Mercado de risco. A palavra já identifica que podemos ter incertezas sobre o futuro dos mercados de risco, especialmente no Brasil, onde até o passado é incerto, em frase atribuída ao ex-ministro Pedro Malan. Porém, os gestores de recursos e investidores de forma mais ampla, sempre tentam extrapolar tendências futuras baseadas em fatos correntes e presunção do que pode acontecer. É exatamente lidando com isso que fazemos nossas projeções.

Nossa visão parte do pressuposto de que a vacinação no mundo contra a covid-19 está acelerando, principalmente nos países desenvolvidos e que as duas piores situações de contágio, na Índia e no Brasil, que segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), foram os responsáveis por mais da metade dos casos relatados na última semana.

Aqui, estamos no caminho certo para começar a vacinar mais de 1 milhão de pessoas por dia, restando somente alguma dúvida sobre o fornecimento de vacinas e insumos para sua elaboração, mas com o ministro Queiroga afirmando que quer vacinar toda a população até o final do ano. Já a Índia, países desenvolvidos como os EUA, Alemanha, Reino Unido e outros; estão dispostos a fornecer ajuda, já que restringir variantes parece ser fundamental no momento. Então, partindo daí, podemos intuir a conclusão de que até o final do ano teremos a tal imunidade de rebanho no mundo, e que até lá os países poderão lidar com abertura progressiva de suas economias.

Isso condiz com as expectativas traçadas para diferentes países de que o segundo semestre de 2021 será sem dúvida bem melhor. Só lembrando, o FMI recentemente melhorou suas previsões de crescimento do PIB para muitos países, puxados pela forte expansão da China (mais de 8,0%) e dos EUA (mais de 6,0%), esses dois com arrojados pacotes de infraestrutura sendo apresentados e redução das desigualdades de recuperação.

Pois bem, se isso efetivamente ocorrer, e não temos dúvida da intenção e viabilidade, é possível projetarmos que isso se refletirá nos resultados das empresas já no segundo semestre deste ano e em semestres seguintes. Consequentemente, poderemos estar falando de melhora na produtividade e retorno das empresas, e, claro, em melhor remuneração distribuída aos acionistas.

Parece certo que em determinado momento os bancos centrais e governos terão que promover ajustes visando gastos acentuados com a pandemia e juros extremamente baixos por longo tempo. Mas, assim como fizeram esforços extremos para domar os efeitos da covid-19, é de se supor que terão enorme cuidado para não jogar fora os esforços pretéritos como a retirada açodada dos estímulos.

Aqui, certamente é um pouco diferente pela questão política conturbada e eleições polarizadas, baixo entendimento entre os três poderes, pelo quadro fiscal grave, reformas menos eficazes que o necessário que podem ser concebidas, gastança produzida por parlamentares e de menor impacto na preparação e crescimento futuro, etc. Porém, temos que considerar que como celeiro de matérias primas do mundo, grandes exportadores de minerais e produtos intermediários; certamente conseguiremos pegar carona nessa forte recuperação global, até por conta das desvalorizações de nossa moeda ocorrida em 2020 e 2021.
Isso deve se espalhar por outros segmentos da economia, reduzir a taxa de desemprego e colocar a economia em um rumo melhor. Só não podemos fazer besteiras no curso desse caminho da volta para um novo normal, ampliar a integração com o restante do mundo, acelerar marcos regulatórios e dar segurança jurídica aos investidores locais e estrangeiros.

Se tudo isso acontecer minimamente, a resposta das empresas será forte e a precificação nos mercados também. Ainda antes da virada do ano de 2021 estimamos que o Ibovespa poderia atingir patamar recorde em 135000 pontos, ou até mais, no caso de diretrizes corretas assumidas. De alguns meses para cá ficamos mais animados com essa possibilidade e até assumindo patamares maiores para o principal índice do mercado.

Vamos ter que torcer por tudo isso, e saber selecionar as empresas e ações que devem sair na frente dessa possível escalada de valorizações. Nossa equipe de analistas e agentes podem dar suporte nisso.

Alvaro Bandeira é economista chefe e sócio do Modalmais