Os investidores iniciaram a semana demonstrando mau humor. Por um lado, o covid-19 ampliando contágio e mortes, com a Alemanha computando 40.000 óbitos e Bélgica 20.000; China fechando regiões, com nova cepa mais contagiosa; sem falar em Brasil e EUA, que lideram o trágico ranking de óbitos. Por outro lado, a questão política nos EUA, com parlamentares republicanos querendo a renúncia de Trump e a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, dizendo ter votos suficientes, mas dando 24 horas para que Mike Pence decida sobre invocar o artigo 25 da Constituição. Os republicanos tentam bloquear os democratas de removerem Trump.

Nos EUA, o presidente do FED de Atlanta, Bostic, disse ainda ser necessário apoio aos setores abalados pela pandemia, vê desafios no curto prazo a serem superados, mas com bom desempenho de médio e longo prazo. Segundo ele, fundamentalmente, a economia estará na dependência da distribuição e imunização da população. Consegue enxergar a possibilidade de recalibrar medidas após 2021.

O BOE (BC inglês) entende que o principal ator da crise é a política fiscal pela perda de renda, mas a política monetária tem o seu papel. Voltaram a falar que, se for preciso, juros negativos serão trunfo. Também entendem que mais estímulos são necessários. A partir dessa semana já vamos ter a safra de balanços referentes ao quarto trimestre do ano, o que permite extrapolar ajustes pontuais principalmente nas instituições financeiras.

No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em NY acabou se recuperando das perdas do início do dia e mantinha ainda queda de 0,36%, com o barril cotado a US$ 52,05. O euro era transacionado em queda para US$ 1,215 e notes americanos de 10 nos com taxa de juros em alta para 1.13%. O ouro e a prata com altas na Comex e commodities agrícolas com desempenho negativo na Bolsa de Chicago. O minério de ferro, negociado na China, também teve madrugada de perda de 0,54%, com a tonelada em US$ 172,13.

No cenário doméstico, a nova pesquisa semanal Focus do Bacen mostrou alterações na margem, com a inflação pelo IPCA caindo para 4,37% (anterior em 4,38%) e 2021 em alta para 3,34%. A Selic de final de ano foi estimada em 3,25% (anterior em 3,00%) e PIB de 2020 com contração de 4,37% e, para 2021, com expansão de 3,41%. Dólar mantido em R$ 5,00 para 2021 e produção industrial de 2020 em queda de 4,94% e alta em 2021 de 4,78%. O saldo da balança comercial de 2021 encolheu para US$ 55,0 bilhões, de anterior em US$ 55,1 bilhões. Falando de balança comercial, o saldo divulgado até 10/01 mostrava superávit de US$ 1,11 bilhão.

Na área política, o candidato apoiado por Bolsonaro, Arthur Lira, disse que não dá para falar em votar auxílio sem falar de onde tirar recursos. Disse ser a favor do social respeitando o teto de gastos e que não tem como propor solução no curto prazo sobre auxílio emergencial. Na saúde, ainda nada de muito concreto sobre início de vacinação.

No final da tarde, Bolsonaro falou muito sobre não fazer milagres com teto de gastos, respeitado e dizendo novamente que o Brasil não está uma maravilha (“querem que eu minta”). Disse não poder ter mais dois anos de governo com a esquerda dominando a pauta. No final do dia, a FORD anunciou que está encerrando as atividades no Brasil, depois de anos de perdas.

Já o Bacen teve que interferir no mercado de câmbio com operação de swap cambial e 10.000 contratos para domar a escalada da moeda, que de resto esteve forte no exterior. O dólar voltou a vazar a cotação de R$ 5,51, para fechar em alta de 1,61% e cotado a R$ 5,504. Na B3, na sessão de 07/01 os investidores estrangeiros ingressaram forte com R$ 4,44 bilhões, deixando o saldo de janeiro positivo em R$ 8,28 bilhões.
No mercado acionário o mau humor contagiou as bolsas europeias, com Londres encerrando em queda de 1,09%, Paris com – 0,78% e Frankfurt com – 0,80%. Madri e Milão com perdas de respectivamente 0,59% e 0,32%.

No mercado americano, dia de queda do Dow Jones de 0,29%, mesmo com bancos e petróleo recuperando e Nasdaq com -1,25%. Na Bovespa, dia de queda de 1,46% e índice em 123.255 pontos.

Na agenda de amanhã teremos a primeira prévia da inflação de janeiro pelo IGP-M e a inflação oficial de dezembro e ano pelo IPCA. Nos EUA, sairá a confiança do pequeno empresário, o relatório de oferta e demanda agrícola pela USDA e discurso de dirigentes do FED.

Boa noite.

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais