É, ontem o clima político que já vinha ruim, azedou de vez. Bolsonaro voltou a falar que seu grupo pode não aceitar o resultado das próximas eleições, caso o Congresso não aprove voto auditável e aproveitou para criticar o STF, especialmente o ministro Barroso. Já a CPI do covid-19, prendeu o secretário do ministério da Saúde, Roberto Dias, por mentir aos parlamentares e o presidente Aziz falou sobre corrupção, ensejando nota de repúdio do Ministério da defesa.

Com tudo isso os mercados aqui ainda fecharam relativamente bem, com a Bovespa em alta de 1,54% e índice em 127.018 pontos e dólar que tinha quase esbarrado em R$ 5,30, acabou fechando em R$ 5,24, com alta de 0,60%. Muito em função da ata da última reunião do FED ter vindo menos dura que o esperado, apesar de discussão sobre retirada de estímulos precoce e possibilidade de operações repo se tornarem permanentes.

Hoje, mercados no mundo com tendência clara de queda, com Bolsas asiáticas encerrando com boas perdas (destaque para Hong Kong perdendo 2,89%), Europa iniciando o dia fortemente negativa e piorando mais um pouco e futuros do mercado americano também com desvalorizações. Aqui, além de tudo isso, o clima político cada vez mais tenso e em véspera de feriado com mercados abertos no exterior. Há necessidade de os investidores buscarem proteção, somada a uma agenda de eventos importantes.

Na Alemanha, o superávit da balança comercial de maio atingiu 12,6 bilhões de euros, fruto de exportações com alta de 0,3% e importações crescendo 3,4%. E os títulos Bund de 10 anos com taxa de juros de -0,30%, aguardando declarações do BCE. O BCE começou a divulgar sua revisão de política monetária inserindo mudanças climáticas como ponto principal na avaliação dos ativos e supervisão, mas também elevou a meta de inflação para 2%, podendo ficar acima disso moderadamente e de forma transitória. Christine Lagarde dá coletiva de imprensa as 9:30 horas.

Na China, o governo segue pressionando as Big Techs e deve anunciar novo relaxamento monetário e nova redução de depósito compulsório, permitindo leitura dos investidores de que a segunda maior economia do planeta está desacelerando no segundo semestre.

No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em NY, mostrava queda de 0,78%, com o barril cotado a US$ 71,64, mesmo com os estoques de óleo pela API encolhendo na semana anterior, 8 milhões de barris. O euro era transacionado em alta para US$ 1,184 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros em queda para 1,247%. O ouro e a prata, com o quadro ruim, tinham altas na Comex e commodities agrícolas com comportamento misto na Bolsa de Chicago.

Aqui, como citado, o ambiente político vai degradando de forma consistente, e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, falou sobre instabilidade, incertezas e insegurança. O que só complica ainda mais a área econômica com mobilização de 120 entidades empresariais encaminhando carta para Arthur Lira pedindo adiamento do ajuste no imposto de renda.

Senadores também pediram declarações mais duras de Rodrigo Pacheco contra a intimidação feita em nota de repúdio pelo ministério da Defesa. Já o COAF, complicou ainda mais a situação divulgando movimentações atípicas na empresa que intermediou a venda de vacinas covaxin.

Dia triste e perigoso para nossa recente democracia. A agenda cheia de eventos pode ainda interferir no comportamento dos mercados de riscos por aqui, enquanto mercados no exterior aceleram perdas. Expectativa de Bovespa em queda reverberando tudo isso, dólar ainda pressionado (mesmo com fraqueza externa) e juros em alta.

Bom dia e bons negócios!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais
Fonte: https://www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado