Ontem, depois da canetada de Trump suspendendo as negociações de novo pacote fiscal até depois das eleições de 3/11, os mercados inverteram tendência e passaram a cair. A Bovespa fechou com perdas de 0,49%, aos 95.615 pontos, depois de ter batido na máxima de 97.404 pontos, o dólar valorizou 0,50% em R$ 5,595, enquanto o Dow Jones encerrou em queda de 1,34% e Nasdaq com -1,57%.

Hoje, mercados da Ásia majoritariamente com altas, Tóquio em leve queda e Xangai ainda parada por conta do feriado prolongado. A Europa opera com leve queda nesse início de manhã e futuros do mercado americano recuperando com pequena valorização. Aqui o dia pode ser de tentativas de recuperação, mas ficamos na dependência do comportamento externo.

Os investidores no mundo ainda se ajustam para decisão de Trump. O mais curioso é que Trump pode até vencer as eleições (a diferença de Biden tem aumentado), mas ainda assim poderia perder a maioria mantida hoje no Senado, o que certamente dificultaria ainda mais o seu governo. Trump contraria também pedido uníssono de praticamente todos os dirigentes regionais do FED e também do presidente Jerome Powell.

O FMI também declarou que os EUA possuem folga fiscal para fazer novo pacote e isso deveria ocorrer o mais rápido possível. A economia americana parece desacelerar, na visão de dirigentes do FED. Além disso, as brigas políticas podem acelerar falências de empresas no país.

Na Alemanha, a produção industrial decepcionou em agosto com queda de 0,2%, quando o previsto era expansão de 1,5%. Na Austrália, o orçamento de 2021 embute aumento do déficit fiscal por conta da pandemia.

A Aramco, gigante de petróleo saudita, elevou o preço do petróleo para a Ásia. No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em NY mostrava queda de 2,83%, com o barril cotado a US$ 39,52, mesmo com o furacão Delta chegando ao México. O euro era transacionado em leve alta em US$ 1.176 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 0,78%, em alta. O ouro e prata com quedas na Comex e commodities agrícolas com comportamento misto na Bolsa de Chicago.

Aqui, no jantar de pacificação entre Rodrigo Maia e o ministro Paulo Guedes foi discutida uma agenda mínima para a economia ainda para o ano de 2020. Mas parece difícil com o Congresso engarrafado de projetos e parando por conta das eleições municipais. O relator do pacto federativo, que inclui o projeto Renda Cidadã, adiou a entrega de parecer para a próxima semana, se Deus quiser. A FGV anunciou o IGP-Di fechado de setembro com alta de 3,30%, desacelerando em relação ao agosto com 3,87%, mas mostrando inflação no ano de 14,80% e em 12 meses de 18,44%.

Na agenda do dia, alguns indicadores podem mudar a direção dos mercados. Nos EUA, teremos a divulgação da ata da última reunião do FOMC do FED e muitos discursos de dirigentes do FED que podem comentar sobre a decisão de Trump. Além disso, sai o crédito ao consumidor nos EUA em agosto e os estoques de petróleo e derivados da semana anterior.

Bom dia e bons negócios!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais