Em sua 240ª reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa de juros em 1% para 5,25%, conforme o antecipado por nós e precificado pelo mercado. A leitura do comunicado mostra viés marginalmente dovish vis-à-vis nossas expectativas. Isso decorre, principalmente, pela inflação ser projetada na meta ano que vem com um aumento da Selic a 7% neste ano.

O comunicado reforça a projeção de um avanço na mesma magnitude na próxima reunião, também conforme o antecipado. O Copom cita que pretende elevar a taxa Selic acima do patamar neutro. Ambos os fatos são características notadamente hawkish do documento.

Em termos de expectativas de inflação, o comunicado indica, com câmbio partindo de USD/BRL 5,15 (anterior: 5,05) que as expectativas para 2021 estão em 6,5% (anterior: 5,8%) e 3,5% (anterior: 3,5%) para 2022. Para 2023, as expectativas encontram-se em 3,2%. Os preços administrados nesses anos encontram-se em 10% (anterior: 9,7%) e 4,6% (anterior: 5,1%), respectivamente. O valor de 4,6% repete-se em 2023.

O cenário inflacionário destaca ainda que o Copom vê uma piora nos componentes inerciais da inflação, o que poderia provocar deterioração adicional das expectativas de inflação. Isso serve como justificativa para a elevação no ritmo de normalização para garantir a ancoragem das expectativas de inflação.

No cenário internacional, nota-se maior incerteza da autoridade monetária em relação ao ciclo econômico, principalmente no que tange desdobramentos sobre a variante Delta da covid-19, conforme esperado.

Finalmente, sobre a atividade local, o Banco Central reforça a tese de que as surpresas nos dados foram, no geral, positivas. Ou seja, sobre o cenário internacional e a atividade há, aparentemente, poucos riscos a serem monitorados.

Nossa leitura é de que o comunicado reconhece que a maior parte da pressão inflacionária seguirá concentrada no curto prazo. Como nossa expectativa contempla inércia maior para o ano que vem, vemos essa indicação do Copom como um viés dovish.

Em suma, o comunicado reforça a perspectiva de mais uma elevação da taxa Selic de 100bps na próxima reunião. Mantemos nossa projeção de que a taxa atinja 7,5% neste ano. Aguardamos agora a ata que será divulgada na próxima terça-feira para mais informações sobre a trajetória da taxa Selic.

Por Felipe Sichel, estrategista modalmais.