Os temas são recorrentes e não necessariamente perderam a importância. Ao contrário, a covid-19 e sua variante Delta voltaram a assustar os investidores em todo o mundo. Aqui, além disso, desequilíbrio fiscal e governo tendendo ao populismo exacerbado pré-eleitoral também assustam e trazem volatilidade aos mercados de risco.

Já tínhamos previsto que a semana começaria do mesmo jeito que terminou, suavizada apenas pelo fato de segundas-feiras serem dias de poucos parlamentares em Brasília e comissões sem funcionar. Mas os investidores não esquecem isso, somado ao fato de o petróleo ter ficado novamente em queda no mercado internacional (e minério também, só que não em Qingdao), afetando Petrobras, Vale e siderúrgicas.

No exterior, até algumas boas notícias. Janet Yellen, secretária do Tesouro americano, voltou a apelar ao Congresso para elevar o teto da dívida, sem o qual alguns setores do governo podem sofrer paralisia. Já os senadores do Democratas divulgaram proposta de orçamento de 2022 com pacote de US$ 3,5 trilhões, versando sobre medidas para conter a pobreza e o aquecimento climático, que pretendem que sejam aprovadas antes do recesso de agosto.

Por lá, ainda tivemos a divulgação do relatório Jolts, com a abertura de 10,1 milhões de vagas em junho, maior nível da história. Já Bostic, presidente regional do FED de Atlanta, disse que a retirada de estímulos pode começar até dezembro, com a variante Delta atrapalhando. O presidente do FED de Richmond, Barkin, vê espaço para melhorar empregos antes de subir juros.

No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em NY, que chegou a mostrar queda de mais de 4%, era transacionado com nova queda de 2,17%, com o barril cotado a US$ 66,80. O euro era transacionado em queda para US$ 1,174, e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,32%, com a busca por proteção determinada pela covid-19. O ouro e a prata com boas quedas na Comex, e commodities agrícolas com desempenho mais para negativo. O minério de ferro não foi negociado em Qingdao, mas no porto de Dailan mostrou forte queda, afetando segmentos ligados por aqui. Já o PBOC (BC chinês) disse que vai manter a política monetária flexível e direcionada, mas a covid-19 volta a assustar por lá e também na Europa.

No mercado doméstico, a FGV anunciou o IGP-Di fechado de julho com alta de 1,45% (anterior em 0,11%), acumulando inflação no ano de 15,91% e em 12 meses de 33,35%. O IPA agrícola subiu 2,69% e o IPA industrial +1,25%. O IPC-S da primeira quadrissemana de agosto com 0,97%, de anterior em 0,92%.

A pesquisa semanal Focus do Bacen trouxe a inflação pelo IPCA em nova alta para 2021 de 6,88% (anterior em 6,79%) e a taxa Selic de fim de ano em 7,25%, de anterior em 7%. O PIB projetado para o ano se manteve estável em +5,30% e 2022 em queda para 2,05%. A produção industrial subiu para 6,47% (anterior em 6,38%) e dólar estável em R$ 5,10. Na primeira semana de agosto, superávit na balança comercial de US$ 1,64 bilhão, acumulando saldo positivo de US$ 46 bilhões no ano.

No ambiente político, o presidente da Câmara espera que a questão do voto impresso esteja resolvida na semana, mas o governo quer adiar votação por medo de derrota. Bolsonaro foi até a Câmara entregar para Arthur Lira o projeto de mudança do Bolsa Família que muda o nome para Auxílio Brasil, mas não traz detalhes da MP que trata do tema.

O ministro Paulo Guedes disse que a PEC dos precatórios cria previsibilidade dos gastos, e o ministro da Cidadania, João Roma, acalmou os mercados dizendo que o presidente vai apertar o cinto em outras áreas para abrir espaço para programas sociais sem ferir o teto de gastos. Pelo menos, essa foi a percepção dos mercados, que melhoraram um pouco.

No mercado local, dia de dólar oscilando bastante, esbarrando próximo de R$ 5,30, para fechar praticamente estável e cotado a R$ 5,24. No segmento Bovespa da B3, na sessão de 05/08, os investidores estrangeiros voltaram a alocar recursos no mercado no volume de R$ 1,46 bilhão, deixando o saldo positivo de agosto em R$ 2,39 bilhões e ingresso líquido do ano em R$ 43,07 bilhões.

No mercado acionário, dia de alta na Bolsa de Londres de 0,13%, Paris com -0,06% e Frankfurt com -0,10%. Madri com perda de 0,15% e Milão em alta de 0,54%. No mercado americano, dia de Dow Jones em leve queda de 0,31% e Nasdaq com +0,16%. Na Bovespa, também muita mudança de sinal para fechar com alta de 0,19% e índice em 123.038 pontos.

Na agenda de amanhã, teremos o IPC da Fipe da primeira quadrissemana de agosto, a inflação oficial de julho pelo IPCA e o levantamento sistemático da produção agrícola de julho pelo IBGE. Nos EUA, a confiança do pequeno empresário de julho, a produtividade do trabalho do segundo trimestre e o discurso de Loretta Mester, do FED de Cleveland.

Boa noite!

Alvaro Bandeira
Economista-chefe do banco digital modalmais