O comunicado reforça a projeção de uma elevação na mesma magnitude na próxima reunião e altera a parte que qualifica o ajuste da Selic como parcial. No caso, o Comitê agora aponta para a normalização da taxa de juros para o patamar neutro e alerta que uma deterioração das expectativas pode exigir uma redução mais tempestiva dos estímulos monetários. Dando uma leitura hawkish do comunicado.

O comitê reafirma ainda seu compromisso com a meta de inflação e, ainda, diz que a trajetória da política monetária pode mudar caso seja necessário.

O Copom altera sua descrição sobre o cenário externo ao reconhecer a recuperação mais robusta em alguns países desenvolvidos, devido aos estímulos fiscais e monetários. Contudo, pondera que a incerteza continua elevada e os riscos inflacionários nesses países trazem mais desafios para as economias emergentes.

Sobre a atividade econômica, o Banco Central reconhece que os últimos dados mostram um quadro mais dinâmico e de recuperação mais forte que o esperado, apesar da segunda onda também ter sido mais intensa do que a projetada. Ressalta ainda a queda significativa dos riscos da recuperação econômica e as revisões para cima nas projeções de crescimento.

As projeções no cenário básico, com trajetória FOCUS para juros e câmbio, saindo de USD/BRL 5,05, indicam inflação de 2021 em 5,8% (anterior: 5.1%) e 3,5% em 2022 (anterior: 3.4%). A projeção para os preços administrados neste cenário é de 9,7% neste ano (anterior: 8,4%) e 5,1% ano que vem (5% anterior).

Nota-se que as expectativas indicam, com a trajetória de juros extraída do FOCUS (2021: 6,25%; 2022: 6.5%), uma inflação no próximo ano ficando exatamente na meta, sendo assim uma indicação relevante.

Destaca-se também que o BC segue contemplando pressão inflacionária no curto prazo por conta, principalmente, de bens industriais. Adiciona-se a isso a lentidão da normalização da oferta, a resiliência da demanda e os impactos do cenário hídrico, mesmo com um alívio do câmbio (apreciação do real). Os efeitos do avanço da vacinação e a reabertura da economia sobre o preço de serviços foi mencionado, afirmando estar sob monitoramento pelo Comitê. Altera-se também a parte da inflação subjacente para descrever que essas voltaram a figurar acima do topo do intervalo compatível com a meta.

Em relação aos prêmios de riscos, destaca-se uma melhora recente nos indicadores da dívida pública. Apesar disso, a reunião enfatiza que prolongamentos das políticas fiscais que pressionem a demanda agregada e piorem a trajetória fiscal, podem deteriorar o cenário para os prêmios de risco do país.

Para a próxima reunião, esperamos uma nova elevação da taxa Selic de 0,75%. Mantemos a projeção de que os juros básicos cheguem a 6,5% neste ano e permaneçam no mesmo patamar no ano que vem. Aguardamos agora a ata de terça-feira para maiores informações sobre o debate no Copom.

Por Adriano Valladão, economista do modalmais