O modelo de desenvolvimento que temos atualmente no mundo, embora tenha promovido diversos avanços tecnológicos e de qualidade de vida para as pessoas, está se mostrando cada vez mais escasso. As mudanças climáticas, os desastres naturais e a fome deixam claro que ele precisa ser revisto.

Nesse sentido, diversas empresas e empreendedores têm tomado iniciativas com o objetivo de transformar o atual capitalismo, buscando formas mais sustentáveis de desenvolvimento, que combata a inflação e repense os valores mais importantes de uma empresa para além do lucro.

Esse é o futuro do sistema econômico, o chamado capitalismo consciente. Por isso, elaboramos este artigo onde você encontrará as principais informações a respeito dessa nova tendência, os pilares que marcam essa mudança de paradigma, os benefícios dessa transição e como isso pode ser aplicado em seus investimentos. Acompanhe!

 

O que é o capitalismo consciente?

Para compreender a proposta de um capitalismo consciente, é importante entender como funciona o próprio capitalismo e por quais mudanças ele passou até chegar a essa nova tendência.

 

História do capitalismo

O desenvolvimento do capitalismo ocorreu de forma lenta e gradual ao longo da história. Desde o final da idade média, práticas comerciais passaram a ganhar destaque. Com o desenvolvimento das cidades, esse modelo de produção e circulação de mercadorias ganhou destaque.

De forma geral, podemos compreender o desenvolvimento do capitalismo em três etapas: comercial, industrial e financeiro.

O capitalismo comercial foi marcado por pequenas trocas entre os centros urbanos. Já o industrial, como o nome aponta, refere-se à produção de mercadorias em massa, por meio das indústrias.

O último momento do capitalismo é o atual, em que vivemos uma realidade de capitalismo financeiro. Globalizado, o sistema econômico é compartilhado por todas as pessoas do mundo que, por meio de investimentos, fornecem recursos para que as empresas e própria economia possam se desenvolver cada vez mais.

 

Mudança necessária

O capitalismo, em todas as suas fases, é pautado no acúmulo de riqueza e exploração dos recursos para gerar tal riqueza. Devido ao seu vasto desenvolvimento, esse sistema econômico possibilitou uma série de avanços, permitindo ao ser humano alcançar realidades de vida nunca antes imaginadas.

Contudo, também pela lógica desse sistema, muitos problemas passaram a surgir: a exploração de recursos causou impactos negativos ao meio ambiente, enquanto a concentração de capital, muitas vezes, favoreceu a desigualdade social.

Por conta dessa situação, a necessidade de mudança no sistema fica cada vez mais evidente. Curioso é que mesmo os grandes capitalistas defendem essa reformulação. Nesse sentido, ganha força a ideia de um capitalismo consciente.

 

Capitalismo consciente

O capitalismo consciente, como o nome sugere, é uma prática na condução dos negócios que leva em consideração os problemas que o sistema capitalista pode desenvolver. Dessa forma, empresas e corporações buscam meios para continuar se desenvolvendo, mas sem gerar prejuízos sociais e ambientais.

Assim, nesse estágio do capitalismo — que ainda é um paradigma em desenvolvimento — as organizações procuram investir em valores que ultrapassem a geração de lucro e que desenvolvam também valores intelectuais, sociais e ecológicos.

É importante compreender que esse conceito, bem como as práticas que marcam o seu funcionamento, não são invenções novas. De acordo com Marcos Augusto de Vasconcellos, Coordenador Geral do Fórum de Inovação da GCV/EAESP, práticas semelhantes remontam ainda à Idade Média.

 

Como funciona?

Um dos pontos mais interessantes do funcionamento desse novo modelo econômico é o seu rompimento com o paradigma fundamental do capitalismo. Historicamente, o sistema capitalista foi sustentado pela busca e geração de lucro. Esse novo modelo propõe grandes mudanças.

A ideia não é deixar de lado o lucro dos empreendimentos, mas trabalhar a ideia de que esse não deve ser o único aspecto levado em conta e, muitas vezes, nem mesmo o mais importante. A razão de existir das empresas, passa a ser outra.

Embora o resultado financeiro seja importante, no capitalismo consciente, o intuito dos empreendimentos volta-se ao impacto positivo na vida das pessoas, onde são adotados posturas humanizadas e o equilíbrio entre o desenvolvimento financeiro e políticas de sustentabilidade.

Essa é uma realidade já defendida por diversas empresas de grande escala, como a própria Amazon, a BMW e o Google. Uma das políticas centrais desse novo sistema envolve, por exemplo, o desenvolvimento com base em investimentos ESG, atrelando sustentabilidade ao crescimento econômico.

 

Quais são os pilares do capitalismo consciente?

Para compreender e divulgar melhor as ideias desse novo modelo econômico, foram desenvolvidos alguns pilares fundamentais. Cada pilar possui as suas características particulares, mas, para tornar realidade esse novo sistema, eles devem ser trabalhados de maneira integrada. Listamos e explicamos cada um deles. Acompanhe!

 

1. Propósito maior

O primeiro e principal pilar para o avanço de um modelo econômico consciente é a perspectiva de um propósito maior. Ou seja, é fundamental que as empresas e demais instituições pautem as suas ações em um propósito que ultrapasse a busca de lucro.

Nesse sentido, os empreendimentos precisam compreender de que forma querem impactar a sociedade. Simplesmente a busca por sucesso econômico não é suficiente e, em muitos casos, é prejudicial em termos sociais.

Cada vez mais pessoas procuram um propósito que vá além de salários altos e estabilidade econômica. A ambição, nesse sentido, é transformar o mundo por meio de ações que impactem positivamente a realidade, as pessoas e também o meio ambiente.

Dessa forma, o propósito da empresa passa a ser a chave fundamental para o alcance e a manutenção de bons funcionários, os chamados talentos, que estejam alinhados aos propósitos da corporação.

Construir um sentido social e humano nos colaboradores fortalece o sucesso a longo prazo. Portanto, buscar um propósito maior que o lucro é fundamental para a construção de um sistema econômico sustentável e humanizado.

 

2. Integração de stakeholders

Esse é outro ponto de enorme importância. De forma geral, stakeholder é qualquer indivíduo ou organização que é impactado pelas ações tomadas por uma determinada empresa. Ou seja, os stakeholders são a parte interessada no desenvolvimento e andamento do empreendimento.

Nesse sentido, podemos pensar tanto em acionistas, que financiam o desenvolvimento das empresas, como nos funcionários do negócio, que por meio de sua colaboração fazem com que o empreendimento se desenvolva, bem como nos consumidores.

Em relação aos funcionários, o capitalismo consciente propõe um tratamento humano e justo, fornecendo remunerações adequadas, planos de carreira bem estruturados e valorização do colaborador como peça fundamental da organização.

O mais importante de investir nisso é que quanto mais próximos ao propósito maior os colaboradores estiverem, melhor será o desenvolvimento da empresa. Os funcionários não são apenas operadores, são parte atuante do empreendimento.

Com relação aos acionistas, é importante buscar ações ESG, ou seja, de empresas que estejam com um crescimento sustentável e consciente, demonstrando o senso de responsabilidade social. Dessa forma, é necessário transparecer aos acionistas a geração de valores sociais.

Para além dos muros e finanças da empresa, também cabe ao empreendimento consciente levar em conta a sua relação com os seus consumidores — que deve ser pautada em harmonia e mutualidade de benefícios.

Em vez de pensar apenas nos benefícios de lucro existentes na venda de produtos ou prestação de serviço, é importante agir no intuito de valorizar a parceria e alinhar os propósitos que envolvem essa relação. Assim, tanto o consumidor quanto a empresa sentem-se parte de um propósito que seja maior do que o lucro ou o consumo.

 

3. Liderança consciente

Para que o propósito maior de uma determinada corporação possa ser traduzido em seus direcionamentos, é necessário que existam lideranças que reflitam esse propósito nas ações e estratégias tomadas pela empresa.

Dessa forma, para a promoção de um crescimento consciente, é fundamental que as pessoas que estão à frente do negócio tomem o devido cuidado para que as suas atitudes cativem os funcionários e demais stakeholders, no sentido dos propósitos maiores propostos.

Inspirando, desenvolvendo e transmitindo a cultura e os valores maiores, é possível motivar quem participa do negócio. Mas para que isso ocorra é necessário que também a liderança concorde com os propósitos elencados pela empresa.

Não basta, por isso, discursos vazios, cujo objetivo seja emocionar e cativar apenas visando o lucro. É importante que as lideranças do empreendimento de fato compartilhem dos valores que propõem. Mais do que o discurso, as atitudes são exemplares.

