Assim é o ditado popular, que afeta até as estatísticas de casamento para não correr risco de separação futura. Mas o mês de julho não foi bom para os mercados de risco no mundo, mesmo considerando recordes para o mercado acionário americano. Aqui, então, nem é bom lembrar, com a Bovespa perdendo 3,95% no mês e jogando a valorização do ano para somente +2,34%.

Também está sendo mês de retirada de recursos pelos investidores estrangeiros, com saída de R$ 6,12 bilhões faltando apenas um pregão, apesar de mostrar fluxo líquido positivo de R$ 41,9 bilhões em 2021 (já beirou R$ 49 bilhões no ano) e sem computar o último pregão do mês, que teve queda de 3,08% e forte pressão das ações mais líquidas, o que sugere redução de exposição ao risco do Brasil.

A fase não tem sido boa e, ao encerrarmos o mês de julho, o Ibovespa retrocedia para 121.800 pontos, nível registrado em abril, depois de ter esbarrado em 132.000 pontos. Outra estatística evidenciou essa fase negativa, quando o investimento direto no país do mês de junho encolheu para somente US$ 174 milhões. Convém lembrar que as entradas de IDP mensais estavam na ordem de US$ 4 bilhões/US$ 6 bilhões. Essa virada de “ponta cabeça” do IDP de junho foi em função do não reinvestimento de lucros.

Também lembramos que a dívida pública de junho ficou em R$ 5,33 trilhões (dívida bruta em R$ 6,73 trilhões), com emissão líquida no mês de R$ 138,1 bilhões (+3,07%). Não custa ressaltar que isso representa aproximadamente 84% do PIB, apesar da queda em relação ao mês anterior, quando era de 84,6%, mas está bem distante da média de países emergentes, que fica na casa de 65%.

Juntando todos esses dados, podemos visualizar o motivo do nosso mercado não conseguir reagir pelo menos igual aos mercados desenvolvidos do exterior, onde os índices americanos dão baile no nosso Ibovespa. A segurança jurídica anda escassa, e a maior parcela disso podemos atribuir ao ambiente político instável e francamente tenso. Isso, mesmo com o Congresso Nacional em recesso e agora voltando a trabalhar.

Com o retorno do Congresso nesta semana, voltam também as preocupações com os ruídos da CPI da Covid-19, com a possível pauta de arguição do ministro da Justiça, Braga Neto, sobre voto impresso e o acontecimento ou não das eleições em 2022. Também teremos a resposta do ministro Fux, do STF, contra a nota recente do Ministério da Justiça e a autorização do ministro Alexandre de Moraes (também STF) para que a Polícia Federal volte a investigar possível interferência de Bolsonaro na corporação, a partir das declarações do ex-ministro Sérgio Moro.

O Centrão, para quem o presidente disse “ter entregado a alma”, junto a aliados próximos, também pressiona para que o presidente modere seu discurso sobre votos impressos e eleições, ao mesmo tempo em que almeja uma participação ainda maior no governo, pressionando a recriação do Ministério do Planejamento (dentre outros cargos, além do Ministério do Trabalho).

Que o Brasil deveria estar planejando a saída da pandemia para a economia, creio que ninguém tem dúvidas. Ocorre que o ministro Paulo Guedes já se disse totalmente contrário a perder mais uma parte do superministério da Economia, o que seria demonstração tácita de perda de prestígio. Notem que não estamos falando nem das reformas, que já deveriam estar sendo tocadas faz tempo, e onde o esforço maior se concentra na reforma do Imposto de Renda, ainda lotada de problemas. Não consideramos também o viés populista que o governo parece adotar, seja pelo Bolsa Família Turbinado acima de R$ 300 (e, eventualmente, fora do teto de gastos), pelo não pagamento de pedágios de motocicletas (contratos de concessão terão de ser revistos), ou mesmo do Vale-Gás, que Bolsonaro disse que a Petrobras (uma empresa com investidores espalhados pelos quatro cantos do planeta) teria reservas para “bancar” a conta, com recursos de R$ 3 bilhões. A empresa, felizmente, disse não ter definição sobre isso.

A segurança jurídica está aí para quem quiser ver, e repetimos que esse é o principal ponto contrário à recepção de investimentos em larga escala de um país totalmente carente de recursos para se desenvolver. Segundo projeções recentes do FMI, em 2022, o Brasil crescerá menos que a metade da média mundial, com 1,9% de expansão do PIB, contra alta de 4,9% projetada para o mundo.

Daí, nossa questão: agosto será de desgostos ou teremos esse início promissor do mês vigorando? Para isso, é fundamental o entendimento entre os três poderes e um presidente mais silente e menos polêmico. Mas o quadro que se projeta não é exatamente esse.

Alvaro Bandeira é economista-chefe e sócio do banco modalmais