O dia acabou sendo positivo para a maioria dos mercados acionários no mundo, mesmo considerando o risco de uma agenda lotada de eventos. Mas logo cedo tivemos notícias positivas sobre o desenvolvimento de vacinas, principalmente de duas empresas, a Moderna e Oxford, com a primeira começando novos testes em 27/7, com cerca de 30 mil pessoas. O presidente Trump aproveitou a carona disso.

Também tivemos resultados sendo apresentados por empresas americanas com o Goldman Sachs surpreendendo positivamente e a UnitedHealth negativamente. Mas também foi possível diagnosticar que as reações não foram grandes, de certa forma acolhendo nossa tese de que, no momento, não está entrando muito dinheiro novo no mercado, com investidores fazendo preponderantemente trocas de posições (no nosso entender assumindo maiores riscos) de ações que subiram muito por outras com menores valorizações.

Nos EUA, o índice de atividade industrial de NY mostrou alta maior que a prevista para 17,2 pontos em julho, vindo de anterior em -0,2 pontos. Já a produção industrial de junho expandiu 5,4% (previsão era de +4,1%, mas o segundo trimestre mostrou queda de 42,6% anualizada, a maior queda desde a Segunda Guerra Mundial. Na sequência, dados do Livro Bege elaborado pelo FED dando conta de melhora na atividade em quase todos os distritos considerados, mas abaixo do período pré-crise. O emprego também observou melhora e os preços mudaram pouco. Porém, a palavra de ordem continuou a ser de incertezas e possibilidade de segunda onda. Os mercados quase não reagiram.

Também capturamos declarações de dirigentes regionais do FED, com Harker da Filadélfia dizendo estar revendo suas projeções com eventual segunda onda. Os EUA também anunciaram sanções contra funcionários da Huawei e seguiram pressionando países a não comprarem da empresa, inclusive o Brasil. A China disse que pode retaliar, após o veto de ontem pelo Reino Unido, também contra a Huawei.

Já a União Europeia quer acordo ambicioso com a Índia e a OPEP disse que elevará a produção de seus membros em agosto, destacando o aumento da demanda por óleo. No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em NY mostrava alta de 1,94%, com o barril cotado a US$ 41,07. O euro era transacionado em leve alta para US$ 1,14 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 0,63%. O ouro praticamente estável e a prata com alta de 1,28% na Comex. Commodities agrícolas na Bolsa de Chicago com comportamento misto.

No cenário local, o IGP-10 de julho subiu para 1,91% (anterior em +1,55%), com a inflação do ano em 6,55% e em 12 meses de 8,57%, completamente descolado do indicador oficial. Já a FGV divulgou que o volume importado em bens de capital em junho declinou 31,3%. O fluxo cambial de julho até 10/7 estava negativo em US$ 2,4 bilhões, acumulando fluxo negativo também no ano de US$ 14,9 bilhões. Os ganhos com operações de swap no mês estavam em R$ 4,2 bilhões e a posição cambial líquida atingia US$ 300 bilhões.

O Tesouro anunciou que a União desembolsou no primeiro semestre do ano R$ 5,5 bilhões para quitar dívidas de governos regionais. Já Bolsonaro sancionou o marco de saneamento, vetando a renovação por mais 30 anos dos contratos de estatais e obrigando a licitação de resíduos sólidos. O vice Mourão falou das pressões contra queimadas e desmatamentos. Ex-ministros brasileiros e do Bacen falaram sobre o manifesto contra o desmatamento e Armínio Fraga disse que o Brasil está sendo tratado como pária internacional nesse quesito.

No mercado, o dólar novamente com bruscas mudanças de sinais ao longo do dia para fechar com +0,56% e cotado a R$ 5,39. Na Bovespa, na sessão de 13/7, os investidores estrangeiros sacaram R$ 621,9 milhões, elevando a saída de julho para R$ 5,03 bilhões e saques líquidos no ano de R$ 81,5 bilhões.

No mercado acionário, dia de alta de 1,83% na Bolsa de Londres, Paris com +2,03% e Frankfurt com +1,84%. Madri e Milão com altas de respectivamente 1,84% e 2,02%. No mercado americano, o Dow Jones com +0,85% e Nasdaq com +0,59%. Na Bovespa, dia de alta de 1,34% e índice em 101.790 pontos, com muitas realizações de lucros de curto prazo. Na máxima do dia o Ibovespa chegou a 102.103 pontos.

Na agenda de amanhã teremos a bateria de dados da China anunciada durante a madrugada, inclusive com o PIB do segundo trimestre. Aqui, somente o IPC-S da segunda quadrissemana, e nos EUA as vendas no varejo de junho, o índice de atividade industrial da Filadélfia de julho, os pedidos de auxílio-desemprego da semana anterior e discursos de dirigentes regionais do FED de Chicago (Evans) e NY (Williams).

Boa noite.

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais