Ontem, com a divulgação da ata do FOMC do FED da última reunião no meio da tarde com tons pessimistas, os mercados inverteram tendência que já não era tão positiva. A Bovespa fechou com queda de 1,19% e índice em 100.853 pontos, o Dow Jones com -0,31% e Nasdaq com -0,57%. O dólar esteve forte no mundo e aqui fechou em alta de 1,16% e cotado a R$ 5,53, mesmo com o Bacen fazendo leilão de swap cambial não previsto de US$ 500 milhões.

Hoje as bolsas asiáticas capturaram tudo isso e fecharam o dia com boas perdas e destaque para a Bolsa de Seul com -3,66%. Europa também operando no campo negativo, mas saindo um pouco das mínimas e futuros do mercado americano também mostrando quedas. Aqui, podemos perder o patamar de 100 mil pontos do Ibovespa e na sequência até os 98 mil pontos, o que daria chance para reajustes maiores.

Além dos problemas locais de ajuste da economia, temos o aumento de contágio pela covid-19, dificuldades de Democratas e Republicanos chegarem a um acordo sobre pacote fiscal adicional, os alertas importantes postos na ata do FED e ruídos políticos da convenção Democrata em seu terceiro dia.
Ontem, o PBOC (BC chinês) manteve juros estabilizados pelo quarto mês seguido (existia expectativa de medidas), com taxa de um ano em 3,85% e acima de 5 anos em 4,65%. Na sequência, logo cedo o BCE (BC europeu) divulga sua ata que pode fazer coro com as preocupações do FED sobre sustentação da retomada da economia.

Nos EUA, Kamala Harris e Obama fizeram severas críticas ao presidente Trump, e Kamala atribuiu responsabilidade ao presidente pelos óbitos ocorridos. No mercado internacional, o petróleo WTI tinha mais um dia de fraqueza, em queda de 1,12% e barril cotado em US$ 42,45, por conta da reunião da OPEP de ontem, mesmo com a Arábia Saudita e Rússia reafirmando cortes de produção. O euro era transacionado em queda para US$ 1,183 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 0,68%. O ouro e a prata tinham dia de boas quedas e commodities agrícolas também em quedas na Bolsa de Chicago.

Aqui, o governo sofreu ontem uma derrota no Senado com a derrubada do veto proibindo ajustes de salários para algumas categorias, o que compromete o ajuste da economia e economia fiscal de algo como R$ 121 /132 bilhões. A votação deve seguir hoje na Câmara. O governo também quer reduzir a quantidade de beneficiários do auxílio emergencial para manter prorrogação do benefício, e Bolsonaro fala em reduzir auxílio para faixa entre R$ 200 a R$ 300.

A agenda do dia segue fraca e teremos aqui a confiança da indústria pela FGV em agosto e nos EUA saem os pedidos de auxílio-desemprego da semana anterior, o índice de atividade de Filadélfia, o índice de indicadores antecedentes do Conference Board e discurso de Mary Daly do FED de São Francisco.

Expectativa para o dia é de Bovespa em queda seguindo mercado externo, dólar mais forte e juros em alta.

Bom dia e bons negócios!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais