Na semana passada, mesmo com o quadro político mantendo forte instabilidade, ainda assim a Bovespa conseguiu fechar o período com alta de 0,82%, índice em 122.810 pontos e dólar com valorização de 0,27%, cotado a R$ 5,24. Durante toda semana os mercados sofreram com as disputas entre Bolsonaro, STF e TSE. Além de muitos ruídos provenientes do Congresso, com divergências entre os presidentes da Câmara, do Senado e também na sociedade civil com relação a reforma do imposto de renda que pode ser votada ainda na semana que está começando.

No cenário externo, a expansão do covid-19 e variante delta assustando todos, instabilidade nas commodities (petróleo fechou a semana com queda no WTI de 7,8%, e cai mais hoje), mudanças climáticas e ruídos de bancos centrais sobre retirada de estímulos.

Hoje, os mercados da Ásia encerraram o dia em alta, com Tóquio paralisada por feriado, Europa ainda indefinida neste início de manhã e futuro do mercado americano com comportamento misto. Aqui, não deveríamos perder o patamar de 121.300 pontos do Ibovespa sob pena de acelerar vendas e melhora mesmo só ultrapassando a casa dos 124.000 pontos e consistência maior acima de 126.500 pontos.

Durante a madrugada a China anunciou o PPI (atacado) de julho que na comparação anual subiu 9,0%, vindo de 8,8% no mês anterior, com o carvão e petróleo mostrando altas e o CPI (consumidor) com alta de 1,0% também na comparação anual, desacelerando em relação ao mês anterior de +1,1%, com preços dos alimentos em queda de 3,7%.

Na Alemanha, o superávit na balança comercial de junho foi de 13,6 bilhões de euros, fruto de exportações em alta de 1,3% e importações maiores em 0,6%. Nos EUA, os senadores trabalharam no final de semana nas discussões do pacote de infraestrutura de cerca de US$ 1,0 trilhão e podendo aprovar ainda na semana, mas a Câmara só deve votar depois de o Senado fechar questão sobre mudanças climáticas e pobreza com pacote ao redor de US$ 3,5 trilhões.

No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em NY, mostrava forte queda neste início de manhã de 4,07%, com o barril cotado a US$ 65,50, e isso inibe melhor comportamento da Petrobras. O euro era transacionado em queda para US$ 1,176 e notes americano de 10 anos com taxa de juros de 1,28%. O ouro e a prata tinham quedas na Comex e commodities agrícolas com viés negativo na Bolsa de Chicago.

Aqui, vamos começar a nova semana do mesmo jeito tenso que terminamos a passada, produzindo leitura de volatilidade e instabilidade. Mas segundas-feiras são menos sujeitas a ruídos, com parlamentares em trânsito para Brasília.

Na agenda do dia teremos o IGP-DI fechado de julho, o IPC-S da primeira quadrissemana de agosto, a nova pesquisa Focus com inflação possivelmente em alta e o saldo da balança comercial da semana anterior. Nos EUA, discursos de presidentes regionais de Richmond e Atlanta.

Expectativa para o dia de Bovespa podendo tentar alta, mas muito complicado por conta do petróleo e lado político, dólar deveria ser mais fraco pelo comportamento externo, mas aqui pode ser diferente e juros em queda. Porém, a semana contém indicadores de conjuntura que podem mudar o quadro e a continuidade da boa safra de resultados do segundo trimestre.

Bom dia e bons negócios!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais