Ontem a Bovespa contrariou a tendência de queda dos principais mercados acionários do mundo e encerrou com alta de 0,45% e índice em 128.167 pontos, enquanto o dólar oscilou bastante para fechar com leve alta de 0,13% e cotado a R$ 5,18. Mercado dos EUA e da Europa terminaram o dia com perdas. Aqui, influiu a postura do relator do ajuste do imposto de renda suavizando o projeto e com redução da carga em R$ 30 bilhões, mas já surgem críticas de ser projeto populista e reduzir a carga, quando o Brasil tem muitas contas para pagar.

Hoje, mercados da Ásia terminaram o dia com comportamento de queda e seguindo tendência do mercado americano, e a Europa começando o dia com comportamento negativo por temor de inflação em alta e antecipação da retirada de estímulos. Os futuros do mercado americano com comportamento misto. Aqui, seria bom se conseguíssemos voltar ao patamar de 129.000/130.000 pontos do Ibovespa, mas parece difícil, principalmente pelo momento político, que parece quer melhorar nesses últimos dias.

Nos EUA, o pacote de infraestrutura proposto por Biden pode parar no Congresso americano por divergências, mas os democratas anunciaram acordo para investimentos de US$ 3,5 trilhões. Mas o problema são os republicanos. A Fitch, uma das três maiores agências de classificação de risco do mundo, reafirmou rating dos EUA em AAA, mas perspectiva negativa em razão do endividamento do país.

No Reino Unido, a inflação medida pelo CPI (consumidor) do mês de junho anual subiu para 2,5%, a maior desde fevereiro de 2018. Na zona do euro, a produção industrial do mês de maio encolheu 1%, quando a previsão era de -0,1%. Voltando aos EUA, a divulgação ontem da inflação pelo CPI de junho em alta maior que a prevista reforçou a tese de que o aperto monetário pode ocorrer mais cedo que o previsto e que a inflação pode não ser tão transitória como parecia.

A safra de balanços do segundo trimestre também com chances de mexer pontualmente na precificação dos ativos. Hoje já saíram resultados da Blackrock com lucro de US$ 1,38 bilhão e do BofA com lucro de US$ 9,2 bilhões, ambas as ações em queda no pré-mercado.

No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em NY, mostrava queda de 0,11%, com barril em US$ 75,17, depois de circularem notícias de acordo na OPEP+, com expansão da oferta de óleo de 3,65 milhões de barris/dia. O euro era transacionado em US$ 1,18 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,39%, após bater ontem 1,44%. O ouro tinha alta e a prata em queda na Comex e commodities agrícolas com desempenho mais para positivo na Bolsa de Chicago.

Aqui o presidente da Câmara, Arthur Lira, pediu que a CMO (comissão mista do orçamento) avalie o ajuste do imposto de renda antes do recesso que começa no final da semana. Já Bolsonaro, sancionou com vetos o projeto de capitalização da Eletrobrás, falando que a empresa perdeu a capacidade de investir, por isso a redução do controle acionário.

O dia é de agenda cheia de eventos com capacidade de mexerem com os mercados. Aqui, o Bacen anuncia o IBC-Br de maio, uma proxy do PIB, e também o fluxo cambial na semana anterior. Nos EUA, teremos a inflação pelo PPI (atacado) de junho, dados do Livro Bege (síntese da economia), os estoques de petróleo e derivados da semana anterior, e principalmente a fala do presidente do FED, Jerome Powell, na Câmara dos EUA (amanhã no Senado), às 13h de Brasília. Durante a noite e afetando a abertura de amanhã, uma bateria de dados da China no mês de junho, incluindo PIB, vendas no varejo, produção industrial e investimentos em ativos fixos.

Expectativa inicial de Bovespa seguindo exterior em queda, dólar pode ficar fraco (mas tendência maior é de alta) e juros em queda.

Bom dia e bons negócios!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais