A sociedade está cada vez mais comprometida em desenvolver boas práticas que sejam sustentáveis. A sigla ESG ganhou destaque no mercado em decorrência das novas exigências sociais.

A prática da sustentabilidade, inclusive, tem crescido entre os jovens brasileiros, de acordo com um estudo apresentado pela PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul).

Nesse movimento, as companhias estão empenhadas em transformar os seus processos para atender às novas necessidades sociais. Dessa forma, a sustentabilidade também está apresentando reflexos no mercado financeiro. Com a pandemia do coronavírus, esse cenário tem sido potencializado.

Neste artigo, você vai descobrir tudo sobre o ESG, o que significa e como investir em empresas dessa categoria. Continue a leitura e saiba tudo sobre assunto!

 

O que significa ESG?

A sigla ESG vem do inglês e é a abreviação de environmental, social and governance — ou ambiental, social e governança. Trata-se de três pilares que estão se consolidando como diferencial competitivo nos negócios atualmente.

São os três principais fatores usados como critérios para mensurar o compromisso sustentável e o impacto ético de um investimento realizado em determinada empresa.

Nesse contexto, são os aspectos que os investidores estão cada vez mais analisando na hora de escolher uma ação para investir. Essa é uma característica vista em todos os perfis de investidores e, principalmente, aqueles que atuam na modalidade buy and hold.

O número de investimentos que atendem aos critérios de ESG tem crescido rapidamente, desde o início desta década. A tendência é que eles ainda ganhem mais velocidade e destaque no mercado financeiro.

Uma característica em comum dos investimentos ESG é que eles apresentam uma performance superior, quando comparados a outras categorias de ativos financeiros.

Os fundos de ações, categorizados como sustentáveis pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), têm apresentado um desempenho positivo durante o cenário de crise causado pela Covid-19.

O motivo desse resultado é em decorrência de diversos fatores, mas, principalmente, da mudança no comportamento do consumidor, que também utiliza o critério de sustentabilidade na hora de comprar de determinada marca.

Outro fator que merece destaque é o desempenho financeiro apresentado pelas empresas detentoras dessas ações. O investimento em rotinas sustentáveis é responsável não somente por aumentar o faturamento, mas, também, por contribuir para a redução de custos operacionais.

Os investidores avaliam as informações que constam no mercado sobre as empresas e, hoje, ainda contam com o relatório de sustentabilidade que essas organizações divulgam. A seguir, saiba mais sobre os fatores ESG.

Ambiental

No fator ambiental, os investidores podem considerar diversos critérios na hora de optar por ativo financeiro. Dentre os de destaque, podemos citar:

  • poluição;
  • tecnologia limpa;
  • emissão de carbono;
  • uso de recursos naturais;
  • eficiência energética.

Para reforçar ainda mais a questão ambiental, em 2015, a ONU (Organização das Nações Unidas) divulgou um Guia de Sustentabilidade Empresarial. Esse documento também é uma referência na hora de realizar a análise ESG.

 

Social

O fator social diz respeito a todo impacto que uma entidade privada pode causar ao seu ambiente. No que tange ao desenvolvimento sustentável, essa qualidade corresponde às ações preditivas e corretivas que as empresas adotam, com o fim de melhorar questões sociais.

No que diz respeito ao fator social do ESG, temos os seguintes critérios:

  • privacidade e segurança de dados — o que significa que, independentemente da LGPD (Lei Geral da Proteção de Dados) só começar a valer em agosto de 2021, o tema é extremamente atual;
  • políticas e relações de trabalho — em resumo, é a forma como a empresa trabalha o seu employer branding e a experiência do colaborador;
  • treinamento da força de trabalho — esse critério tem, sim, um viés social, mas também esbarra no próprio desenvolvimento da empresa ao reter talentos cada vez mais capacitados e com know how do negócio;
  • política de inclusão e diversidade — é um tema bastante discutido no Brasil, que ainda é embrionário, pois muitas empresas praticam a diversidade, mas não são, de fato, inclusivas;
  • direitos humanos — tem a ver com toda a forma que qualquer tomada de decisão do negócio acontece, se elas consideram esse aspecto.

 

Governança

Antes de listamos os critérios que são observados no fator de governança corporativa, é interessante esclarecer o que significa esse conceito.

De maneira resumida, a governança corresponde a todo o conjunto de políticas, processos e boas práticas implementado em uma organização e que regula o controle da empresa.

As organizações que são categorizadas como S.A, ou Sociedades Anônimas, têm uma legislação própria. Nela, está definida a criação de um conselho de administração que, juntamente ao CEO, realiza a gestão da organização.

Nesse sentido, eles são os responsáveis por definir e executar as decisões relacionadas à governança corporativa. No que se refere ao ESG, entre os critérios que dizem respeito a essa temática, podemos citar:

  • diversidade na composição de membros do conselho;
  • transparência e ética;
  • remuneração do conselho de administração;
  • independência do conselho.

 

Por que investir em ESG?

Todo investidor busca aumentar o seu patrimônio e opta por ativos atraentes no mercado.

Por isso, investir em ESG é uma boa opção para qualquer perfil de investidor. A boa performance desse segmento de ativos é um atrativo que indica a tendência da sua valorização a longo prazo.

 

Fundos ESG no Brasil

Se você é um investidor iniciante, com certeza, deve estar se perguntando sobre quais são os ativos comercializados na B3 que se enquadram na categoria ESG.

De acordo com a Anbima, a implementação de investimentos dentro da classificação ESG ainda está em estágio inicial no Brasil.

Hoje, os investidores encontram 20 opções de fundos de investimentos, sendo que elas são de ativos de multimercado, previdência e ações.

Um relatório apresentado pela Anbima, em janeiro de 2020, mostra que o potencial de crescimento dos investimentos ESG é grande. Atualmente, somente 11% das empresas contam com uma equipe própria para avaliar os investimentos dessa categoria.

Os ativos que são mais submetidos à análise ESG do mercado financeiro são, na respectiva ordem:

  • renda variável (44,44%);
  • private equity/venture capital (41,98%);
  • renda fixa corporativa/crédito privado (34,57%);
  • renda fixa soberana (9,88%);
  • outros (6,17%).

Fundos ESG no exterior

De acordo com o relatório disponibilizado pela Global Sustainable Investment Alliance 2019, os fundos de investimentos no cenário internacional alcançaram um estoque surpreendente de US$ 30,7 trilhões no último ano.

A Europa concentra cerca de 50% de investimentos ESG. Além disso, os ativos ESG mais procurados no exterior, por tipo, são:

  • ações (51%);
  • renda fixa (36%);
  • imobiliário (3%);
  • private equity/venture capital (3%);
  • outros (7%).

É interessante destacar que, nos países onde fundos ESG apresentam um estoque menor, há um crescimento acelerado dessa categoria de investimento. Esse é o caso, por exemplo, do Japão, que teve um crescimento de cerca de 300%, entre os anos de 2014 e 2018.

Dentre os critérios mais utilizados na hora de realizar a análise de investimentos ESG, os investidores internacionais consideraram o filtro positivo, ou best in class, como a melhorar estratégia. Em média, 36% dos traders usam esse critério.

 

Qual é a sua importância?

Como a sustentabilidade tem se firmado como um critério importante na hora dos consumidores optarem por uma marca, essa qualidade acaba ditando o comportamento das ações dessas empresas no mercado. Não é possível acertar todos os resultados, mas prever uma tendência é viável.

Dessa forma, quando o investidor coloca na sua análise os critérios ESG, ele consegue realizar essa previsão. Isso permite que ele fique menos exposto ao risco ao desenvolver avaliações com maior qualidade de informação.

A análise ESG possibilita que riscos, que não são identificados por meio de outros métodos tradicionais, sejam antecipados. Para aqueles investidores que atuam como buy and hold, é muito importante atentar-se a esse detalhe. Caso contrário, o investimento que deveria ser seguro e trazer um retorno ao longo dos anos pode ser uma “canoa furada”.

Pela análise do histórico do cenário internacional, observa-se que os investidores foram estimulados a procurarem por ativos ESG de maneira voluntária. Logo, com o incentivo como resposta do mercado, no contexto brasileiro, é reforçada a tendência de crescimento rápido dessa categoria de investimento.

O fato é: as organizações que não investirem em boas práticas sustentáveis e em tecnologia vão perder espaço no mercado. E, com elas, “afundam” aqueles investidores que não perceberam o movimento de perda competitiva.

 

Quais análises são possíveis?

Quando pensamos nas análises realizadas na hora de investir em um ativo, saiba que, no que  compete aos investimentos ESG, existem diversas estratégias que podem ser implementadas.

Você pode efetivar mais de uma estratégia na hora de realizar as suas análises. No entanto, é interessante que você tenha em mente que há critérios que podem pesar conforme o segmento de atuação da empresa responsável pelo ativo.

Por exemplo, suponhamos que você está em um processo analítico referente a uma ação de uma organização que atua em um segmento que causa impacto ao meio ambiente. Aqui, você deve pensar que, naturalmente, o mercado vai cobrar dessa empresa mais ações sustentáveis que reduzam e reparem os danos causados.

Conhecer e compreender essas particularidades faz com que a sua análise seja bem mais precisa. Além disso, é essencial acompanhar as notícias de decisões de chefes de Estado, acontecimentos climáticos etc.

Continue a leitura e conheça mais sobre os modelos de estratégia ESG.

 

Investimento de impacto

Para você, o que seria um investimento de impacto? Quando tratamos de ESG, os investimentos de impacto são aqueles direcionados para segmentos e empresas que têm foco em ações de impacto social e ambiental. Para tanto, é fundamental que seja possível fazer a mensuração desses efeitos.

Nesse tipo de análise, o desempenho do ativo depende do resultado da soma entre o impacto gerado, à sociedade e ao ambiente, e do retorno financeiro.

Pode parecer difícil visualizar um exemplo de ativo que entra nesse critério, mas, para facilitar, sempre pense no propósito da empresa quando você for analisar um ativo.

A Tesla, por exemplo, é uma empresa que tem como propósito desenvolver modelos de automóveis que usam a energia elétrica. Ela traz uma solução de mobilidade e ambiental. Para se ter uma ideia, durante o auge da pandemia de Covid-19, ela apresentou rentabilidade. O resultado faz parte de uma série histórica, contabilizando a quarta vez consecutiva.

 

Filtro positivo

A análise de ativos por meio do método de filtro positivo acontece quando há a inclusão daqueles que atendem aos critérios de ESG. O investimento temático é uma alternativa dentro do método de filtro positivo, pois ele atua selecionando critérios mais específicos.

Investimento temático

A modalidade de investimento temático é quando o investidor seleciona um ativo pelo tipo de solução que a empresa pretende proporcionar à sociedade. Um exemplo prático são as organizações que atuam no segmento de energia limpa.

Inclusive, uma das tendências observadas no Brasil é a procura por ativos do etanol. Esse biocombustível é de origem renovável e tem uma taxa de 0% em emissão de gases poluentes causadores do efeito estufa.

Hoje, o nosso país só perde para os Estados Unidos na produção do etanol combustível. O líder de mercado tem a sua produção focada no insumo do milho, enquanto a nossa produção vem dos canaviais.

Além disso, existe um estímulo do Governo para que esse combustível ganhe ainda mais destaque. Afinal, o automóvel movido a etanol foi desenvolvido no Brasil, como uma alternativa à gasolina durante a crise do petróleo, na década de 1970.

Best-in-class

Esse método de análise de investimentos ESG é uma das subcategorias do filtro positivo. Porém, ele tem uma característica peculiar: os ativos são avaliados na modalidade de ranking.

Assim, o investidor define quais são os critérios a considerar na hora de avaliar um ativo ESG. É interessante colocar em prática esse tipo de estratégia, porque ela permite, por exemplo, identificar alguma vantagem competitiva entre negócios que atuam no mesmo segmento de mercado.

 

Engajamento corporativo

A estratégia que usa como critério o engajamento corporativo considera o quanto os acionistas têm de poder na hora de definir quais são os próximos do negócio, ou seja, o quanto que eles têm de participação acionária.

Nesse modelo de gestão de ativos, em vez de os investidores optarem por vender as ações e adquirirem outras de uma empresa ESG, eles pressionam a organização para que implemente decisões que englobam um plano de desenvolvimento sustentável.

Na prática, isso acontece até com organizações que já adotam decisões ESG. A tendência é que os investidores passem a cobrar ainda mais das organizações esse posicionamento. Com o tempo, ser ESG já não será mais um diferencial competitivo, mas uma característica inerente a todo negócio.

 

Integração ESG

Na estratégia de análise que considera a integração ESG, são avaliados cada um dos critérios sustentáveis: meio ambiente, social e governança corporativa.

Essa metodologia é interessante, porque permite uma avaliação do impacto que diversas interfaces podem causar ao desempenho financeiro de um ativo.

 

Filtro negativo

Essa é a metodologia de análise mais utilizada em todo o mercado financeiro. Nessa estratégia, os ativos são desconsiderados quando é identificado que eles não atendem a critérios ESG, como as normas das organizações, sejam elas nacionais ou internacionais.

Além disso, outro fator que é considerado nessa análise são as preferências do investidor. Quando ele vai buscar por um ativo, a tendência é que ele opte pelos investimentos em segmentos de negócio com os quais ele se identifica.

 

Por tipo de ativo

Há outros critérios que podem ser implementados na sua análise de ativos ESG, como a metodologia qualitativa. É possível fazer isso considerando-se a categoria do investimento.

 

Renda fixa

Os investimentos categorizados como renda fixa são aqueles que têm a sua rentabilidade já estimulada. Eles são ótimas opções para quem deseja fazer um fundo de emergência. Os principais investimentos em renda fixa são:

Para os ativos de renda fixa, você pode usar os seguintes critérios:

  • crédito — nessa estratégia, analisa-se quais são as ações da empresa que podem impactar na sua capacidade de pagamento;
  • rentabilidade — talvez um dos parâmetros mais usados na hora de selecionar um ativo, no qual o investidor valida como está a performance financeira do investimento, comparando-o a outros de mesmo segmento e relevância no mercado;
  • prazo — aqui, é considerado o tempo de liquidação do investimento.

Renda variável

Os ativos de renda variável são opções de investimentos mais voltadas para perfis menos avessos ao risco. Afinal, a sua rentabilidade não é predefinida. Ou seja, o investidor só vai saber se rentabilizou ao final do tempo de exposição do ativo. Os principais ativos em renda variável são:

 

Para os ativos de renda variável, é possível implementar as seguintes estratégias de análise:

  • sensibilidade — essa é uma análise mais complexa, pois ela avalia os possíveis cenários e as políticas ESGs que seriam mais adequadas em cada um deles;
  • evaluation — nesse modelo, o investidor busca identificar o valor justo do ativo, ou seja, o valor presente é encontrado ao descontar o de fluxos de caixa futuros;
  • forecasts — esse método de análise avalia como as estratégias de investimento devem impactar na performance financeira do negócio.

 

Como é o seu funcionamento?

No Brasil, os investimentos ESG estão regulados por muitas diretrizes, sendo que as principais são apresentadas por meio das Resoluções 4.327 e 4.661. Desenvolvidas e implementadas pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), elas tratam sobre as políticas de responsabilidade socioambiental implementadas pelas instituições financeiras do país.

Porém, o funcionamento do ESG ainda vai passar por muitas transformações, e novas diretrizes devem surgir. Afinal, esse segmento de ativo é relativamente novo por aqui, e muito ainda há de ser ajustado.

 

Investimento em ESG

Para começar a investir nessa categoria de ativo, não existe segredo. Somente é preciso considerar a metodologia de análise que você vai utilizar: o objetivo é identificar o investimento que tem mais potencial para que você possa alcançar as suas metas.

Na hora de realizar o estudo, além de pensar nas estratégias apresentadas no início deste artigo, é interessante:

  • verificar o quanto estão claras e alinhadas às tomadas de decisões ESG com o propósito do negócio;
  • validar a qualidade das informações, bem como a sua frequência de compartilhamento com os investidores — ou seja, se há transparência da marca com os stakeholders.

 

Hoje, você pode começar a investir em ativos ESG com valores mínimos, sendo uma oportunidade de investimento para iniciante. No entanto, tenha atenção às taxas de manutenção relacionadas ao fundo que você tem interesse em operar.

 

Conclusão: velho versus novo capitalismo

Em 2019, cerca de 200 executivos norte-americanos assinaram um manifesto que firma o compromisso de suas organizações com o desenvolvimento sustentável.

No documento, eles prometem conciliar as suas decisões em ações que causem um impacto positivo no meio ambiente e nas respectivas comunidades dos seus negócios.

O documento foi publicado pela Business Roundtable, uma organização composta pelos diretores executivos das principais empresas norte-americanas, com o objetivo de, juntos, construírem uma economia próspera e com mais oportunidades para os profissionais.

Para que você entenda a importância das empresas que compõem a Business Roundtable, juntas, elas são responsáveis por empregar mais de 15 milhões de pessoas.

Apple, General Motors, IBM, Microsoft e Salesforce são algumas das marcas que fazem parte desse grupo e que assinaram o manifesto.

Inclusive, o documento é sempre atualizado: novas organizações estão manifestando e formalizando o seu compromisso com o desenvolvimento de estratégias sustentáveis.

O que esse manifesto sinaliza para o mercado? Ele é um posicionamento histórico que rompe com o antigo capitalismo: agressivo e segregador. As organizações de maior destaque no mundo compreenderam que é possível conciliar liberalismo econômico com responsabilidade social.

Esse cenário já havia confirmado a tendência de investimentos ESG ganharem mais força e se destacarem ainda mais no mercado financeiro. Somado a isso, em janeiro de 2020, um estudo apresentou que a próxima crise pode ser em decorrência de causas socioambientais — dê uma olhada no Cisne Verde.

Agora, com as reflexões suscitadas no cenário econômico mundial em decorrência da pandemia de Covid-19, as empresas que não assumirem um posicionamento cada vez mais sustentável vão perder espaço, assim como aqueles acionistas que optarem por elas vão deixar de ter oportunidades de ampliar o patrimônio.

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