Hoje, os mercados locais andaram meio na contramão do exterior e perderam mais uma chance de continuar a se recuperar. O segmento B3 passou boa parte do dia em queda, mesmo com bons resultados e expectativas com empresas líderes, dólar permaneceu fraco como previsto, e juros ainda tentando ajustar para a decisão do Copom na próxima semana.

No exterior, mercados em alta na Europa e nos EUA. Lá, os bons resultados de empresas referentes ao segundo trimestre estão fazendo preço nos ativos. Já por aqui, pesa o ambiente político tenso, as declarações do presidente (inclusive sobre fraude nas eleições), insegurança jurídica, incertezas da covid-19 e a variante Delta.

Ainda no exterior, a safra de balanços tem sido benéfica para o mercado acionário, com bons resultados e reversão de prejuízos como o da Volkswagen. Na Alemanha, a inflação medida pelo CPI de julho subiu 0,9%, com previsão de que seria -0,5%. O BCE (BC europeu), na ata da última reunião, indica que a nova estratégia da política monetária deve implicar em inflação moderada maior que a meta, mas com margem de segurança para lidar com política monetária mais flexível.

A China anunciou elevação de tarifa para produtos siderúrgicos e eliminou a redução de tarifas de exportações de aço, na tentativa de domar o preço das commodities, chapas de aço, ferro cromo e mais 23 tipos de produtos foram atingidos.

Nos EUA, tivemos a divulgação da primeira leitura do PIB do segundo trimestre, que anualizado atingiu 6,5%, mas a previsão era de +8,5%. O consumo expandiu 11,8%, investimentos em ativos fixos com +8,0% e o setor imobiliário puxou para baixo. O PCE anualizado, deflator de preços do consumo, chegou a 6,4% e o núcleo com 6,1%. Também foram anunciados os pedidos de auxílio desemprego da semana anterior, com queda de 24.000 posições para 400.000 pedidos, quando a previsão era de queda para 380.000 pedidos.

As vendas pendentes de imóveis de junho encolheram 1,9%, Biden comemorou o PIB do trimestre e faz fé na aprovação do pacote de infraestrutura. No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em NY, mostrou boa recuperação com alta de 1,70% e barril cotado a US$ 73,62%. O euro era transacionado em alta para US$ 1,19, e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,27%. O ouro e a prata com fortes altas na Comex, e commodities agrícolas com viés de alta na Bolsa de Chicago. O minério de ferro, como consequência das medidas adotadas pela China, registrou queda de 3,27%, com a tonelada cotada a US$ 196,06.

Aqui, no ambiente político, o temor é que os ruídos aumentem muito com a volta da CPI da Covid-19, a entrega de comando pelo presidente ao centrão e novo entrevero de Bolsonaro com o STF, a partir de vídeo divulgado. Bolsonaro rebateu o vídeo afirmando que o STF cometeu crime ao dizer que prefeitos e governadores podem suprimir direitos. A CVM divulgou relatório mostrando que a emissão de valores mobiliários atingiu R$ 287,8 bilhões no primeiro semestre de 2021, crescendo 62,4% sobre igual período, com a oferta primária de ações no montante de R$ 76,8 bilhões, +108% e debêntures com R$ 97 bilhões.

Foram anunciados dados do Caged de junho com a criação líquida de emprego de 309,1 mil posições de trabalho, com destaque para serviços com 125,7 mil. Mas economistas têm receio dos dados descolados de outros indicadores de conjuntura. O ministro Paulo Guedes participou da apresentação dizendo que a criação de empregos cresce em ritmo acelerado e prometeu anúncio de mais programas de emprego. O déficit primário do governo central de junho foi de R$ 73,5 bilhões, pior que o previsto, e em 12 meses chega a R$ 401 bilhões, representando 4,7% do PIB. As receitas de junho cresceram 55,9% e as despesas encolheram 34,6%. O INSS com déficit de R$ 55,1 bilhões e no ano com déficit de R$ 158,3 bilhões.

No mercado, dia de dólar em nova queda expressiva de 0,78% e fechando cotado a R$ 5,07. No segmento Bovespa da B3, na sessão de 27/07, os investidores estrangeiros retiraram R$ 907,8 milhões, deixando o saldo negativo de julho em R$ 6,17 bilhões, mas com o ano positivo em R$ 41,8 bilhões.

No mercado acionário, dia de alta da Bolsa de Londres de 0,88%, Paris com +0,37% e Frankfurt com +0,45%. Madri e Milão com altas de respectivamente 0,60% e 1,01%. No mercado americano, o Dow Jones com alta de +0,44% e Nasdaq com +0,11%. Na Bovespa, dia de queda de 0,48% e índice em 125.675 pontos. Vale, mesmo com o bom resultado trimestral e expectativa de dividendos, liderou perdas com -1,47%.

Na agenda cheia de amanhã, teremos dados da PNAD contínua do trimestre encerrado em maio, a nota de política fiscal de junho e definição de bandeira tarifária de agosto que mexe com a inflação. Na Alemanha, o PIB do segundo trimestre e a inflação na zona do euro. Nos EUA, a renda e gasto pessoal de junho, o deflator de preços PCE de junho, a confiança do consumidor de Michigan de julho e, durante a noite, o PMI da China de julho.

Boa noite!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais