Esqueçam temporariamente o maior apetite por risco vigente desde a semana passada. Hoje foi dia de investidores buscarem cautela, deflagrada por declarações do presidente do FED, Jerome Powell, em arguição no Senado americano. Sua fala de abertura foi idêntica à apresentada ontem, na Câmara americana, mas as perguntas e respostas tiveram tom mais severo. Além disso, outros fatores também atuaram. Tudo isso mudou bastante a cara dos mercados, Bolsas em queda, dólar fortalecido e juros em queda nos EUA.

Jerome Powell não inovou em suas declarações, mas foi bem mais enfático nas colocações. Disse que não estão confortáveis com a inflação muito alta mostrada e maior que esperada, que há desemprego considerável e repetiu declaração anterior que a dívida americana está em trajetória não sustentável. Por outro lado, elogiou que bancos cumpriram seu papel e que o sistema financeiro está forte. Disse que se a inflação se mostrar renitente vão usar as ferramentas necessárias para domar, podendo congelar o balanço dos ativos, de forma igual ao que ocorreu em 2008 (crise do subprime) e que o PIB já voltou para níveis pré-pandemia e deve se manter.

De outra feita, o presidente regional do FED de Chicago, Charles Evans, disse que a economia está reagindo bastante forte, espera desemprego no final do ano de 4,5% e núcleo do PCE (deflator de preços) de 3% e que não devem elevar juros desnecessariamente. Já James Bullard, do FED de St. Louis, alega que se inflação não retornar em 2022, os EUA não estarão em boa situação. Diz que podem começar a retirada de estímulos e terminar medidas emergenciais.

Ainda nos EUA, os pedidos de auxílio-desemprego encolheram 26 mil posições na semana anterior para 360 mil, igual ao que estava sendo previsto. O índice de atividade industrial de NY de julho subiu forte para 43 pontos, quando o esperado era 17 pontos. O número é recorde. A produção industrial de junho evoluiu 0,4%, mas o previsto era alta de 0,6%. Já os EUA e a Rússia, estudam ações conjuntas de combate a mudanças climáticas e o Irã diz que já pode fazer bombas nucleares.

O representante da China disse que os EUA usam pretexto de segurança nacional para cercear chineses na tecnologia 5G e espera que Brasil faça o melhor sobre isso, dizendo que são bons parceiros comerciais e crescente. No mercado internacional, o petróleo WTI mostrava queda de 2,08%, com o barril cotado a US$ 71,61, mesmo com a OPEP mantendo a previsão de demanda em alta. O euro era transacionado em queda para US$ 1,18 e notes americanos de 10 anos tinha taxa de juros em boa queda para 1,299%, confirmando a busca por segurança. Pelo mesmo motivo o ouro e a prata com altas na Comex e commodities agrícolas com viés mais para positivo na Bolsa de Chicago.

O minério de ferro negociado em Qingdao, na China, registrou alta na madrugada de 1,57%, com a tonelada em US$ 222,09.

No cenário local, preocupação com a saúde de Bolsonaro que segue sem previsão de alta hospitalar e quadro evoluindo satisfatoriamente. A oposição aproveitou para dizer do uso político da doença e as redes sociais fervilharam de notas nas duas direções. Bolsonaro sancionou lei autorizando o Bacen a acolher depósitos voluntários e enviou PL alterando a LDO de 2021 para permitir o programa de renda mínima. Sancionou também lei que aumenta a CSLL (contribuição sobre lucro líquido) do setor financeiro e corta subsídio no segmento petroquímico.

Por outro lado, o Consefaz cobra rejeição integral do parecer da reforma tributária, por “sabotar o pacto federativo” e ser populista, reduzindo impostos na situação em que o país se encontra.  A comissão mista do orçamento (CMO) aprovou o texto-base da LDO, negou destaques e encaminhou para votação em plenário e foi aprovada pelos deputados.

No mercado, dia de dólar voltando a subir, para encerrar com +0,80% e cotado a R$ 5,11, seguindo exterior e idiossincrasias locais. Na Bovespa, na sessão de 13/07, os investidores estrangeiros voltaram a sacar recursos no montante de R$ 1,05 bilhão, deixando o saldo negativo de julho em R$ 1,25 bilhão, mas com ingresso líquido no ano de R$ 46,85 bilhões.

No mercado acionário, dia de queda da Bolsa de Londres de 1,12%, Paris com -0,99% e Frankfurt com -1,01%. Madri e Milão com quedas de respectivamente 1,52% e 1,27%. No mercado americano, o Dow Jones com +0,16% e Nasdaq com -0,70%. Na Bovespa, impacto idêntico com queda de 0,73% e índice em 127.471 pontos. Petrobras mais uma vez afetada pelo preço do petróleo em queda forte (-2,13%).

Na agenda de amanhã teremos o GIP-10 de julho, e o IPC-S da segunda quadrissemana de julho e nos EUA as vendas no varejo de junho os estoques nas empresas de maio e a confiança do consumidor de Michigan de julho.

Boa noite!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais

Fonte: https://www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado