No meu primeiro contato com o Mercado Financeiro eu me senti retornando para um lugar onde eu já pertencia, mas ainda não havia me feito presente. Foi como voltar para uma casa que sempre foi minha, mas que estava só esperando o momento certo para me receber.

Computadores, redes interligadas, armazenamento, organização e classificação de dados, aplicação de informações obtidas através de análise para tomada de decisões em prol de um objetivo… São o que submergem um operador da Bolsa de Valores. Assim como, um profissional de Tecnologia da Informação. Área onde trabalho há exatos 20 anos e onde desenvolvi a minha carreira profissional até os mais altos cargos de gerência e direção.

Pela minha familiarização com todo a concepção do Mercado Financeiro, eu me aproximei sentindo muita segurança nos resultados positivos que eu poderia obter. E, como todo iniciante, ingenuamente, eu me aproximei subestimando quaisquer resultados negativos também.

A Bolsa de Valores possui uma fachada espelhada. Ela reflete os sonhos que quem olha para ela possui. E ainda além: ela reflete um futuro hipotético onde todos esses sonhos estão sendo realizados. E assim, ela atrai todos que a ela encaram, fazendo-os deixar os seus medos para trás e trazendo consigo todas as suas ganâncias. A fachada da Bolsa de Valores também emite sons. Vozes de pessoas extasiadas em comemoração de operações bem-sucedidas, alvoroçadas e excitadas com o crescimento do seu capital, vozes inflamadas em celebração… E você quer se juntar a esse coro! Mas a sua fachada é somente uma projeção. E no seu primeiro contato real com a Bolsa de Valores, essa fachada se desfaz. E a real Bolsa de Valores pode ser vista como ela é: um ambiente de trabalho como qualquer outro, onde profissionais se especializam nas mais variadas áreas, têm os seus horários e funções e recebem pelo que produzem. Sejam eles contratados por alguma empresa ou autônomos.

A Bolsa de Valores é justa. E ela é silenciosa. O operador autônomo da bolsa de valores, o trader, não tem concorrentes, não tem inimigos, não tem que estar atento ao trabalho de ninguém além do seu próprio. E ele trabalha interagindo unicamente com o seu computador, muitas vezes por horas, e muitas vezes, em total silêncio.

No meu primeiro contato real com a Bolsa de Valores, quando a minha fachada se desfez, eu a entendi de imediato. Ela era eu. E eu precisaria mais do que nunca me conhecer, ou eu me perderia ali dentro. Então eu comecei a minha jornada em busca de quem eu era como operador da bolsa. E eu mergulhei fundo, eu fui atrás de cada pedaço de informação que eu encontrava no caminho, cada livro, artigo, fórum… Eu passei por todo tipo de técnica, de gráfico, de fundamento de análise, de cálculo matemático… Eu armazenei conhecimento, organizei, classifiquei, apliquei e analisei. E então eu me encontrei. Eu consegui descobrir o trader que eu sou dentro da Bolsa de Valores.

Após me encontrar como operador da bolsa, eu precisei me encontrar dentro da minha própria vida. Porque o trabalho de um trader é inteiro calcado em disciplina. E a disciplina se estende da execução do planejado no seu operacional à execução do planejado no seu dia a dia. Você precisa estar todos os dias com a mente igual para executar todos os dias o plano igual.

Ser trader é ser responsável. A culpa é inteiramente sua. O mérito é inteiramente seu. E o silêncio impera à sua volta na maioria do tempo. Você precisa se conhecer profundamente e precisa conhecer profundamente o que você faz. Você precisa estar o tempo inteiro no controle de si mesmo. Ser trader é desafiador, por vezes árduo e fatigante, mas é também, acima de tudo, gratificante. Toda a sua dedicação é recompensada. E no final do dia, quando você deita a cabeça no travesseiro, esse silêncio da profissão é a sua paz.

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