a Lei 2.040, a poupança foi regulamentada, para possibilitar o recolhimento de depósitos feitos por escravos.
Como essa é a aplicação mais antiga no Brasil, é também a mais conhecida. E o nome da aplicação é sinônimo de economizar e guardar dinheiro.

Até aqui, tudo certo. A poupança tem mesmo as suas vantagens: é uma aplicação acessível, fácil de fazer (e de sacar), tem liquidez diária, é segura e é isenta de imposto de renda, além de não haver nenhuma cobrança de taxas. Mas também existe uma desvantagem – e das grandes.

 

Remuneração: a grande desvantagem da poupança

Quando a poupança foi criada, há 160 anos, foi estabelecido que ela pagaria uma taxa de juros de 6% ao ano. Em um cenário como o de hoje, com a Selic em sua mínima história, essa até poderia ser uma taxa interessante. Mas não é mais assim.

As regras de remuneração atuais das cadernetas de poupança mudaram algumas vezes. Mais recentemente, em maio de 2012 ficou estabelecido que:

  •  Quando a meta da Taxa Básica de Juros, a Selic, for maior que 8,5% ao ano, o juros da poupança será de 0,5% ao mês + a Taxa Referencial (TR)
  • Quando a meta da Taxa Básica de Juros, a Selic, for menor que 8,5% ao ano, a remuneração da poupança será 70% da meta da Selic + a Taxa Referencial (TR)

 

No momento, a Taxa Básica de Juros é de 2%. Isso significa que a poupança rende apenas 1,4% ao ano.

Mas ainda existe a Taxa Referencial, certo? Certo. Mas isso não quer dizer muita coisa.
A Taxa Referencial foi criada em 1991, durante o Plano Collor, para tentar controlar a hiperinflação no Brasil. Ela surgiu exatamente para para substituir os índices de correção de rendimentos. mas, depois do controle da hiperinflação ela tem sido igual a 0. Isso mesmo: zero.

 

Opções mais rentáveis que a poupança

Quando não existia informação sobre investimentos e as opções eram limitadas, até que podia fazer sentido aplicar suas economias na poupança. Mas isso mudou. E está mudando cada vez mais.

Segundo dados da pesquisa anual Raio-X do Investidor, da Anbima divulgada em 2020, o produto preferido dos brasileiros que fizeram alguma aplicação foi justamente a caderneta de poupança. Mas esse número está, aos poucos, diminuindo.

Nos dados divulgados em 2019, 88% dos brasileiros que fizeram alguma aplicação financeira, usaram a poupança. No ano seguinte, esse número caiu para 84%. É pouco, mas pode ser um sinal de mudanças mais profundas.

Existem muitas opções de investimento tão seguras quanto (ou até mais) que a poupança e com uma rentabilidade muito melhor. As melhores opções vão depender do seu perfil de investidor e objetivo de investimento. Como estamos a poupança é uma aplicação mais conservadora, vamos falar aqui de algumas opções que carregam muitas das características da poupança mas entregam um rendimento bem melhor.

 

Tesouro Selic
Uma dessas alternativas é o Tesouro Selic, um título do Tesouro Direto emitido pelo Tesouro Nacional, com garantia do próprio governo. Na prática, é como se o investidor estivesse emprestando dinheiro para o governo pagar suas contas. Enquanto a poupança entrega apenas 70% da Selic como rentabilidade, o Tesouro Selic entrega 100% da Selic. Além disso, é tão seguro (ou até mais, na verdade) que a poupança, já que quem garante o investimento é o próprio Governo. O Tesouro Direto também tem liquidez diária, embora não seja imediata como a poupança. Também existe a incidência de imposto de renda sobre os rendimentos do Tesouro Direto mas se a intenção do investidor for deixar o dinheiro investido por pelo menos dois anos, a alíquota cobrada será a menor possível: de 15% – e apenas sobre os rendimentos.

 

CDB
O CDB é o Certificado de Depósito Bancário. Investir em um CDB é como emprestar dinheiro para uma instituição financeira e receber um juros combinado por isso. Esse juros pode ser prefixado, ou seja, determinado no momento do investimento, ou pós-fixado, atrelado a algum índice da economia, como o CDI, uma taxa que acompanha a Selic e fica sempre perto dela. Se a rentabilidade desse CDB for prefixada e superior à Selic ou se for algo em torno de 100% do CDI, a rentabilidade já será melhor que a da poupança.

 

Fundos DI
Os Fundos DI são fundos de investimento em renda fixa que investem a maior parte do seu patrimônio em ativos atrelados ao CDI ou à Selic. Dessa forma, a rentabilidade desses fundos estará sempre acompanhando a Selic.

 

Como aposentar a poupança de uma vez?

O primeiro passo para aposentar a poupança de vez é abrir uma conta digital e começar a investir em outras opções de investimento. Investir pode parecer complicado principalmente para quem não tem muito conhecimento sobre o assunto.

 

Para isso, a Investir Juntos, plataforma de educação financeira do modalmais, criou a Jornada da Autonomia: um curso completo com 26 aulas feitas por especialistas para ajudar quem está começando. Para clientes do modalmais, o curso e o acesso à plataforma de educação financeira Investir Juntos é 100% gratuito.  Basta fazer o simulador de perfil da Investir Juntos para receber login e senha da Área do Investidor por email.

 

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