O dia foi de boa recuperação no segmento local, com Bovespa em alta, dólar em queda e juros também, apagando movimento contrário da semana passada. Em boa parte, as recuperações do petróleo, no mercado internacional, e do minério de ferro, na China, foram os grandes responsáveis, juntamente com a fala do presidente da Câmara, Arthur Lira, sobre reformas. Podemos considerar como sendo um ajuste técnico, mas que ainda não muda o quadro geral. Certamente, a melhora dos mercados de risco no exterior também ajudou.

No exterior, o BCE (BC europeu) declarou que o setor financeiro não bancário elevou riscos e é necessária maior regulação. Já a União Europeia prometeu ajuda ao Afeganistão com foco humanitário, mas exige compromisso contra o terror. A OMS (Organização Mundial da Saúde) reforçou pedido para atrasar a aplicação de reforço ou terceira dose para depois que toda a população esteja vacinada. Porém, alguns países já estão anunciando reforço para setembro.

Nos EUA, as vendas de imóveis novos mostraram alta de 1% em julho, e a presidente da Câmara americana, Nancy Pelosi, indicou que estão próximos de um acordo com os Democratas para viabilizar a agenda de crescimento do presidente Biden. O leilão de notes de dois anos foi feito com yield de 0,242, com demanda acima da média. Mas o maior problema americano será a elevação do teto da dívida, que pode voltar a estressar os mercados.

Já na China, a pandemia provocou gargalos na cadeia produtiva e pode vir a exportar inflação para outros países. No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em NY, mostrava alta de 3,02%, com o barril cotado a US$ 67,62. O euro era transacionado em leve alta para US$ 1,175, e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,29%. O ouro e a prata encerrando com altas na Comex, e commodities agrícolas em alta na Bolsa de Chicago. O minério de ferro, negociado em Qingdao, na China, mostrou alta de 6,89% durante a madrugada, com a tonelada fechando cotada em US$ 146,13.

No segmento doméstico, calaram fundo declarações do presidente da Câmara, Arthur Lira, tirando da pauta de hoje a votação marcada da reforma do Imposto de Renda e alertando sobre mudança de estratégia. Também defendeu que os precatórios devam ficar dentro do teto de gastos, o que acalmou investidores, mas nem tanto, já que podem mexer no teto de gastos. Ainda na economia, além da dominância fiscal que economistas começam a discutir, hoje foi dia de se falar sobre estagflação rondando o ano de 2022.

No âmbito político, Bolsonaro disse que pretende estar presente em Brasília e também na Avenida Paulista, em São Paulo, no próximo dia 07 de setembro, mas não conseguiu colocar muito fogo com isso. No mercado, dia de dólar em queda de 2,23% e fechando cotado a R$ 5,26. No segmento Bovespa da B3, na sessão de 20/08, os investidores estrangeiros alocaram recursos no valor de R$ 901,3 milhões, deixando o saldo positivo do mês de agosto em R$ 7,55 bilhões e o ano acumulando ingressos de R$ 47,3 bilhões.

No mercado acionário, dia de alta de 0,24% na Bolsa de Londres, Paris com -0,28% e Frankfurt com +0,33%. Madri e Milão com quedas de respectivamente 0,22% e 0,07%. No mercado americano, o Dow Jones em alta de 0,09% e Nasdaq com 0,52%. Na Bovespa, dia de alta de 2,33% e índice em 120.210 pontos, muito em função do desempenho de ações ligadas às commodities e ao setor bancário.

Na agenda de amanhã, teremos a prévia da inflação oficial de julho, que pode ter ficado em +0,71%, a nota do setor externo e de mercado aberto de julho, o relatório da dívida de julho e a arrecadação pela Receita Federal. Nos EUA, as encomendas de bens duráveis de julho e os estoques de petróleo e derivados da semana anterior.

Boa noite!

Alvaro Bandeira
Economista-chefe do banco digital modalmais