O mercado das moedas digitais já vem se estabelecendo pelo mundo há alguns anos. O bitcoin é o mais conhecido e o precursor de outras criptomoedas que surgiram para competir nesse universo. Nesse cenário, o governo brasileiro publica a criação de um elemento chamado Real digital.

O Banco Central do Brasil divulgou essa notícia, e muitas dúvidas já surgiram. Como ainda existem poucas informações sobre o assunto, nós resolvemos discorrer um pouco mais sobre ele.

Neste artigo, respondemos algumas das principais dúvidas que podem surgir quando o assunto é Real digital. Continue lendo!

 

Com o Real digital, o dinheiro físico vai acabar?

Uma das primeiras perguntas que as pessoas costumam fazer quando ficam sabendo da criação de uma moeda digital é quanto à descontinuidade do dinheiro físico. A princípio, isso não acontecerá, pelo menos, não nos próximos meses.

O Real físico ainda é utilizado massivamente em diversas regiões do país. Mesmo que as transações online tenham caído no gosto das pessoas, não há como eliminar as moedas, pois sabemos que nem todos têm acesso a essa tecnologia.

Nesse sentido, a ideia principal do Banco Central do Brasil é que o Real digital complemente a moeda física. Assim, reduzindo ainda mais a utilização do papel ou das moedas no mercado de modo geral.

 

O Brasil criará a sua própria criptomoeda?

Outra dúvida comum é quanto à criação de uma criptomoeda nacional. Definitivamente, o Brasil não está criando um criptoativo. Apesar de tanto as moedas digitais, quando as criptomoedas existirem no mundo digital, há uma diferença muito grande entre elas.

As criptomoedas têm pouca regulamentação, visto que são descentralizadas.

Além disso, a pouca regulação favorece o surgimento de situações semelhantes ou até características de manipulação de preços. Por exemplo, uma pessoa influente pode afirmar que comprará determinado criptoativo, o que pode, consequentemente, elevar seu preço devido à alta demanda que isso poderia provocar.

Quando o preço do criptoativo estivesse em patamares elevados, essa mesma pessoa poderia vender os ativos e lucrar com a possível alta que sua fala poderia ter provocado até então.

Uma vez que o crescimento no preço foi ocasionado por uma simples declaração, que influenciou a tomada de decisão de milhares de players, inflando o preço do criptoativo e provocando benefício financeiro ao responsável pela fala, é válido considerar a atitude como uma forma de manipulação de mercado.

No mercado tradicional, de Bolsas de Valores espalhadas pelo mundo, isso seria considerado, pelos órgãos reguladores, um crime. Aqui, vale enfatizar, que, uma moeda emitida por um Banco Central, ainda que em meio digital, é regulada pela autoridade monetária do país.

Todas as decisões referentes a elas são centralizadas em uma única instituição governamental, que é responsável, também, pelo controle de suas transações.

Isso não acontece com as criptomoedas. Como mencionado, elas são totalmente descentralizadas, ou seja, não existe controle ou regulamentação por parte de um governo e seu Banco Central.

Para algumas pessoas, esse pode ser o melhor dos cenários. Afinal, não há interferência estatal em suas operações. Contudo, o risco de existirem especulações fraudulentas é muito grande.

Outra diferença fundamental é que, com o Real digital, você poderá comprar bens, pagar por serviços e enviar dinheiro para pessoas. Já os criptoativos são considerados títulos de investimento.

Nesse caso, para ter acesso ao valor das suas criptomoedas, você precisaria vender os ativos ao preço que o mercado está praticando. Assim, fica à mercê da liquidez e da cotação do dia.

 

Como deve ser a moeda digital brasileira?

Se o objetivo não é acabar com o dinheiro físico ou criar uma criptomoeda, qual seria o foco do Real digital? Para responder essa pergunta, mostraremos as principais funcionalidades que ele terá. São elas:

  • a possibilidade de integração com os sistemas de pagamento já existentes, facilitando a transferência de recursos entre pessoas físicas ou jurídicas sem utilizar a internet;
  • o estímulo a novos modelos de negócios e a facilitação de transações;
  • a criação da possibilidade de conexão com outros Bancos Centrais, facilitando operações financeiras com outros países;
  • o foco em tecnologia cujo objetivo é fomentar a criação de novos negócios que tragam mais eficiência para o nosso país.

Com base nessas diretrizes, o plano do Governo Federal é ouvir a população e inserir funcionalidades ao Real digital. Essas são as diretrizes para a criação da moeda virtual, contudo elas podem mudar de acordo com o debate com a sociedade.

 

Quais são as mudanças esperadas com o Real digital?

A criação dessa moeda, que pertencerá a uma nova categoria, as Central Bank Digital Currencies (CBDCs) abre um mar de oportunidades em nosso país. A primeira delas é a utilização da internet das coisas (IoT). Esse conceito permite o desenvolvimento de soluções inteligentes ligadas à rede mundial de computadores.

Com o real digital, o “dinheiro inteligente” passará a ser uma realidade e as soluções possibilitadas por ele não necessitarão da intermediação de agentes financeiros.

Apesar de ainda não ser possível definir com total certeza como será a utilização do Real digital no Brasil, é importante ter em mente que essa é uma discussão que crescerá muito nos próximos meses e anos. Em breve, notaremos uma verdadeira revolução com a criação dessa moeda digital.

 

Quando o Real digital passará a ser utilizado?

O anúncio da criação do Real digital foi feito pelo Banco Central do Brasil, no final do mês de maio de 2021. Contudo, nem o presidente da instituição ou o Ministro da Economia fixaram uma data para que a moeda entre em vigor.

Nesse sentido, o investidor deve ficar atento aos impactos que esse processo pode proporcionar aos seus investimentos e futuras movimentações financeiras.

Portanto, acompanhe as notícias relacionadas ao Real digital: as coisas podem acontecer muito rápido nesse universo. Contudo, para que ele comece a vigorar, ainda é preciso um longo caminho para superar algumas barreiras fiscais e monetárias em nosso país.

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