Fazer parte da nova tendência de capitalismo consciente significa transcender o discurso da sustentabilidade e da humanização. É necessário que esses valores se tornem práticas.

A liderança consciente, além de ser, muitas vezes, a personificação da empresa, é quem tomará as decisões que ditarão os rumos do negócio. O impacto que a organização pretende causar no mundo passa, necessariamente, por um posicionamento e ações coerentes de seus líderes.

 

4. Cultura consciente

O estágio pleno de um capitalismo consciente envolve um ambiente diário em que os valores desse novo modelo estejam inseridos. É importante que isso não ocorra de forma forçada, mas, sim, que faça parte da cultura do lugar.

Dessa forma, a empresa é um agente de transformação da sociedade não apenas por conta de seu modelo de produção ou prestação de serviço, nem por seu discurso institucional, mas pelas práticas que adota em seu cotidiano.

Com um ambiente consciente, os colaboradores passam a conviver diariamente com um novo modelo de pensamento e de vivência. É possível, assim, notar o propósito maior dentro do próprio ambiente de trabalho. Além disso, esses valores também serão disseminados para as esferas externas próximas à própria empresa.

Perceber que a corporação põe em prática aquilo que toma como propósito faz com que a relação de confiança entre os funcionários, consumidores e fornecedores seja cada vez maior. Essa situação permite maior credibilidade para o empreendimento, além do engajamento de seus stakeholders.

Um negócio determinado a seguir o modelo de capitalismo consciente procura, para além de mudar os seus discursos e objetivos, traduzi-los em práticas em suas próprias atividades. O exemplo e as atitudes são o principal motor para a mudança e o impacto que se deseja promover.

 

Quais são os benefícios do capitalismo consciente?

Como apontado, o intuito do capitalismo consciente é desenvolver um sistema de produção e circulação de mercadoria que não promova malefícios ao meio ambiente nem à sociedade de uma forma geral.

Dessa forma, esse novo modelo econômico, antes de mais nada, procura promover o bem-estar da população. Por meio de posicionamentos humanizados e ambientalmente corretos, as empresas conscientes permitem uma vida mais saudável e feliz em diversos aspectos.

Alcançar o paradigma de um modelo capitalista que tenha consciência de seus impactos no mundo e que vai além da sua preocupação com o lucro, permite um melhor convívio tanto entre pessoas, como entre o ser humano e o meio à sua volta.

Em termos práticos, uma realidade em que todas as empresas (ou a maior parte delas) adotem o modelo consciente promoverá menos impactos ambientais e sociais. Nesse sentido, os benefícios são múltiplos, principalmente se levarmos em conta os impactos a longo prazo.

 

Como esse conceito se aplica nos investimentos?

Embora o lucro não seja o motivo central desse novo modelo de desenvolvimento, ele não deixa de existir e continua sendo peça fundamental para o funcionamento do negócio. Dessa forma, além de promover o bem-estar social, essa forma de empreender também gera lucro aos seus acionistas.

É importante compreender que o crescimento consciente é uma tendência cada vez maior no mercado. O atual sistema de desenvolvimento é insustentável, o que faz com que sejam necessárias novas medidas para continuar crescendo de forma mais saudável para o mundo todo.

Por causa disso, o próprio mercado tem estabelecido meios que encorajam e estimulam ações conscientes. Um excelente exemplo é o índice ESG, que promove a valorização dos empreendimentos cujas atitudes são voltadas ao desenvolvimento sustentável.

Dessa forma, para além dos benefícios sociais e ambientais que o novo modelo econômico promove, os investidores dos mais diversos perfis podem ganhar com ele. Ao contrário do que pode parecer em um primeiro momento, é possível lucrar — ainda que o lucro não seja o objetivo principal de um empreendimento.

O capitalismo consciente é uma tendência que cresce cada vez mais no mundo, sendo defendida e estimulada pelas maiores corporações do planeta. A busca por um modelo econômico sustentável, que ajude a combater problemas como a inflação e o aquecimento global, é necessário e urgente.

Como você pôde perceber ao longo do texto, existem certos pilares que sustentam essa nova proposta de sistema, e ela tem sido estimulada pelo mercado financeiro, sendo vantajoso investir em empresas conscientes, principalmente pensando a longo prazo.

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