A sessão de hoje dos mercados no mundo ainda foi dominada pela indecisão dos investidores sobre comportamento dos juros e inflação, principalmente em países desenvolvidos, e tendo em consideração a recuperação das economias e um segundo semestre bem mais forte. Basta ver que mercados da Ásia operaram com viés de queda, na Europa o fechamento foi misto, o mercado americano e a B3 oscilaram entre positivo e negativo.

Investidores também aguardaram indicadores de conjuntura que seriam divulgados e a exposição de Janet Yellen, secretária do Tesouro americano. Nos EUA, a segunda leitura do PIB do primeiro trimestre mostrou crescimento anual de 6,4%, um pouco abaixo dos 6,6% previstos. A inflação pelo PCE (deflator de consumo), muito usada pelo FED, veio com alta anual de 3,78% no trimestre e núcleo em 2,5%. Já os pedidos de auxílio-desemprego voltaram a cair em 38 mil posições para 406 mil pedidos, quando o esperado eram 425 mil. As encomendas de bens duráveis de abril registraram contração de 1,3%, quando o previsto era +0,9%. Já as vendas pendentes de imóveis tiveram queda de 4,4% em abril, bem mais fraca que o previsto.

Janet Yellen falou no Congresso americano dizendo que o orçamento de Biden de 2022 contempla recursos adicionais para o Tesouro e que não é possível prosseguir recuperação com o mesmo nível de orçamento de 2010. Yellen disse que se o Irã cumprir as regras do acordo nuclear podem considerar retirar sanções. Segundo ela, ainda há folga na economia e que os investimentos não vão provocar inflação duradoura. Com o orçamento de 2022 aprovado, a relação dívida/PIB deve atingir 100%. A casa Branca está avaliando a contraproposta dos Republicanos para o pacote de infraestrutura de US$ 928 bilhões e ainda sem alternativa de fonte de recursos.

O BOE (BC inglês) disse que aumento de juros não deve acontecer até 2022, e que não há sinais de escalada da inflação. O ministro das Finanças, da França, disse que a recuperação econômica está sendo bem forte. No mercado internacional o petróleo WTI, negociado em NY, mostrava alta de 0,92%, com o barril cotado a US$ 66,81. O euro era transacionado em leve alta para US$ 1,22 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,61%. O ouro em queda e a prata com alta na Comex e commodities agrícolas com forte comportamento de alta, recuperando perdas anteriores. O minério de ferro é que teve novo dia de queda em Qingdao, na China, com pressões impostas pelo governo. Fechou em queda de 1,63%, com a tonelada em US$ 189,73.

No segmento doméstico, o IBGE divulgou dados da PNAD contínua do trimestre encerrado em março, com a taxa de desemprego estável em 14,7%, quando em igual período de 2020 estava em 12,2%. Os desocupados são 14,5 milhões de pessoas, desalentados 6 milhões (recordes), inativos em 75,6 milhões e taxa de informalidade de 39,6%. A população ocupada caiu para 85,6 milhões e empregados com carteira assinada, 29,6 milhões. O país tem 153 mil empregadores a menos no trimestre e perdeu 3,5 milhões de vagas com carteira. Os indicadores qualitativos foram novamente desfavoráveis no trimestre.

O Tesouro Nacional indicou que houve superávit do governo central em abril de R$ 16,5 bilhões e no ano chega a R$ 41 bilhões. Já em 12 meses, o déficit primário atinge 7,9% do PIB. O INSS acusou déficit em abril de R$ 18,7 bilhões, mas de qualquer forma foi o melhor resultado do governo central desde 2014. As receitas de abril cresceram 16,6% e as despesas caíram 12,2%. As despesas com a pandemia somaram R$ 11,8 bilhões. Em entrevista após a divulgação, foi dito que o espaço fiscal vai se estreitando, se houver terceira onda de covid-19 a situação terá de ser tratada e há preocupação com o populismo fiscal. Paulo Guedes também falou em live com empresários dizendo que não vai faltar recursos para a Saúde e sobre o brilho do agronegócio brasileiro, fazendo paralelo com as necessidades da indústria.

No mercado, dia de dólar em forte queda, principalmente após a divulgação de dados pelo Tesouro e no encerramento mostrava queda de 1,09 % e cotado a R$ 5,25. Na B3, na sessão de 25/05, os investidores estrangeiros voltaram a sacar recursos no montante de R$ 425,7 milhões, deixando o saldo positivo de maio em R$ 8,3 bilhões e o ano de 2021 positivo em R$ 27,5 bilhões.

No mercado acionário, dia de queda na Bolsa de Londres de 0,24%, Paris com +0,69% e Frankfurt com -0,28%. Madri com queda de 0,12% e Milão com +1,12%. No mercado americano, o Dow Jones com +0,40% e Nasdaq com -0,01%. Na B3, dia de recuperação com alta de 0,30% e índice em 124.363 pontos.

Na agenda de amanhã teremos o IGP-M fechado de maio, a nota de política monetária de abril e definição de bandeira tarifária de junho. Nos EUA, a renda e o gasto pessoal de abril, o deflator de preços PCE e a confiança do consumidor de Michigan de maio.

Boa noite!

Alvaro Bandeira

Economista-Chefe do banco digital modalmais

Fonte: https://www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado