Faz algumas semanas que vínhamos indicando a possibilidade do Ibovespa ir buscar o recorde de pontuação obtido em 08/01, em 125.323 pontos. Notem que no pregão de 04/05, o índice estava em 117.712 pontos. Desde antes já contávamos com isso, projetando que o quadro de vacinação em países estava melhorando e aqui também tínhamos todo os requisitos para melhorar. Portanto, contávamos com a recuperação econômica global mais forte, e aqui também.

Aqui, a vacinação andou emperrada por algum tempo (médias em queda), a contaminação, internação e óbitos também cresceram, mas sempre contando com a perspectiva de que tendo vacinas disponíveis, teríamos condição de acelerar.

Convêm dizer que o noticiário e indicadores do mês de maio foram mais para positivos, e os resultados de empresas referentes ao primeiro trimestre também. Isso foi corroborado com maior fluxo de recursos de investidores estrangeiros na B3 e também para renda fixa, ao ponto de até o último dia 26/05 (última estatística disponível), o fluxo positivo estar em R$ 9,06 bilhões e em 2021 voltando ao patamar de R$ 28,2 bilhões, já bem mais próximo do pico alcançado nesse ano de R$ 33 bilhões.

O dia também embutiu a divulgação de alguns indicadores importantes e mercados reagiram a isso. Logo cedo, na zona do euro tivemos o índice de sentimento econômico de maio em alta para 114,5 pontos e melhor que o esperado de 122,8 pontos. E a constatação do BCE (BC europeu) é de que a economia da região está em ponto de inflexão para recuperação. Não é por outra razão que o índice Stoxx da Europa bateu recorde de pontuação.

Nos EUA, um susto com a renda pessoal de abril encolhendo 13,1%, mas os gastos com consumo com alta de 0,5%. A inflação medida pelo PCE (deflator do consumo) subiu 0,6% em abril e núcleo com +0,7%. O indicador ISM da atividade de Chicago também registrou elevação para 75,2 pontos, vindo de anterior em 72,1 pontos e no maior nível desde 1973. Já a confiança do consumidor de Michigan teve contração para 82,9 pontos, também em maio.

Por sua vez, o presidente Biden comemorou a maior aceleração da economia americana em 40 anos, quer deslanchar o pacote de infraestrutura com aprovação bipartidária e buscar hegemonia tecnológica. Conta também com a provação do orçamento de 2022, com recursos da ordem de US$ 6 trilhões para acelerar ainda mais. Na peça do orçamento está previsto déficit de US$ 1,84 trilhão e dívida pública alcançando 11,8% do PIB, PIB que cresce 5,2% em 2021 e +3,2% em 2022. A taxa de desemprego deve chegar a 4,1% em 2022, com inflação de 2,1%.

No mercado internacional, O petróleo WTI, negociado em NY, mostrava queda de 0,70%, com o barril cotado a US$ 66,38. O euro era transacionado praticamente estável em US$ 1,22 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,59%. O ouro em queda e a prata em alta nas negociações da Comex e commodities agrícolas com comportamento misto na Bolsa de Chicago. O minério de ferro negociado em Qingdao, na China, teve dia de leve alta de 0,41%, com a tonelada cotada em US$ 190,51.

No segmento doméstico, a FGV anunciou o IGP-M fechado do mês de maio com forte aceleração para 4,10% (anterior em 1,51%, acumulando elevação de 14,39 no ano e em 12 meses no maior patamar desde o Plano Real, com 37,04%. O IPA agropecuário expandiu em maio 5,17% e o industrial com +5,25%. Matérias-primas brutas com alta de 10,15%.  O IPA mostra alta em 12 meses de 50,21% e matérias-primas brutas com +77,95%.

O Bacen divulgou que o estoque total de crédito cresceu 0,5% em abril para R$ 4,13 trilhões, significando 53,6% do PIB (anterior em 54,3%). O crédito livre teve contração de 7,1%, mas para habitação incremento de 1,1%. A inadimplência no crédito livre ficou estável em 2,9%, o endividamento das famílias em 57,7% em fevereiro com o imobiliário e o comprometimento da renda em 30,7%. Os juros no rotativo do cartão de crédito com taxa de juros em alta para 335,3% ao ano.

O novo recorde registrado para a B3 na sessão de hoje deixou alta na semana de 3,02%, bastante ajudada pela performance das ações da Petrobras. Dólar por aqui fechou em queda de 0,82%, com a moeda cotada a R$ 5,21, o que não acontecia desde dezembro.

Bom final de semana!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais

Fonte: https://www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado