A agenda do dia era fraca, tanto aqui como no exterior, mas em compensação o noticiário corrente trouxe emoção, mexendo bastante com os mercados. Mas o destaque acabou sendo mesmo a recuperação do petróleo no mercado internacional, com valorização de mais de 4%, com o WTI voltando para patamar acima de US$ 70. Aqui, mercados mais travados por conta do risco político, sanitário e com a variante delta começando a assustar.

O Reino Unido defendeu mudanças nas regras comerciais estabelecidas no pós-Brexit e isso irritou a União Europeia no que tange a fronteira aberta com a Irlanda do Norte e equilíbrio político com a do Sul. A União europeia rejeitou a mudança e o Reino Unido disse que flexibilizará a fronteira. O Japão e a Coreia do Sul reafirmaram acordo de desnuclearização da Coreia do Norte e o Japão quer dobrar a energia solar e outras fontes renováveis em sua rede elétrica.

O FMI vaticinou que teremos no futuro choques econômicos mais longos e devastadores e que é preciso melhorar a inclusão. Voltou a falar sobre a importância de agir para sincronizar a precificação do carbono lançado na atmosfera ao nível adequado, mas também falou em crescimento do PIB em 2021 já em +6%.

Nos EUA, os Congressistas correm para fechar posição em texto bipartidário do pacote de infraestrutura de Biden projetado em US$ 3,5 trilhões no prazo dado pelo líder Schumer, mas o líder republicano Mcconnell disse que nenhum republicano deve apoiar a elevação do teto da dívida. Ainda nos EUA, os estoques de petróleo na semana anterior cresceram 2,1 milhões de barris, mas a utilização da capacidade encolheu para 91,4%. Isso acelerou a tendência de alta do petróleo no mercado internacional.

No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em NY, mostrava alta de 4,67%, com o barril cotado a US$ 70,34, próximo da máxima do dia. Com menor busca por proteção, o dólar acabou cedendo em relação a outras moedas e o euro tinha leve alta para US$ 1,18, enquanto os juros dos treasuries subiam, principalmente após o leilão de US$ 24 bilhões em títulos de 20 anos. O notes de 10 anos operava com juros de 1,30%. O ouro mostrava queda e a prata alta nas negociações da Comex e commodities agrícolas com viés de alta na Bolsa de Chicago. O minério de ferro é que teve nova queda de 2,83% em Qingdao, na China, com a tonelada em US$ 214,79, após restrições impostas para produção siderúrgica.

No segmento doméstico, Bolsonaro se disse assustado positivamente com a arrecadação de junho e declarou que o Governo decidiu liberar do contingenciamento todos os recursos travados para os ministérios. Também anunciou pequena reforma ministerial para segunda-feira, e a imprensa dá como certo que será a partição do ministério da Economia e recriação do ministério do Trabalho, com Onyx Lorenzoni de titular (já deu até entrevista), atendendo pleito do centrão e não exatamente buscando maior eficiência. Haverá outras mudanças no governo e investidores não gostaram.

Já o ministro Paulo Guedes surfou no aumento da arrecadação de junho crescendo real 24,4% sobre igual período de 2020, mas com queda real no mês de 3,98%. A arrecadação de junho foi de R$ 137,2 bilhões e no semestre acumula R$ 882,0 bilhões. Foi a maior arrecadação para o mês desde 2011. As desonerações até o mês de junho somam R$ 47 bilhões. O ministro Paulo Guedes falou em recuperação em “V” e que vai pegar parte do aumento da arrecadação e transformar em redução de alíquota, quer acelerar a geração de empregos e acabar com o inferno tributário. Porém, a boa arrecadação se deve as projeções crescentes para o PIB, e fundamentalmente por conta da inflação acelerando o poder arrecadador. É bom que isso aconteça, mas seria prudente dosar o otimismo gastador histórico do país.

O Bacen também divulgou o fluxo cambial até 16/07 negativo, em US$ 1,09 bilhão, fruto de saídas pelo canal financeiro de US$ 2,72 bilhões e comercial positivo em US$ 1,63 bilhões. No ano o fluxo é positivo em US$ 14,25 bilhões e a posição cambial líquida permanece quase estável em US$ 274,3 bilhões. As perdas com operações de swap cambial montam a R$ 14,3 bilhões.

No mercado, dia de dólar oscilando em alta e depois cedendo, em sintonia com o exterior, para fechar em queda de 0,76% e cotado a R$ 5,19. No segmento Bovespa, da B3, na sessão de 19/07, os investidores estrangeiros voltaram a retirar recursos no valor de R$ 827,4 bilhões, deixando o mês de julho negativo em R$ 4,70 bilhões e o ano de 2021 ainda bem positivo em R$ 43,3 bilhões.

No mercado acionário, dia de alta da Bolsa e Londres de 1,70%, Paris com +1,85% e Frankfurt com 1,36%. Madri e Milão com valorizações de respectivamente 2,67% e 2,36%. No mercado americano, o Dow Jones com +0,83% e Nasdaq com +0,92%. Na Bovespa, dia de alta de 0,42% e índice em 125.929 pontos.

Na agenda de amanhã nenhum indicador mais importante por aqui e no exterior a decisão do BCE (BC europeu) sobre política monetária que deve ser mantida, mas com algumas revisões. Nos EUA, teremos os pedidos de auxílio-desemprego da semana anterior, o índice de indicadores antecedentes de junho e venda de imóveis usados e a atividade industrial de Kansas de julho.

Boa noite!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais